
Ledinara Batista
Vamos viajar pelo mundo da confeitaria? Sou a Ledinara, jornalista, apaixonada por doces. Crio conteúdo desde 2008 em blogs. Em 2014, criei um passeio gastronômico, o Tour Curitidoce, para mostrar o lado doce de Curitiba. Aqui, o doce é sempre protagonista.
O Mundo Doce
Bean to bar, chocolate fino ou chocolate de supermercado? Entenda as diferenças

No dia 7 de julho é Dia Mundial do Chocolate. Crédito: magnific
No dia 7 de julho é celebrado o Dia Mundial do Chocolate. E existe uma dúvida que escuto com bastante frequência: afinal, qual é a diferença entre um chocolate bean to bar, um chocolate fino e aquele que encontramos nas prateleiras do supermercado?
A resposta é mais simples do que parece. Não existe um "melhor" para todas as ocasiões. Cada um tem uma proposta diferente. Conhecer essas diferenças ajuda apenas a consumir com mais consciência, da mesma forma que aprendemos a distinguir um café especial de um café tradicional.
O chocolate de supermercado é aquele produzido em larga escala. Seu objetivo é oferecer um sabor padronizado, acessível e igual em qualquer lugar do país. Para alcançar essa uniformidade, muitas marcas utilizam misturas de diferentes origens de cacau, além de ingredientes que ajudam a manter textura, conservação e custo de produção.
Já os chamados chocolates finos normalmente utilizam maior quantidade de cacau e ingredientes de melhor qualidade. Muitas chocolaterias trabalham com receitas próprias, recheios artesanais e maior cuidado na fabricação, embora nem sempre produzam o chocolate desde o grão.
É aí que entra o universo do bean to bar, expressão em inglês que significa "do grão à barra". Nesse modelo, a própria marca acompanha todas as etapas da produção do chocolate. Ela seleciona os grãos de cacau, realiza a torra, a moagem, a formulação e transforma a matéria-prima na barra final. Mas, para quem vive esse movimento, o conceito vai muito além da tradução literal.
O bean to bar nasceu valorizando a origem do cacau, a transparência da cadeia produtiva e o respeito ao ingrediente. Em vez de buscar um sabor padronizado, procura revelar as características naturais de cada cacau. Assim como acontece com vinhos e cafés especiais, o terroir, a fermentação e a secagem influenciam diretamente o resultado final.
Outra característica marcante é a simplicidade das receitas. Normalmente são chocolates produzidos em pequenos lotes, sem gordura vegetal e sem aromatizantes artificiais. Afinal, quando o cacau apresenta alta qualidade, não é necessário mascarar seu sabor.
Uma curiosidade interessante é que dois chocolates com exatamente a mesma porcentagem de cacau podem apresentar sabores completamente diferentes dependendo da variedade do fruto e da região onde foi cultivado.
Nos últimos anos, Curitiba e região passaram a reunir um número cada vez maior de produtores que trabalham dentro desse conceito.
A pioneira é a Cuore di Cacao, que há mais de duas décadas desenvolve chocolates bean to bar utilizando principalmente cacau do sul da Bahia e promovendo degustações e harmonizações.
Também fazem parte desse movimento a Hagi, que trabalha com cacaus da região Norte; a Utopia Tropical, conhecida pelo olhar mais experimental sobre o chocolate; a Macondo, que utiliza inclusive cacau subtropical cultivado na Grande Reserva da Mata Atlântica; a Tropical Cacau, em Colombo; a KakaoWit, em Witmarsum; além das que fazem sob encomenda, Caná Chocolates e Caos Chocolate.
O mais importante é entender que descobrir o universo do chocolate não significa abandonar aquele bombom preferido da infância ou o chocolate do dia a dia. Significa apenas perceber que, assim como acontece com cafés, queijos e vinhos, também existe um mundo inteiro de aromas, sabores e histórias dentro de uma simples barra de chocolate.
E, depois que aprendemos a reconhecer essas diferenças, cada pedaço passa a contar uma história muito mais interessante.

