Algumas das minhas melhores lembranças à mesa começam com uma companhia, o Ayrton Senna.
Durante muitos anos, tivemos o hábito de ir ao Frevo, o “Frevinho”, em São Paulo, comer um beirute.
Ele pedia o beirute com guaraná, e eu, beirute com o “rabo de peixe”, o chope tirado na hora, do jeito da casa.
Nada sofisticado.
Mas completo.
E isso diz muito sobre gastronomia.
O sanduíche Beirute é uma criação paulistana dos anos 1950,inventada por um libanês, no restaurante Bambi, em São Paulo.
A receita nasceu como uma adaptação do bauru brasileiro, substituindo o pão francês por pão sírio, usando, rosbife, queijo muçarela, tomate e temperos árabes.
E, existe uma tendência de associar a melhor experiência ao mais exclusivo, ao mais estrelado, ao mais difícil de acessar.
Nem sempre é assim.
O Frevo com seu beirute é a prova disso, sem tentar surpreender, simplesmente acertando.
Um lugar que atravessa décadas mantendo o que realmente importa: identidade. Evolui, se ajusta, se atualiza, mas sem perder a essência.
E, com o tempo, essa consistência se torna muito mais relevante do que qualquer novidade.
Mas há um ponto que, para mim, é central, e que muitas vezes passa despercebido: a companhia.
A experiência gastronômica não é feita só do prato.
Ela é feita da conversa, do contexto, da presença de quem está à mesa.
Dividir um lugar como o Frevo com alguém que te faz bem transforma tudo.
A comida continua a mesma, mas a companhia faz tudo ficar melhor.
E talvez seja por isso que tantas dessas lembranças permanecem.
Porque, no fim, gastronomia é isso: o encontro entre o que se come e o que se vive.
Lugares como o Frevo não dependem de tendência, são como são, e continuarão sendo, na sua receita, precisão e repetição bem feita.
Algumas experiências não se explicam pelo prato, explicam por quem está conosco.
Serviço:
Instagram @frevo_lanches
www.lanchesfrevo.com.br