Jacir Bergmann II

Jacir Bergmann II

Jacir Bergmann II é empresário e observador atento da gastronomia. Com vivência em cidades como Paris e Munique e uma trajetória marcada por viagens internacionais, construiu um amplo repertório de experiências. Na coluna “Explorador de Sabores”, compartilha reflexões e referências que transitam do trivial bem executado à alta gastronomia.

Explorador de Sabores

Um sanduíche beirute com o Senna no Frevinho

14/05/2026 13:44
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Sanduíche beirute do Frevo. Créditos: Instagram/Frevo

Algumas das minhas melhores lembranças à mesa começam com uma companhia, o Ayrton Senna.
Durante muitos anos, tivemos o hábito de ir ao Frevo, o “Frevinho”, em São Paulo, comer um beirute. 
Ele pedia o beirute com guaraná, e eu, beirute com o “rabo de peixe”, o chope tirado na hora, do jeito da casa.
Nada sofisticado.
Mas completo.
E isso diz muito sobre gastronomia.
O sanduíche Beirute é uma criação paulistana dos anos 1950,inventada por um libanês, no restaurante Bambi, em São Paulo. 
A receita nasceu como uma adaptação do bauru brasileiro, substituindo o pão francês por pão sírio, usando, rosbife, queijo muçarela, tomate e temperos árabes.
E, existe uma tendência de associar a melhor experiência ao mais exclusivo, ao mais estrelado, ao mais difícil de acessar.
 Nem sempre é assim.
O Frevo com seu beirute é a prova disso, sem tentar surpreender, simplesmente acertando.
Um lugar que atravessa décadas mantendo o que realmente importa: identidade. Evolui, se ajusta, se atualiza, mas sem perder a essência.
E, com o tempo, essa consistência se torna muito mais relevante do que qualquer novidade.
Mas há um ponto que, para mim, é central, e que muitas vezes passa despercebido: a companhia.
A experiência gastronômica não é feita só do prato. 
Ela é feita da conversa, do contexto, da presença de quem está à mesa.
Dividir um lugar como o Frevo com alguém que te faz bem transforma tudo. 
A comida continua a mesma, mas a companhia faz tudo ficar melhor.
E talvez seja por isso que tantas dessas lembranças permanecem.
Porque, no fim, gastronomia é isso: o encontro entre o que se come e o que se vive.
Lugares como o Frevo não dependem de tendência, são como são, e continuarão sendo, na sua receita, precisão e repetição bem feita.
Algumas experiências não se explicam pelo prato,  explicam por quem está conosco.
Serviço: 
Instagram @frevo_lanches
 www.lanchesfrevo.com.br