Flavia Rogoski

Flavia Rogoski

Flavia Rogoski é apaixonada pelo universo dos queijos e dedica sua trajetória a transformar conhecimento em experiências. Desenvolvedora da Bon Vivant Queijos do Mundo, atua há 22 anos conectando produtores, consumidores e cultura gastronômica

Queijo e tal

Queijo em porções pequenas: o aliado proteico de quem está com o apetite mais contido

13/08/2026 15:50
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Pouco apetite? Descubra como o queijo é o seu maior aliado. Crédito: Farhad Ibrahimzade.

As canetas emagrecedoras mudaram a relação de muita gente com a comida. Semaglutida e tirzepatida — os princípios ativos por trás de nomes como Ozempic, Wegovy e Mounjaro — reduzem o apetite de forma tão acentuada que comer uma porção inteira, do jeito que se comia antes, deixou de ser natural para quem está em tratamento. O problema é que esse apetite menor não escolhe o que cortar primeiro: junto com o excesso, também costuma cair o consumo de proteína — exatamente o nutriente que ajuda a preservar o músculo enquanto o peso desce.
É aqui que um alimento simples, que já está na geladeira de qualquer casa, ganha um papel diferente: o queijo. Em porções pequenas, ele consegue entregar uma quantidade relevante de proteína sem exigir um prato cheio — e, dependendo do tipo de leite usado para fazê-lo, ainda entrega experiências de sabor bem diferentes entre si. Vamos por partes.

O motivo por trás da preocupação com proteína

Estudos e acompanhamentos clínicos recentes mostram um padrão consistente: uma parcela significativa do peso perdido com o uso de GLP-1 — estimativas apontam entre 25% e 40% — vem de massa magra, não só de gordura, quando a alimentação não é ajustada de propósito. Isso acontece porque, com menos fome, é mais difícil bater a meta diária de proteína só com o "piloto automático" de antes.
Por isso, consensos clínicos mais recentes têm recomendado entre 1,0 e 2,0 gramas de proteína por quilo de peso corporal por dia, com um piso de pelo menos 60g diários, e o ideal de 25 a 30 gramas por refeição — uma meta desafiadora quando o próprio apetite está jogando contra. Um estudo de acompanhamento de cerca de 200 adultos que combinaram GLP-1, treino de força e proteína bem planejada registrou perda de 13% do peso corporal com apenas 3% de perda muscular — um resultado bem mais favorável do que a média de quem não presta atenção a esse detalhe.

Por que o queijo entra nessa conta

Nutricionistas que acompanham esse público costumam recomendar alimentos de alta densidade proteica e porção pequena — iogurte grego, cottage, kefir e queijo aparecem lado a lado nessa lista, justamente porque cabem numa refeição pequena sem pesar no estômago. E, entre os queijos, alguns tipos entregam bem mais proteína por grama do que outros.
Na prática: uma porção de 30g de um queijo duro e maturado, como parmesão ou pecorino, já entrega cerca de 10g de proteína — quase um terço de uma refeição-meta de 30g, só com uma lasca de queijo. É o tipo de matemática que ajuda muito quando o apetite não colabora.
Vale um parênteses importante: essas faixas variam conforme marca, cura e fabricante, e nenhuma informação aqui substitui orientação de nutricionista ou médico — principalmente para quem está em tratamento com esses medicamentos, onde a quantidade ideal de proteína deve ser calculada caso a caso.

O leite por trás do queijo também importa

A concentração de proteína do queijo começa lá no leite. O leite de ovelha é o mais concentrado dos quatro tipos mais comuns — proteína, gordura e sólidos totais mais altos do que vaca, cabra ou búfala —, o que explica por que se usa menos leite de ovelha para produzir a mesma quantidade de queijo. O leite de búfala vem em seguida, também mais gorduroso que o de vaca, e o de cabra fica próximo do leite de vaca em proteína, com a vantagem de ter glóbulos de gordura menores, o que tende a facilitar a digestão.

E o sabor? Aí está a parte boa

Depois da conversa sobre nutrientes, vem o motivo pelo qual vale a pena experimentar cada um desses queijos por si só: eles não têm só perfis nutricionais diferentes, têm personalidades diferentes no paladar.
Isso significa que trocar o parmesão de sempre por um pecorino, de vez em quando, não é só uma forma de variar a proteína — é também uma forma de redescobrir o prazer de comer em porções menores, prestando mais atenção a cada garfada. E, para quem está lidando com apetite reduzido, comer menos com mais intenção é praticamente a régua do momento.

Para fechar

Não é preciso reinventar o prato para cuidar da proteína durante um tratamento com GLP-1 — às vezes, a solução cabe numa lasca de queijo. A escolha de qual tipo usar pode (e deve) ser guiada tanto pela meta nutricional quanto pela curiosidade de experimentar sabores diferentes. Combine as duas coisas e a dieta fica mais fácil de sustentar — e mais gostosa também.