Rio Grande do Sul
Na ponta da taça: três gaúchos disputam o título de Melhor Sommelier do Brasil

Responsáveis por valorizar a experiência de degustação, os sommeliers unem conhecimento técnico, sensibilidade e cultura do vinho. O Concurso Melhor Sommelier do Brasil reconhece a excelência desses profissionais e destaca a importância de sua atuação no universo da gastronomia.
Professor e dois alunos da Associação Brasileira de Sommeliers do Rio Grande do Sul (ABS-RS) superaram outros 31 candidatos e disputam a final nacional em 7 de novembro, em Cuiabá (MT).
Reconhecer aromas, identificar sabores, conhecer a origem dos vinhos e dominar a arte de servi-los. Essas são algumas das habilidades colocadas à prova no Concurso Melhor Sommelier do Brasil 2026, que reúne profissionais de diferentes regiões do país. Neste ano, porém, a disputa pelo título tem um detalhe curioso: os três finalistas têm sotaque gaúcho.
Lucas Manzoni Uliana, Vinícius Miranda Santiago e Bruno Sias (na ordem da foto da esquerda para a direita), integrantes da Associação Brasileira de Sommeliers do Rio Grande do Sul (ABS-RS), ocupam as três vagas da final, marcada para 7 de novembro, em Cuiabá (MT). Eles tiveram os melhores desempenhos entre 34 candidatos na etapa classificatória, uma prova teórica aplicada em nove regionais da ABS. Promovido pela ABS Brasil, o concurso reúne profissionais de várias regiões do país.

Muito além de abrir a garrafa
Para muita gente, o sommelier é quem serve um gole para o cliente provar. É só a parte visível do trabalho. Antes disso, ele monta a carta da casa, escolhe rótulos que conversem com o cardápio do chef, cuida do estoque e da temperatura de guarda e treina a equipe do salão. Na mesa, o trabalho é de tradução: entender do que o cliente gosta, quanto quer gastar e o que vai comer, e encontrar a garrafa certa para aquela noite.
É essa soma de saberes que o concurso põe à prova, seguindo a metodologia da Association de la Sommellerie Internationale (ASI), entidade com sede em Paris à qual a ABS é filiada. Na teoria, entram regiões, uvas, safras e regras do mundo do vinho. Na prova de serviço, cada gesto diante dos jurados é avaliado, da abertura da garrafa ao copo servido. Na prova sensorial, o candidato identifica bebidas e descreve vinhos às cegas, só pelo que vê, cheira e prova. O campeão nacional costuma representar o Brasil nas competições internacionais da ASI.

Três trajetórias, um título
O trio chega à final com currículo de peso. Bruno Sias foi eleito Melhor Sommelier do RS em 2024 e, no ano seguinte, venceu o concurso O Melhor Sommelier Vinhos do Alentejo no Brasil. Lucas Manzoni Uliana conquistou o título gaúcho em 2025, aos 24 anos, e se tornou o vencedor mais jovem de um concurso estadual entre as regionais da ABS. Vinícius Miranda Santiago, professor da ABS-RS, soma certificações como o PIN Verde Amarelo e o Diploma ASI, referências de excelência no Brasil e no exterior.
“Ver três representantes da ABS-RS nesta final nos enche de orgulho e responsabilidade, e ao mesmo tempo nos dá ainda mais motivação e vontade para cada vez mais entregar um ensino qualificado para os nossos alunos”, afirma Caroline Dani, presidente da ABS-RS.

Um título que volta para casa
O Rio Grande do Sul responde por cerca de 90% do vinho produzido no Brasil. É na Serra Gaúcha que estão o Vale dos Vinhedos, primeira Denominação de Origem de vinhos do país, reconhecida em 2012, e boa parte das vinícolas e roteiros de enoturismo do Brasil.
Um campeão nacional formado aqui aproxima quem produz o vinho de quem o apresenta ao público. É alguém que conhece de perto as vinícolas e os rótulos do estado e leva essa referência para cartas de restaurantes, salas de aula e competições fora do país.
Seja qual for o nome anunciado em Cuiabá, o título de melhor sommelier do país volta para o estado que faz a maior parte do vinho brasileiro.

