Eventos Bom Gourmet
A prova dos Novos Talentos de 2013


Uma sinfonia de panelas, liquidificadores e alarmes dos fornos industriais. Este foi o som que embalou a quarta edição da prova Novos Talentos, realizada no dia 23 de agosto, na qual participaram chefs recém-formados das escolas de gastronomia de Curitiba.
Este ano, duas novidades marcaram o certame: o desafio de conceber e preparar um menu completo, e o apoio de um cozinheiro assistente para executar tal tarefa.
Às 8 horas, os sete concorrentes receberam a notícia de que a proteína a ser preparada seria um frango caipira orgânico. Com R$ 200 no bolso, foram ao Mercado Municipal de Curitiba, onde deveriam comprar os ingredientes necessários para compor uma entrada, o prato principal com dois acompanhamentos e a sobremesa com uma fruta da estação. Ervas, azeite de oliva e outros itens básicos estariam disponíveis ao uso comum na cozinha do Buffet Nuvem de Coco, que sediou a competição.
Treino para o mercado
Segundo o chef Celso Freire, que coordena a categoria desde a primeira edição, as novas regras pretendiam trazer a realidade da profissão para o centro da prova. “No dia a dia os chefs precisam fazer compras, ter senso de equipe e saber dividir as tarefas na cozinha”, diz. Para ele, a prova cobrou mais dos concorrentes, mas também permitiu que mostrassem melhor seu trabalho. “As escolas escolheram bem seus representantes, pois todos tinham o mesmo nível. O fato de cozinharem a mesma proteína igualou ainda mais as condições”, disse.
Três horas foi o tempo exato para as duplas organizarem as bancadas e prepararem seu menu. Seguindo a ordem alfabética, a representante do Centro Europeu, Aline Tomas da Silva, levou à mesa dos jurados sua primeira criação, às 15h30.
Um intervalo de cinco minutos separava a apresentação de cada chef.
Diego Mello, indicado pela Universidade Positivo, teve de improvisar quando as garrafas de cerveja que comprou se quebraram. “Eu pretendia cozinhar o frango em uma redução de cerveja escura, mas tive que usar vinho tinto”, conta. Mais tarde, novo improviso: na falta de maçarico, usou uma colher superaquecida para caramelizar o açúcar de sua sobremesa. Deu certo.
Diego Mello, indicado pela Universidade Positivo, teve de improvisar quando as garrafas de cerveja que comprou se quebraram. “Eu pretendia cozinhar o frango em uma redução de cerveja escura, mas tive que usar vinho tinto”, conta. Mais tarde, novo improviso: na falta de maçarico, usou uma colher superaquecida para caramelizar o açúcar de sua sobremesa. Deu certo.
O ano dos purês
Os pratos principais começaram a sair às 16h30. À exceção de Aline, todos os candidatos serviram o frango caipira acompanhado de um purê – de cará, batata baroa, alho, raízes ou inhame. “Faltou saírem do lugar comum e estarem atentos à enorme diversidade de sabores e ingredientes brasileiros”, opinou a jurada Daniela Caldeira.
Faltando cinco minutos para as 18 horas, Josiene Machado, do IGA, serviu a última sobremesa do dia. Após provarem e avaliarem 21 pratos diferentes sob seis critérios – organização, pontualidade, técnica, criatividade, harmonia e sabores –, o júri apontou André Luis Fontana Pionteke, indicado pela PUCPR, como vencedor.
Mais jovem do grupo, André não disfarçava as mãos tremendo durante toda a prova, especialmente na montagem da entrada, em que a tulipa de frango ficava sobre uma base de palmito pupunha sem muita sustentação. Com um mise en place cuidadoso, ele se mostrou não apenas talentoso como criativo e organizado: após servir o prato principal, sua bancada reluzia.
Disparado, o melhor
Para Guilherme Rodrigues, jurado de três edições, era possível notar a personalidade de cada chef nos pratos que apresentaram. “As criações seguiam a linha melódica dos candidatos, que souberam usar a técnica para se expressar. Este foi, disparado, o melhor concurso e o melhor grupo até agora.”
Délio Canabrava e Jussara Voss, estreantes no júri, elogiaram o formato do concurso. “O menu completo ajudou a mostrar o trabalho de cada chef, pois um único prato limitaria o julgamento”, disse Jussara. Já Délio destacou a transformação da gastronomia local, que há 30 anos contava com apenas dois ou três chefs de renome. Coragem e persistência são os segredos para crescer na profissão, segundo ele, que deu a dica: “Além de estudar, aproveitem que são jovens e viajem muito!”.


