
Anacreon de Téos
Luiz Augusto Xavier é o nome por trás do pseudônimo Anacreon de Téos. É jornalista especializado em gastronomia e cozinheiro na incansável busca de novos sabores e novas texturas.
Panela do Anacreon
Uma pequena e surpreendente pizzaria (quase escondida) no Água Verde

A placa pequena e discreta anuncia a existência de uma pizzaria por ali. | Foto: Divulgação
Quem primeiro me recomendou foi o chef Fabiano Marcolini. Não diretamente, mas por um recado: “ali perto da tua casa tem uma das melhores pizzas que provei”. O jornalista Vitor Marcolini, filho dele e parceiro lá na redação da CBN, endossou: “é boa mesmo, pode provar e conferir”.
Mas onde ficaria a tal pizzaria, que eu passava na esquina indicada e nada encontrava? Até decidir tirar a dúvida a pé... e aí encontrei. É uma casa bem discreta, na esquina da Castro Alves (via rápida) com a Silva Jardim, onde já funcionaram algumas clínicas e, lá atrás, até mesmo o Zepellin, segundo consta.
Foi então que descobri uma vertente baiana na pizzaria. Sim, de Trancoso, onde dizem fazer muito sucesso. Tanto que, no folder da casa, está escrito “um pedaço de Trancoso em Curitiba”. Inaugurada no início deste ano, a proposta, por aqui, é reunir, ali no Água Verde, o charme despretensioso da Bahia com uma cozinha autoral inspirada nos sabores do Brasil.

Na cozinha, o paulista (de Rio Claro) Paulo Sitolini, com 11 anos de pizzaria lá na Bahia. No salão, a curitibana Marina Braz. Eles se conheceram por lá e estão juntos desde então. E trouxeram agora, para Curitiba, todo o conhecimento e toda a inspiração cultivados em terras baianas. Com tudo funcionando de forma muito coordenada e harmoniosa.
As pizzas são preparadas com massa de fermentação natural e, além disso, longa maturação, resultando em uma experiência mais leve, aromática e cheia de personalidade. Dei uma olhada no menu e pedi: “quero a que o Marcolini mais gosta”. Não sou bobo.
E aí me contaram que a favorita do chef é a Baiana – molho de tomate, muçarela, linguiça Blumenau moída, cebola, ovo, pimenta calabresa e orégano fresco (mais um ponto a favor, é sempre mais saboroso que o seco). Essa pizza lembra um pouco a Portuguesa, que eles também têm, mas aqui sem o presunto, substituído pela linguiça. Ótima.

Mas como a Marina me disse ser possível dividir em dois sabores, fui direto em outro que me deixou curioso: Margherita. Não a que todos conhecem – que também tem no cardápio – mas a Margherita Paranaense, com a cobertura de molho de tomate, queijo purungo, tomatinhos confit, manjericão e queijo colonial curado. Também gostei.
Aliás, o que mais me encantou foi a massa. Com bordas altas e incrivelmente macias. Arrisco dizer ter sido a melhor massa de pizza que provei nos últimos tempos.


Tanto que voltei lá, dias depois, para uma segunda jornada. Desta vez com direito a uma entrada, a Berinjela à parmegiana, impecável, acompanhada de uma fatia da broa de cerveja Caracu. Para os dois sabores, a escolha recaiu sobre a Margherita original e a de Parma (que, como deve ser, entrega o presunto cru à parte, apenas para ser montado no momento de servir).
O menu é curto e, entre outras opções, oferece pizzas de Pepperoni, Calabresa, Frango com Catupiry (não me atrai, mas tem público), Quatro queijos, Abobrinha (essa me interessou conhecer), Atum, Parma e Muçarela (apenas molho de tomate, muçarela e orégano fresco).
Ah, sim, também algumas sazonais, como Sudbrack (sim, que tem a ver com a chef Roberta Sudbrack, amiga de Paulo), Figo com gorgonzola e Marinara com alici.
As pizzas são vendidas em dois tamanhos, 30 e 35 cm de diâmetro. As menores, a valores entre R$ 59 e R$ 81 e as maiores, entre R$ R$ 98 a R$ 135 – exceto as sazonais, um pouco mais caras.

Mas aquele pequeno espaço não oferece apenas pizzas. Propõe cinco opções de entradas, a começar pela Carne de onça na broa de Caracu, Enroladinho sírio (massa de pizza enrolada com recheio de carne moída e especiarias sírias), Enroladinho de abobrinha, Berinjela à parmegiana (clássico e delicioso sempre, vem com uma fatia da tal broa) e a Burrata da casa.
Sobremesas, são três: Tiramisù da casa, Cannoli raiz e Enroladinho de nutella – esses dois com massa de pizza.
O pequeno e aconchegante salão tem capacidade para 25 pessoas e a pizzaria não tem servido de delivery. A não ser na vizinhança, para onde a própria Marina sai para entregar rapidinho, para logo retornar para o atendimento no salão. É um propósito de estreitar os laços com as pessoas do entorno, que também vão buscar seus pedidos prontos.
Mas, mesmo não sendo tão vizinho, vale a pena a experiência. De chegar e pegar lugar no salão ou até mesmo ir buscar sua pizza e o que mais desejar. É o tempo de chegar e já encontrar pronta a pizza escolhida. O serviço é rápido e logo a pizza sai do forno, espalhando aquele agradável perfume por toda parte.
Horário de funcionamento: de quarta a segunda, a partir das 18h30.
Pizzaria São João Batista
Rua Castro Alves, 562 – Água Verde
Fone/WhatsApp: (41) 99173-1177
Instagram: @saojoaobatistacuritiba

