Aline Moser

Aline Moser

Aline Moser é Chef de Cuisine Santé e Natural Chef, especialista em alimentação saudável. Com 15 anos de experiência, dedica-se a ensinar, no ateliê Melão Mamão, uma culinária prática, equilibrada e saborosa para o dia a dia.

Comer Bem com Aline Moser

Proteína além do whey: como deixar as refeições mais nutritivas sem complicar a cozinha

13/07/2026 10:03
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Como ter refeições mais nutritivas com ingredientes de verdade. Crédito: magnific.

Você já deve ter percebido: basta entrar em um supermercado para encontrar produtos com a palavra “protein” estampada nas embalagens. Tem pão, iogurte, barrinha, bebida, cookie, sobremesa… Parece que, de repente, tudo precisa ter mais proteína.
Como chef de cozinha saudável, acompanho essa mudança de perto. Nas aulas, uma das perguntas que mais escuto é: “Como faço para comer mais proteína?”
E a minha resposta quase sempre surpreende: você provavelmente não precisa começar pelos produtos industrializados. Antes disso, vale olhar para a sua própria cozinha.
A proteína sempre fez parte de uma alimentação equilibrada. Ela ajuda na saciedade, participa da manutenção da massa muscular e está presente em inúmeros alimentos que consumimos há gerações. O que mudou foi a forma como ela passou a ser vendida.
Hoje, existe a impressão de que só é possível atingir um bom consumo de proteína comprando produtos específicos. Mas, na prática, muitas vezes basta fazer pequenas mudanças nas receitas do dia a dia.
Um exemplo é enriquecer uma sopa com frango desfiado, carne ou lentilhas. Um omelete ganha ainda mais valor quando combinado com legumes e queijo. Um patê de atum ou de frango transforma um lanche simples em uma refeição muito mais completa. Até uma torta pode ficar naturalmente mais nutritiva quando leva cottage ou ricota no recheio.
São escolhas simples, feitas com ingredientes de verdade, que fazem diferença sem complicar a rotina.
Outro ponto que observo é que muitas pessoas concentram a proteína apenas no almoço ou no jantar. No café da manhã e nos lanches, ela costuma desaparecer. No entanto, incluir ovos, iogurte natural, queijos, homus ou uma pasta de frango nesses momentos ajuda a deixar a alimentação mais equilibrada ao longo do dia e ainda aumenta a sensação de saciedade.
Também gosto de lembrar que proteína não significa apenas carne. Feijão, lentilha, grão-de-bico e outras leguminosas fazem parte da nossa cultura alimentar e merecem continuar presentes no prato. Quando combinados com outros alimentos, ajudam a compor refeições saborosas e nutritivas.
A verdade é que não existe um ingrediente milagroso. Uma alimentação saudável não depende de um único nutriente, mas do conjunto de escolhas que fazemos diariamente.
Como chef, acredito muito mais na força de uma refeição preparada em casa do que em promessas estampadas nas embalagens. Um prato colorido, com legumes, verduras, uma boa fonte de proteína e carboidratos de qualidade continua sendo uma das formas mais simples e eficientes de cuidar da saúde.
Antes de procurar um produto que diz ser “rico em proteína”, experimente abrir a geladeira. Talvez a resposta já esteja ali: ovos, feijão, frango, peixe, iogurte natural, queijo, tofu ou uma panela de lentilhas esperando para virar uma receita deliciosa.
No fim das contas, cozinhar continua sendo um dos melhores caminhos para comer melhor. E quando a proteína entra na receita de forma natural, ela deixa de ser uma tendência e volta a ocupar o lugar que sempre teve: o de fazer parte de uma boa comida.