
Anacreon de Téos
Luiz Augusto Xavier é o nome por trás do pseudônimo Anacreon de Téos. É jornalista especializado em gastronomia e cozinheiro na incansável busca de novos sabores e novas texturas.
Panela do Anacreon
ASU lança almoço especial no sábado. Tudo vem da brasa

A Costela de dianteiro saída da brasa, com todos os acompanhamentos, para o almoço de sábado do ASU. | Foto: Divulgação
Gosto de cozinheiro que lida bem com a cozinha básica, seus fundamentos, respeita suas origens e conhece suas texturas. Gosto mais ainda quando ele alia todos esses predicados a pesquisas com ingredientes e insumos, extraindo o que nós, simples mortais, jamais imaginaríamos.
Alguns exemplos: vinagrete de semente de girassol, redução de tangerina com alga kombu, azeite de funghi, pó de cenoura fermentada, crocante de arroz com pó de uva, compota de casca de tangerina e por aí vai.
Danilo Takigawa é assim. Jovem ainda, já destila conhecimento acima da média e surpreende cada vez que concebe um novo menu. Como este de agora, seu primeiro almoço desde que abriu o ASU, e que está marcado para este sábado (18).

A proposta dele é fazer o tema girar em torno da brasa. Para tanto, oferece alguns espetinhos para petiscar, enquanto o cliente decide qual será a base do prato principal, se peixe, cordeiro ou costela bovina. Tudo vindo da churrasqueira, inclusive alguns dos acompanhamentos, que são fixos.
“Mesa & Brasa”. Foi como Takigawa batizou seu novo produto, o Almoço do ASU, sua nova investida na criatividade e no melhor aproveitamento dos sabores.
Este será, confirmo, o primeiro almoço do restaurante, que se repetirá a cada terceiro sábado do mês. A ideia é contar com aqueles três tipos de proteína (peixe, costela e cordeiro), preparadas com todo cuidado e, em alguns casos, por longas horas, e finalizadas na brasa.
E o resultado não poderia ser mais agradável. Dias atrás o chef promoveu uma prévia especial para alguns convidados (da área gastronômica) e não houve quem não tivesse se encantado com a proposta.

A começar pelos drinques, caprichosamente elaborados. São três, ao todo, com destilados produzidos pela Verve Destilaria e concebidos pelo bartender Victor Gonçales: Chapéu amarelo (uísque, bergamota e xarope de mel), Floralis (Gin Verve, licor de maracujá, hibisco, limão e tônica) e, o que mais gostei, Utopia (Vodca Verve, cajuína, yuzu e tucupi) – juntando a Amazônia ao leste asiático.
O “Mesa & Brasa” propõe duas entradas, que já fazem parte do cardápio normal da casa, ambas cruas e muito particulares. O Peixe cru (R$ 56) tem na composição um peixe cru curado, redução de tangerina com alga kombu, vinagrete de semente de girassol, salsa de camarão, brócolis tostado e sal de hibisco – o peixe varia conforme a melhor oferta do dia, naquela vez foi sororoca. Já a Carne crua (R$ 56), leva a carne crua com azeite de funghi, picles de pimenta de cheiro, cebola crocante, pó de cenoura fermentada e bottarga.

Há também opções de espetos, de Camarão (R$ 55), Lula (R$ 36), Polvo (R$ 58) e Bananinha (R$ 58). Provei o de lula e talvez tenha sido o que de melhor comi naquela tarde. Todos os espetinhos são servidos com creme de cará, salsa de vinagre balsâmico, crocante de arroz-negro e ciboulette.
Aí chega o momento de escolher os pratos principais. Peixe, costela ou cordeiro?

A Costela do dianteiro (R$ 340) é assada lentamente e finalizada na brasa, servida com salada de agrião e glace de porco. Já o Peixe do dia (R$ 350), é assado inteiro na churrasqueira e servido em filés ou postas, com salsa de ervas frescas. Molho delicioso aliás, com toda aquela pegada da Provença. O Pernil de cordeiro (R$ 380) é assado na churrasqueira, servido com demi-glace de frango e vinagrete de hortelã.
Incluídos no preço de qualquer escolha dessas, estão os acompanhamentos. A começar pelo que mais apreciei: Repolho grelhado (repolho rasgado, grelhado na churrasqueira, molho batayaki da mãe do chef, emulsão de chipotle com dashi e picles de cebola roxa. Repeti, repeti e repeti (e quero ver se consigo aprender a fazer). Mas ainda tem Batata frita (Batatas fritas servidas com salada de couve kale), Farofa de cebola brûlée (Farofa de cebola brûlée, bastante raspas e suco de limão, finalizada com crispy de couve), Brócolis tostados com parmesão (Brócolis grelhado com alho e gordura bovina, finalizado com queijo parmesão) e Maionese de batata da casa (servida com folhas de ervilha e rabanete-negro colhidos na própria horta.

Para quem desejar – e o curitibano gosta muito de arroz – tem uma porção extra de arroz branco (R$ 19).
Sobremesas são duas, de nomes simples e diretos: Manga (R$ 46), um biscoito feito com pistache, mousse de manga e maracujá, sorvete de uva natural, crocante de arroz com pó de uva; Chocolate (R$ 46), um bolo mousse de chocolate, compota de casca de tangerina, sorvete de chocolate trufado e cookie de sementes.

Para harmonizar ou acompanhar, além dos drinques, a casa dispõe de uma bela carte de vinhos, cervejas e bebidas sem álcool.
Vale muito o dia, vale muito o sábado, vale muito o prazer desse primeiro almoço do ASU, mais um item importante na permanente busca de sabores advinda da incansável garimpagem desse talentoso Danilo Takigawa.
Ah, sim, as porções servem bem duas pessoas. Ou até três, conforme o estilo de cada um ou o que consumir daqueles resistíveis espetinhos antes de tudo começar.
ASU Restaurante
Alameda Augusto Stellfeld, 813 – Centro
Reservas: (41) 4141-5231 (WhatsApp)
Instagram: @asurestaurante

