
Alê Mocellim
Alê Mocellin é mestre assador e especialista em cortes nobres e culinária rústica na brasa. Na coluna Bom Churrasco, compartilha dicas sobre cortes, técnicas, métodos de preparo e as principais novidades do universo do churrasco e das carnes
Bom Churrasco
Festivais de churrasco: o valor de um dia ao redor do fogo

Tudo sobre os Maiores Festivais de Churrasco do Brasil. Crédito: Paleta Atlântida.
Fala, meu povoooo! Tudo bem com vocês?
Neste texto de outubro irei escrever sobre o tema FESTIVAIS DE CHURRASCO pelo Brasil e, principalmente, no Paraná!
E inicio com alguns questionamentos sobre a arte e a essência gastronômica do churrasco reunidas em um único lugar durante algumas horas.
Qual é a verdadeira essência dos festivais, qual o seu valor? O público olha esses eventos como valor ou como preço? Por que a grande maioria do público acha um investimento CARO? Será que existem os entendimentos necessários do quão difícil é realizar um evento desses? O quão é arriscado desenvolver e entregar uma experiência positiva e a responsabilidade de entregar ao público essa experiência gastronômica? Do encontro com os assadores à descoberta de novos sabores, esses eventos ajudam a conhecer e valorizar a nossa gastronomia.
Quando o público chega a um festival de churrasco, parte importante daquela experiência começou muito antes. Houve escolha das carnes, planejamento dos preparos, montagem das estações e gente trabalhando enquanto a cidade ainda dormia. Uma costela que chega macia ao prato pode carregar horas de fogo, atenção e decisões tomadas por um assador experiente.
Esse trabalho merece entrar na conversa sobre o valor dos festivais. O ingresso costuma ser o primeiro contato do consumidor com o evento, e seu preço pode causar estranhamento. Para compreender o que está sendo oferecido, vale conhecer o caminho entre a compra dos ingredientes e aquele pedaço de carne servido na tábua. E é aqui que diferenciamos preços de valores.

O Brasil reúne encontros que apresentam diferentes interpretações do churrasco. A Churrascada, em São Paulo, recebe profissionais brasileiros e convidados internacionais. O Bárbaros BBQ, nascido em Americana, no interior paulista, construiu sua história reunindo assadores, gastronomia e música. Já o circuito BBQ Festival leva estações de diferentes técnicas a cidades de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.

No Rio Grande do Sul, o Paleta Atlântida, em Xangri-Lá, mostra a força do churrasco como encontro coletivo à beira-mar. Sua dinâmica, com grupos de assadores e diferentes modalidades de participação, também lembra que cada festival tem uma proposta própria. Conhecer o formato faz parte da escolha.
O Paraná ocupa um lugar importante nessa conversa. Em Curitiba, o Festival dos Bravos reúne chefs e assadores da região em estações que exploram diferentes cortes e preparos, esse ano tive o prazer de participar como espectador do evento e presenciar uma excelente gastronomia do churrasco servida no local, um excelente atendimento e uma estrutura criada que trouxe uma experiência bem positiva não é a toa que já esta na sua 3ª edição e cada edição evoluindo e ficando maior!

O Festival dos Bravos é um trabalho desenvolvido pelo nosso amigo e parceiro de trabalho Chef Marcos Bucaneiro, que traz a Curitiba um grande exemplo de experiência gastronômica no fogo. Temos também o Churrasco On Fire reúne gastronomia e apresentação de Fernando & Sorocaba, aproximando o churrasco do público dos grandes espetáculos, porém tenho uma ressalva aqui como assador e profissional em, não concordar com a forma e a valorização com que os assadores e estafes são tratados e eu digo isso financeiramente e também durante o evento, creio eu que por se tratar de um evento grande e os donos sendo quem são com poder aquisitivo e apelativo que tem deveriam olhar com mais carinho para essas pessoas que fazem esse evento ser da forma que é!
Mas esse assunto é um novo texto a escrever. São propostas que ajudam o consumidor a conhecer o trabalho de quem cozinha perto de casa.

No Oeste, o Django em Chamas, em Foz do Iguaçu, esse festival eu tenho um carinho enorme, pois tive o prazer de participar tanto como staff ao lado de grandes assadores e também comandando estação e principalmente pela forma que os irmãos Pompermaier criaram e fizeram chegar no nível que está hoje com shows nacionais e sendo como dizem o MAIOR DO SUL DO MUNDO, tendo números expressivos que batem de frente com grandes festivais nacionais levando cerca de aproximadamente 6000 mil pessoas ao evento com 38 estações de churrasco 8 horas de all inclusive e 6 hrs de open food, tem um encontro entre nacionalidades reunindo entre os assadores 5 países.

A localização na fronteira favorece uma conversa gastronômica que atravessa países e maneiras de assar e entregar um bela experiência no churrasco. Em Cascavel, as edições do Brasa Festival também deram espaço a um repertório amplo de carnes, pescados, acompanhamentos e outras preparações.
O interior acrescenta uma dimensão essencial: a relação com a produção. Em Pitanga, o Araucária Festival de Churrasco tem entre seus objetivos apresentar a qualidade das carnes produzidas no Paraná. Essa aproximação ajuda a dar rosto e origem ao alimento. O visitante conhece um sabor e pode começar a compreender a cadeia de trabalho que o tornou possível.

Para quem está descobrindo esse universo, percorrer as estações pode ser uma oportunidade de ampliar o paladar. Conforme o cardápio, é possível experimentar uma costela no fogo de chão, um peito bovino defumado, um cordeiro no varal ou um pescado preparado na brasa. Cortes, temperaturas e tempos diferentes produzem resultados que merecem ser percebidos com calma.
A proximidade com os assadores também tem valor. Quando o ritmo do serviço permite, uma conversa sobre lenha, tempero ou ponto da carne pode mudar o próximo churrasco em família. O conhecimento circula, técnicas despertam curiosidade e ingredientes antes pouco conhecidos ganham espaço à mesa.
Há, ainda, toda a estrutura necessária para receber o público. O custo de um festival envolve seleção e conservação dos alimentos, transporte, equipamentos, combustível, montagem, limpeza, banheiros, segurança e equipes de atendimento. A programação musical e as demais atrações também entram nessa conta. Avaliar o ingresso exige considerar o conjunto da entrega.
Isso pede atenção às diferenças entre os eventos. Em alguns, a comida está incluída por um período determinado; em outros, o consumo é pago à parte. Bebidas, atividades infantis e serviços adicionais seguem regras próprias. Saber o que está incluído permite comparar propostas com mais clareza e escolher uma experiência adequada ao próprio orçamento.
O preço merece respeito dos dois lados. Para o visitante, representa uma decisão sobre como gastar seu dinheiro. Para quem organiza, precisa sustentar uma operação bem executada. Valorizar os festivais inclui exigir comida bem preparada, higiene, informação clara, reposição e atendimento compatíveis com o que foi anunciado. A qualidade precisa aparecer no prato e na forma de receber.
Para nós, que trabalhamos com churrasco, esses encontros também oferecem aprendizado, troca e reconhecimento profissional. Permitem apresentar receitas, conhecer produtores e mostrar ao público a atenção que cada preparo exige. Um corte menos conhecido, bem trabalhado, pode se tornar a descoberta mais lembrada do dia.
Minha sugestão para quem vai pela primeira vez é chegar com curiosidade, provar pequenas porções e reservar tempo para explorar o cardápio. Há prazer em descobrir uma técnica, conhecer um assador e dividir a mesa com os amigos.
Um festival bem realizado deixa lembranças que continuam depois que a brasa se apaga: um sabor novo, uma boa conversa e uma compreensão maior do trabalho de quem cozinha. É nessa soma que seu valor se revela.
Agradeço mais uma vez aos meus leitores, aos apreciadores de um bom churrasco e de uma bela reunião em família.
Até a próxima, meu povooooo!

