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Case do Grupo Capitão, um dos principais grupos de gastronomia de Foz do Iguaçu, mostra como decisões estratégicas constroem marcas fortes

Bom Gourmet
13/04/2026 16:55
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Isabel Salvatti, diretora executiva do Grupo Capitão, palestrando no último FoodCo Experience, do dia 13 de abril. Crédito: Silvestre Laska

Construir uma marca relevante na gastronomia exige mais do que crescer em número de unidades ou aumentar o faturamento. Depende de decisões estratégicas consistentes ao longo do tempo, apoiadas por processos bem definidos e disciplina na execução. Esse foi o foco da apresentação de Isabel Salvatti, diretora executiva do Grupo Capitão, um dos principais grupos de gastronomia de Foz do Iguaçu, durante painel no FoodCo. Experience, no dia 13 de abril.
Com mais de 27 anos de atuação, 14 unidades e mais de 400 colaboradores, o grupo construiu sua trajetória de forma gradual, baseada em reputação e solidez operacional. Segundo Isabel, esse crescimento não aconteceu por acaso, mas a partir de ajustes contínuos e foco em diferentes áreas do negócio ao longo do tempo.
Um dos principais pontos destacados foi a mudança de prioridade conforme a operação amadureceu. Durante anos, o foco esteve concentrado nas vendas. Com o tempo, no entanto, ficou evidente que havia espaço para ganho de eficiência na gestão de compras. A decisão de estruturar melhor essa área trouxe impacto direto na rentabilidade, com redução do CMV de cerca 7% em algumas operações.
Esse avanço foi viabilizado com a criação de uma central de compras e a padronização de processos. O grupo passou a utilizar um sistema que integra as demandas de todas as unidades e permite comparar preços entre fornecedores de forma organizada. O modelo combina tomadas de preço recorrentes, especialmente para itens mais voláteis, com negociações diretas em categorias específicas.
A centralização trouxe ganhos relevantes. Houve redução de custos, padronização de qualidade, aumento de previsibilidade e fortalecimento da relação com fornecedores. Ao mesmo tempo, permitiu ao grupo ganhar escala e melhorar o poder de negociação sem abrir mão do controle sobre os insumos utilizados.
Outro aspecto central da estratégia foi o posicionamento. Desde o início, a decisão foi não competir por preço. Em vez disso, o grupo optou por construir valor percebido na experiência, o que permite sustentar a precificação. “Nunca foi sobre vender a qualquer custo”, resumiu Isabel ao reforçar que os diferenciais precisam estar presentes em cada detalhe da operação.
Essa escolha está diretamente ligada à construção de marca. Qualidade consistente e experiência previsível são fatores que geram confiança, considerada um dos principais ativos do grupo. A reputação foi construída com base em princípios como ética e consistência, evitando decisões de curto prazo que possam comprometer o posicionamento.
Na prática, essa lógica também se reflete na relação com fornecedores. Mesmo com processos estruturados, o grupo mantém proximidade nas negociações e atenção constante à qualidade dos produtos. O preço é relevante, mas não é o único critério considerado na decisão de compra.
A apresentação também destacou o papel dos dados na gestão. Com processos integrados, o grupo consegue acompanhar históricos de compra, analisar variações de preço e ajustar estratégias com mais precisão. Ainda assim, Isabel reforçou que dados, por si só, não garantem resultados. É a disciplina na execução que sustenta os ganhos ao longo do tempo.
A próxima edição do FoodCo. Experience será no dia 1º de junho e terá como tema A equipe não falha sozinha. Liderança decide. Acompanhe as novidades e abertura das vendas dos ingressos pelo Instagram @foodcobrasil