Sarah Guilhermo

Sarah Guilhermo

Sarah Guilhermo é jornalista, produtora de conteúdo e, inevitavelmente, Gen Z. Disseca o comportamento da própria geração à mesa, no bar, no café e na madrugada de qualquer dia da semana. Na coluna COOL KIDS, ela coloca em palavras o que essa geração já sabe… mas nunca viu escrito. @sarahguilhermo

Cool Kids

O melhor lugar para comer o quê, exatamente? Fazer uma curadoria gastronômica pessoal também pode ser o seu hobby

25/06/2026 16:40
Thumbnail
Na hora de buscar um restaurante para conhecer, a internet é, com certeza, a principal fonte de informação que eu uso para entender se aquele lugar funciona para mim ou não. Com isso, venho notando um padrão em muitos conteúdos sobre gastronomia que você já deve ter ouvido em algum vídeo também: "esse aqui é o melhor lugar para você comer… (insira um tipo de comida aqui)”.
O mais interessante é que isso não vem de perfil grande ou pequeno, não vem de uma plataforma específica. É uma frase que todo mundo usa justamente por ser um gancho que rende bem nas redes. Eu entendo exatamente como funciona esse gancho, até porque sou uma das pessoas que usa ele na hora de produzir conteúdo também. Mas quando tudo é o melhor lugar para ir, como eu sei que aquele é o melhor lugar mesmo?
Existe um motivo para acompanharmos plataformas e produtores de conteúdo como esses: não temos tempo de descobrir os melhores lugares sozinhos, e é por isso que seguimos pessoas que têm esse tempo. Os profissionais de gastronomia, criadores de conteúdo, colunistas, dedicam horas que não temos para visitar, testar e formar opinião sobre um estabelecimento. E isso nem é um vício de consumo; na verdade, delegamos a curadoria para quem investiu tempo nisso, do mesmo jeito que delegamos outras decisões do dia a dia para quem entende mais do assunto e seguimos com a vida.
Hoje, qualquer pessoa pode produzir esse tipo de conteúdo. Longe de ser problemático, isso significa que a curadoria já não vem só de uma fonte só, de um único jeito de pensar. Não é coincidência que 93% dos brasileiros digam confiar em criadores de conteúdo, segundo levantamento da Youpix em parceria com a Nielsen. Assim é possível achar quem fala a nossa língua, o nosso nicho, quem representa o nosso jeito de comer e de gastar, e seguir esse alguém de perto.
A questão real não é se dá para confiar em quem produz esse conteúdo, mas na verdade, como escolher entre tanta gente usando o mesmo gancho. Qual “melhor lugar de Curitiba para comer…” realmente faz sentido para você?
Tem curadorias que ajudam a pensar nisso de outro jeito. O Prêmio Bom Gourmet, por exemplo, junta voto popular (muita gente concordando que aquele lugar entrega o que promete), além de categorias com avaliação de um comitê de especialistas, gente que olha critério técnico além do gosto pessoal. Não é o único caminho certo, mas mostra que curadoria boa geralmente cruza mais de uma camada de critério.

O caminho mais divertido seja virar, você mesmo, um pouco crítico amador. Não para substituir quem você já segue e confia, mas para ter critério próprio na hora de decidir se aquele "melhor que eu já comi" é seu também. Pequenos hábitos ajudam a desenvolver esse olhar, do jeito que profissionais da área fazem.

Então vamos para algumas dicas, dentro do que eu já vivi na gastronomia e posso te indicar:
Separe o que é critério do que é gosto pessoal. Entenda o lugar dentro do que ele se propõe a ser. Um boteco de esquina não compete com um restaurante de chef autoral, nem deveria. Não precisa se perguntar "esse é o melhor restaurante da cidade?", necessariamente. Um caminho legal a se seguir pode ser "esse lugar entrega bem o que promete dentro da própria categoria?". Os dois questionamentos contam, apesar de serem perguntas diferentes, e pode ser muito divertido quando a gastronomia tem valor para você.

Outras práticas que ajudam a apurar o olhar com o tempo:

E uma nota importante: não pare de acompanhar os formadores de opinião que você gosta. Eles podem, com toda certeza, te levar a lugares que vão agregar e muito na sua curadoria pessoal.
Esse exercício não precisa virar uma demanda extra, mas pode ser justamente a parte boa de explorar a própria cidade.