Bom Gourmet
É dia de feira! Saiba o que um chef procura em feiras gastronômicas e o que elas ensinam

O chef Rafael Lafraia em evento internacional: oportunidade para conhecer tendências e estabelecer parcerias. Arquivo pessoal
Rafael Lafraia, especial para o Bom Gourmet*
Quem aí não gosta de uma feirinha? É nelas que a gente conhece pessoas, troca ideias, recebe informações, acompanha o que está no foco da atenção tanto do público quanto do mercado. As de Curitiba, por exemplo, fomentam o comércio local e o empreendedorismo de maneira significativa, em ambientes agradáveis e familiares. São espaços de contato com o cliente, de validação de negócio e produto, e sobretudo, de relacionamento.
Dentro desse universo vasto e rico em experiências, estão as feiras internacionais. Entre elas, algumas fundamentais para o setor em todo o mundo. Cito quatro, para você ficar de olho nelas: Anuga, Sial, IFE e Gulfood
Se você é um aficionado pela gastronomia mundial, tendências e novidades, talvez já tenha ouvido falar em pelo menos um desses eventos. Eles movimentam o mercado global de gastronomia.
Afinal, o que são as feiras internacionais, seus propósitos e onde acontecem?
As feiras reúnem empresas (das pequenas às gigantes) e profissionais de diversos países para apresentar e discutir as últimas tendências, produtos e inovações no setor de alimentos e bebidas.
Esses eventos oferecem uma plataforma única para networking, parcerias comerciais e aquisição de conhecimento sobre as dinâmicas globais do mercado alimentício.
As feiras são em formato B2B, ou seja, é gente fazendo negócio! A degustação de produtos (onde eu entro) é uma ferramenta de venda, usada também para passar um tempo agradável com um cliente.
E como existem vários polos de mercado nesse setor, as feiras acontecem em vários países e continentes.
E como existem vários polos de mercado nesse setor, as feiras acontecem em vários países e continentes.
Anuga, por exemplo, acontece na cidade de Colônia na Alemanha a cada dois anos; Sial Paris também na mesma periodicidade. Já Sial, na China, é anual, assim como a Gulfood Dubai, e por aí vai.
Minha história com as feiras internacionais
Tive a chance de participar da minha primeira feira internacional em março de 2022, a convite da empresa Baumle, que organiza grandes feiras mundo afora há décadas. Á época, escrevi um cardápio para mostrar os produtos de uma linha plant-based da gigante Marfrig em Londres, na Inglaterra, no IFE (International Food Event).
Dessa primeira experiência, voltei com a certeza que são nessas feiras que o mercado mundial se posiciona, se relaciona, onde são negociadas grandes exportações e importações entre grandes indústrias e nações. Algo grande, que eu apenas imaginava, não tinha visto com meus olhos.
Dessa primeira experiência, voltei com a certeza que são nessas feiras que o mercado mundial se posiciona, se relaciona, onde são negociadas grandes exportações e importações entre grandes indústrias e nações. Algo grande, que eu apenas imaginava, não tinha visto com meus olhos.
Depois de Londres, surgiram outras oportunidades em Paris, Dubai e, por último, na Alemanha.
Meu papel como chefe de cozinha
Como chefe de cozinha nesses eventos, tive de entender as necessidades do cliente expositor em mostrar determinado produto naquele ano, para aquele público, de uma forma “local” e original.
Tive que deixar minha linha de cozinha em relação à construção de camadas de sabor que uso no Curry Pasta e em outros eventos para ir em uma direção comercial e de valorização do produto foco da venda.
Tive que deixar minha linha de cozinha em relação à construção de camadas de sabor que uso no Curry Pasta e em outros eventos para ir em uma direção comercial e de valorização do produto foco da venda.
Lembro de certa ocasião em que eu queria servir uma almôndega de proteína vegetal que é vendida em escala industrial, acompanhada de um molho bastante aromático, cheio de ervas e especiarias, mas tive de criar um molho clássico leve, de textura exata, sal sem exageros e sem muitas especiarias que não ultrapassasse as características essenciais e originais do produto.
Depois que entendi isso, a criação dos cardápios ficou mais alinhada e contextualizada tanto para mim quanto para o sucesso da operação e alegria do cliente expositor.
Tudo isso considerando sempre o volume que vamos servir. Em Paris, por exemplo, servimos mais de 2500 porções em cinco dias de feira, em apenas três pessoas na cozinha.
Tudo isso considerando sempre o volume que vamos servir. Em Paris, por exemplo, servimos mais de 2500 porções em cinco dias de feira, em apenas três pessoas na cozinha.
Ajustar o tamanho da equipe, planejar descartáveis e entender regras locais delas, organizar o fluxo de trabalho em uma cozinha temporária, pensar em equipamentos conforme o menu e entender o mercado local para a compra de insumos são algumas tarefas que desempenho antes e durante os eventos. Geralmente, começamos a planejar o evento com três meses de antecedência, projeto de cozinha e menu para aprovação.
Vantagens de viajar e trabalhar
Além do desenvolvimento profissional, as feiras internacionais me proporcionam oportunidades de viajar e conhecer mais o mundo.
Amante de viagens e de um mundo sem fronteiras, eu já havia morado no Canadá durante alguns anos e adorava conhecer outras culturas e costumes.
Amante de viagens e de um mundo sem fronteiras, eu já havia morado no Canadá durante alguns anos e adorava conhecer outras culturas e costumes.
Conhecer, durante as viagens, os mercados locais onde compro insumos, os restaurantes, as pessoas, é sempre transformador de alguma forma. Sinto que volto sempre com a bagagem carregada de grandes memórias e experiências.
Outra coisa muito legal é encontrar a comunidade brasileira no mundo.
Como estamos nas feiras representando o Brasil, encontramos muitos brasileiros trabalhando nesses países. E conhecer pessoas e suas histórias traz um sentimento de empatia, além de boas amizades. Imigrantes sempre tem uma história boa para contar entre dificuldades e conquistas.
Como estamos nas feiras representando o Brasil, encontramos muitos brasileiros trabalhando nesses países. E conhecer pessoas e suas histórias traz um sentimento de empatia, além de boas amizades. Imigrantes sempre tem uma história boa para contar entre dificuldades e conquistas.
Empreender no Brasil e fazer eventos no exterior
Tenho meu restaurante aqui em Curitiba e também contratos de trabalho fixos há algum tempo. E graças à minha equipe e ao desenvolvimento deles nos últimos anos, hoje em dia consigo viajar a trabalho para o exterior por 20 dias sem que o Curry Pasta pare. Vale o mesmo para os eventos particulares ou dos trens da Serra Verde; a equipe está pronta para mantê-los funcionando. Foi um trabalho de construção de equipe mesmo, e ele é contínuo. Estou sempre buscando bons profissionais.
Próxima parada: Gulfood, Dubai
A próxima aventura será a minha segunda participação na feira Gulfood, em Dubai, nos Emirados Árabes, agora em fevereiro de 24, uma oportunidade empolgante para explorar ainda mais as tendências da gastronomia internacional.
Vou fazer a cobertura do evento para as redes sociais do Bom Gourmet; um pouco de uma visão única dos bastidores, construção das cozinhas, desafios do dia a dia e curiosidades sobre um evento desse porte.
Estejam prontos para me acompanhar nessa imersão gastronômica e cultural através das lentes do Bom Gourmet em fevereiro!
*Rafael Lafraia é proprietário e chef do Curry Pasta.
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