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Por que festivais e eventos devem fazer parte da estratégia de marketing dos restaurantes

Bom Gourmet
18/08/2026 13:29
Participar de um festival gastronômico, entrar em um circuito ou estar presente em um evento pode ser muito mais do que uma oportunidade de vender. Para Aline Coelho, diretora de marketing do Bom Gourmet, essas iniciativas devem ser encaradas pelos restaurantes como ferramentas de marketing capazes de ampliar o alcance da marca, atrair novos clientes e gerar negócios.
Esse foi um dos principais pontos apresentados por Aline durante o FoodCo. Experience 18, realizado nesta segunda-feira (17), em Curitiba. Em sua palestra no evento, ela mostrou como o live marketing pode ajudar os negócios de gastronomia a transformar a atenção gerada no ambiente digital em movimento real no salão.
A provocação começou justamente pelas redes sociais. Para Aline, curtidas, comentários e seguidores são importantes para construir presença, mas não podem ser o objetivo final de uma estratégia. O empresário precisa saber o que acontece depois do engajamento: aquele seguidor visitou o restaurante? Consumiu? Voltou? Indicou a casa? “O Instagram é uma porta de entrada”, explicou. O desafio, portanto, é criar caminhos para que a pessoa saia da tela e chegue até o estabelecimento.
É nesse contexto que entram festivais, eventos, circuitos, premiações e outras ações presenciais. Aline apresentou o live marketing como uma estratégia para colocar o consumidor em contato com a marca e, principalmente, fazer o restaurante alcançar públicos que ainda não fazem parte de sua base de clientes.
A lógica é diferente de simplesmente publicar um conteúdo nas redes sociais. Em uma ação presencial, existe a possibilidade de gerar experimentação, criar uma experiência com a marca e estabelecer uma relação que pode continuar depois do evento.
Mas, para isso, o restaurante precisa participar de forma ativa. Segundo Aline, existe uma diferença importante entre estar em um evento e ativar a marca dentro dele. A participação não deve terminar na entrega do produto ou no movimento daquele dia.
Treinar a equipe, pensar na experiência do consumidor, divulgar a participação nos próprios canais, criar ações para estimular novos pedidos e buscar formas de identificar os clientes que chegaram por aquela iniciativa são algumas das estratégias que podem potencializar o resultado.
Antes de decidir participar de um evento, a recomendação é avaliar se a oportunidade faz sentido para o negócio. Quem é o público? Ele tem relação com o cliente que o restaurante quer conquistar? Qual é o objetivo da participação? O que se espera de retorno? A operação tem capacidade para atender à demanda? E, principalmente, como os resultados serão medidos?

Festivais como um marketplace de comida

Na palestra, Aline também comparou os festivais gastronômicos a grandes marketplaces de comida. A ideia é que o restaurante aproveita uma estrutura que já reúne público e recebe investimentos de comunicação para gerar fluxo.
Assim como um marketplace concentra diferentes vendedores e trabalha para levar consumidores até a plataforma, um festival reúne restaurantes e investe em mídia para atrair uma audiência interessada em gastronomia. Rádio, mídia exterior, redes sociais, influenciadores e outros canais ajudam a construir esse fluxo.
Para o restaurante, participar significa ter acesso a uma campanha de comunicação em escala e a consumidores que talvez não conhecessem a casa. Nos festivais do Bom Gourmet, segundo os dados apresentados por Aline, o ticket médio de uma mesa chega a aproximadamente R$ 328, mostrando que a oportunidade pode ir além da venda do menu promocional ou do consumo gerado durante o evento. O ponto central, porém, está no que o restaurante faz com esse público depois.

A ação não termina quando o evento acaba

Uma das orientações apresentadas por Aline foi justamente não tratar o evento como uma ação isolada. O consumidor que conheceu a casa durante um festival pode se tornar um cliente recorrente, desde que o restaurante tenha uma estratégia para manter esse relacionamento.
Ferramentas simples, como QR Codes e cadastros, podem ajudar a identificar a origem dos clientes e criar uma base de contatos. A partir daí, o restaurante pode trabalhar ações de relacionamento, divulgação de novidades e convites para novas experiências.
A mensuração também precisa fazer parte do processo. Em vez de avaliar apenas o número de pessoas alcançadas ou o movimento durante o evento, o empresário pode acompanhar indicadores como novos clientes, ticket médio, taxa de retorno e faturamento gerado pela ação. Para Aline, esse acompanhamento é o que diferencia uma estratégia de marketing de uma aposta. Marketing que não é medido vira torcida.

Premiações também são ferramentas de marketing

Outro caminho apresentado por Aline foi o uso de chancelas e premiações para fortalecer a reputação dos restaurantes. Em um mercado com muitas opções, o reconhecimento de terceiros pode funcionar como um importante elemento de decisão para o consumidor.
A lógica parte de uma constatação simples: as pessoas tendem a confiar mais na recomendação e na avaliação de outras pessoas do que na própria autopromoção de uma marca. Por isso, ser indicado, finalista ou vencedor de uma premiação pode se transformar em um ativo de comunicação.
O Prêmio Bom Gourmet foi apresentado como exemplo. A iniciativa combina voto popular e avaliação de júri técnico, com auditoria externa do processo. Na edição de 2026, o prêmio chegou à sua maior edição, ampliando o número de estabelecimentos e destinos reconhecidos no Paraná.
Para o restaurante, o resultado não precisa ficar restrito ao anúncio da premiação. A chancela pode ser incorporada à comunicação da casa, às redes sociais, ao relacionamento com clientes e a campanhas ao longo do ano.
No fim, a mensagem para os empresários da gastronomia é direta: festivais, eventos, circuitos e premiações podem ser canais de aquisição e relacionamento, desde que sejam tratados como parte da estratégia de marketing e tenham seus resultados acompanhados. O like pode indicar que uma marca chamou atenção. Mas é quando esse consumidor cruza a porta, senta à mesa, consome e volta que o marketing começa a mostrar, de fato, o resultado para o negócio.