
Sarah Guilhermo
Sarah Guilhermo é jornalista, produtora de conteúdo e, inevitavelmente, Gen Z. Disseca o comportamento da própria geração à mesa, no bar, no café e na madrugada de qualquer dia da semana. Na coluna COOL KIDS, ela coloca em palavras o que essa geração já sabe… mas nunca viu escrito. @sarahguilhermo
Cool Kids
O melhor lugar para comer o quê, exatamente? Fazer uma curadoria gastronômica pessoal também pode ser o seu hobby

Na hora de buscar um restaurante para conhecer, a internet é, com certeza, a principal fonte de informação que eu uso para entender se aquele lugar funciona para mim ou não. Venho notando um padrão em muitos conteúdos sobre gastronomia, e você já deve ter ouvido em algum vídeo também: "esse aqui é o melhor lugar para você comer… (insira um tipo de comida aqui)”.
O mais interessante é que isso não vem de perfil grande ou pequeno, não vem de uma plataforma específica. É uma frase que todo mundo usa logo porque é um gancho que rende bem nas redes, e eu entendo exatamente como funciona esse gancho, até porque sou uma das pessoas que usa ele na hora de produzir conteúdo também. Mas quando tudo é o melhor lugar para ir, como eu sei que aquele é o melhor lugar mesmo, a não ser conferindo com as minhas próprias papilas gustativas?
A resposta mais honesta que eu posso dar é que não temos tempo de descobrir isso sozinhos toda hora, e é por isso que seguimos pessoas que têm esse tempo. Os profissionais de gastronomia, criadores de conteúdo, colunistas, dedicam horas que a gente não tem para visitar, testar e formar opinião sobre um lugar. E isso nem é um vício de consumo, na verdade, delegamos a curadoria para quem investiu tempo nisso, do mesmo jeito que delegamos outras decisões do dia a dia para quem entende mais do assunto e seguimos com a vida.
Hoje, qualquer pessoa pode produzir esse tipo de conteúdo. Longe de ser problemático, isso significa que a curadoria já não vem só de uma fonte só, de um único jeito de pensar. Não é coincidência que 93% dos brasileiros digam confiar em criadores de conteúdo, segundo levantamento da Youpix em parceria com a Nielsen. Assim é possível achar quem fala a nossa língua, o nosso nicho, quem representa o nosso jeito de comer e de gastar, e seguir esse alguém de perto.
A questão real não é se dá para confiar em quem produz esse conteúdo, e sim como escolher entre tanta gente usando o mesmo gancho. Qual “melhor lugar de Curitiba para comer…” realmente faz sentido para você?
Tem curadorias que ajudam a pensar nisso de outro jeito. O Prêmio Bom Gourmet, por exemplo, junta voto popular (muita gente concordando que aquele lugar entrega o que promete), além de categorias com avaliação de um comitê de especialistas, gente que olha critério técnico além do gosto pessoal. Não é o único caminho certo, mas mostra que curadoria boa geralmente cruza mais de uma camada de critério.
E talvez o caminho mais divertido seja virar, você mesmo, um pouco crítico amador. Não para substituir quem você já segue e confia, mas para ter critério próprio na hora de decidir se aquele "melhor que eu já comi" é seu também, ou só do feed de outra pessoa. Pequenos hábitos ajudam a desenvolver esse olhar, do jeito que profissionais da área fazem, só que em versão hobby.
Então vamos para algumas dicas, dentro do que eu já vivi na gastronomia e posso te indicar: separe o que é critério do que é gosto pessoal. Entenda o lugar dentro do que ele se propõe a ser. Um boteco de esquina não compete com um restaurante de chef autoral, nem deveria. A pergunta nunca é "esse é o melhor restaurante da cidade". Um caminho legal a se seguir pode ser o "esse lugar entrega bem o que promete dentro da própria categoria?". As duas coisas contam, mas são perguntas diferentes, e isso pode ser muito divertido quando a gastronomia tem valor para você.
Outras práticas que ajudam a apurar o olhar com o tempo:
E talvez o caminho mais divertido seja virar, você mesmo, um pouco crítico amador. Não para substituir quem você já segue e confia, mas para ter critério próprio na hora de decidir se aquele "melhor que eu já comi" é seu também, ou só do feed de outra pessoa. Pequenos hábitos ajudam a desenvolver esse olhar, do jeito que profissionais da área fazem, só que em versão hobby.
Então vamos para algumas dicas, dentro do que eu já vivi na gastronomia e posso te indicar: separe o que é critério do que é gosto pessoal. Entenda o lugar dentro do que ele se propõe a ser. Um boteco de esquina não compete com um restaurante de chef autoral, nem deveria. A pergunta nunca é "esse é o melhor restaurante da cidade". Um caminho legal a se seguir pode ser o "esse lugar entrega bem o que promete dentro da própria categoria?". As duas coisas contam, mas são perguntas diferentes, e isso pode ser muito divertido quando a gastronomia tem valor para você.
Outras práticas que ajudam a apurar o olhar com o tempo:
E o mais legal: não pare de acompanhar os formadores de opinião que você gosta. Eles podem sim te levar a lugares que vão agregar e muito na sua curadoria pessoal.
Esse exercício não precisa virar uma demanda extra, mas pode ser justamente a parte boa de explorar a própria cidade. Agora, da próxima vez que for explorar a cidade, você já sabe quais caminhos pode seguir.

