Bruna Loddo

Bruna Loddo

Bruna Loddo atua na estruturação e na gestão de projetos gastronômicos, com foco em eventos e experiências. Com trajetória na operação de restaurantes e na produção de eventos, desenvolveu um olhar estratégico sobre o que sustenta – e o que compromete – uma entrega. Na coluna Petit Four: Gastronomia e Eventos, ela revela os bastidores da gastronomia em eventos e as decisões invisíveis que determinam o sucesso de uma experiência.

Petit Four: Gastronomia e Eventos

O custo invisível de um evento que não marcou

27/05/2026 10:41
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Curadoria de eventos evita experiências mornas e prejuízos. Créditos: Divulgação

Todo mundo sabe o quanto custou um evento.
Poucos sabem o quanto ele deixou de valer.
Existe uma conta que nenhum fornecedor apresenta e que quase nenhum cliente se lembra de fazer: o custo do que não funcionou.
Não falo do erro visível.
O prato que caiu.
O equipamento que pifou.
O serviço que atrasou.
Esses têm preço.
O custo invisível é mais caro.
É o executivo que não renovou porque “não sentiu clima”.
O parceiro que elogiou a comida, mas achou o evento genérico.
A família que comemorou um marco empresarial e só se lembra da data.
O cliente fica impressionado pela nota fiscal, não pela noite.
Esse prejuízo se multiplica.
Um evento morno custa novos convites para tentar consertar.
Um relacionamento frio custa anos de follow-up.
Uma decisão adiada custa mercado perdido.
A origem, muitas vezes, está na falta de curadoria prévia da experiência completa.
Não é só gastronomia.
É criar uma noite memorável, que ninguém esquece.
Antes do primeiro briefing, é preciso entender: o que este evento precisa entregar?
Um encontro de negócios pede ritmo.
Uma celebração familiar pede pausa.
Um cliente estratégico pede leitura.
Um anfitrião em evidência pede proteção.
Curadoria é esse entendimento anterior que orquestra tudo.
O cardápio.
O fluxo de serviço.
O ritmo da música.
A circulação da equipe.
Até o lugar onde os garçons devem, ou não devem, parar de pé.
Sem ela, até uma execução perfeita pode virar um terno bem cortado que não veste o corpo certo.
Serve.
Mas não transforma.
O mercado precifica o visível: buffets, serviços cinco estrelas, espaços instagramáveis, flores, louças e mobiliário.
Mas esquece que experiência sem curadoria prévia é investimento sem direção.
Quando um encontro carrega reputação, vínculo ou decisão, pensar antes deixou de ser sofisticação.
É proteção de valor.
Porque o evento que não marca também custa.
Só que essa conta quase nunca chega no orçamento.