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Café de Negócios da Abrasel debate fim da escala 6x1 e gestão de bares e restaurantes

28/10/2026 14:48
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Crédito: maginfic/Freepik

O Café de Negócios da Abrasel desta quarta-feira (28) reuniu empresários do setor de alimentação fora do lar no Sebrae Curitiba para discutir os impactos das mudanças na jornada de trabalho e estratégias para fortalecer negócios gastronômicos. O encontro contou com palestras do advogado Maurício Piragibe, de Nelson Goulart, da Ibérico Gastronomia, e de Leo Macedo, fundador da rede Nanica. Parceiro da Abrasel, o Bom Gourmet também apresentou destaques de sua plataforma aos participantes.

Fim da escala 6x1 exige planejamento dos restaurantes

Na palestra sobre a PEC 221/2019, o advogado Maurício Piragibe abordou os possíveis impactos da redução da jornada de trabalho para bares e restaurantes. Entre os pontos discutidos estavam a adoção de dois dias de descanso semanal remunerado e a redução gradual da jornada para 40 horas semanais, sem redução salarial, conforme o cenário apresentado no encontro.
“O fim da escala 6x1 é muito mais uma questão de gestão do que jurídica”, afirmou Piragibe. A organização das equipes é um dos principais desafios para estabelecimentos que funcionam à noite e nos fins de semana. Durante a palestra, o advogado destacou os possíveis reflexos na folha de pagamento, na distribuição das folgas e nos custos operacionais.
A negociação coletiva foi apontada como um caminho para organizar jornadas e compensações de horário com respaldo jurídico. Entre as recomendações aos empresários estão mapear horários e funções, simular cenários de custos, negociar com os sindicatos e buscar orientação jurídica antes de alterar as escalas.

Empresário compartilha dicas para otimizar a operação

Nelson Goulart, da Ibérico Gastronomia, compartilhou a experiência de quem já adota a escala 5x2 e os ajustes necessários para manter a eficiência da operação. Entre as medidas destacadas estão o treinamento das equipes, a padronização das fichas técnicas e o investimento em equipamentos e tecnologia.
Para Goulart, o treinamento deve acontecer na prática, com demonstrações, acompanhamento das tarefas e correção de erros. A modernização dos equipamentos também pode reduzir o tempo gasto em atividades cotidianas e melhorar o aproveitamento da equipe.
Outro ponto abordado foi a profissionalização da gestão de pessoas. Segundo o empresário, regras e responsabilidades precisam ser claras, e orientações e correções devem ser conduzidas de maneira profissional, sem que relações pessoais interfiram nas decisões da empresa.

Fundador do Nanica compartilha estratégias para crescer

Na palestra sobre empreendedorismo, Leo Macedo, fundador da rede Nanica, contou que chegou a São Paulo há cerca de oito anos e meio com R$ 7 mil para iniciar o negócio em um espaço pequeno. Uma das estratégias adotadas foi concentrar os esforços em poucos produtos. No início, a escolha de trabalhar com seis sabores ajudou a simplificar a oferta e direcionar os recursos disponíveis.
Macedo também destacou a importância de conhecer os produtos mais vendidos e construir relacionamentos com os clientes. Para ele, consumidores satisfeitos podem se tornar divulgadores espontâneos da marca, fortalecendo sua reputação e atraindo novos públicos.
O cuidado com a experiência do consumidor deve estar presente em todas as etapas, do primeiro contato ao atendimento após a compra. O empresário ressaltou ainda que experiências negativas podem ser revertidas quando o estabelecimento escuta o cliente e trabalha para recuperar sua confiança.
Durante a pandemia, ações com plataformas de delivery ajudaram a impulsionar as vendas do Nanica, segundo Macedo. Ele também abordou como uma marca reconhecida pode ampliar sua atuação para novos produtos e parcerias, desde que preserve a credibilidade conquistada com o público.