Jussara Voss é jornalista especializada em gastronomia. Reconhecida por seu olhar criterioso, valoriza autenticidade, origem dos ingredientes e o trabalho autoral dos chefs. É uma das vozes mais respeitadas fora do eixo Rio-São Paulo e autora do livro Juro que Comi e dos e eventos Letras à Mesa - um jantar literário-, e do Juro que danço, uma balada ao meio-dia, durante a semana, para retomar as atividades da Gastromotiva em Curitiba.
Instagram: @jussaravoss
Cheguei no horário marcado, apesar de a cabeça continuar no trabalho e o telefone escorar-me. Demorei para por em ordem o que precisava e fui identificada.
Olhos atentos e braços acenando evitaram que eu sumisse pelas portas do elevador. Sabia que os dois restaurantes do lugar ficam no primeiro andar e para lá me dirigia. Mas naquele dia eu só precisava atravessar o lobby do Grand Hotel Rayon para alcançar o Hai Low, que é high-low, ou hi-lo, uma brincadeira, com a proposta séria de apresentar a gastronomia japonesa, porém de forma descomplicada e mais em conta.
Sentei com tempo de olhar atentamente o novo espaço aberto para o térreo. Ficou vizinho do BarRoom 1424, morada do jazz, que eu preciso frequentar, e, descobri, será local de mais surpresas. Reformas que não param desde que a família Borcath retomou a administração do hotel. Ainda bem. Depois da boate RW que também voltou ao espaço, lembro de um festão comemorando uma das minhas datas redondas ali, o hotel agora tem também um SPA da Anna Pegova, aguardando-nos para dias de sossego.
Hai Low
A sala do novo restaurante abraça quem chega. São poucas mesas e um balcão perfeito para quem está sozinho. Bom para evitar olhares e ter por companhia a comida bem-feita e, quem sabe, um pouco de conversa sobre ingredientes e receitas com o cozinheiro do outro lado.
A novidade do Grand Hotel Rayon em Curitiba: Hai Low
Hossomakis, uramakis, temakis e combinados estão ali, e pela cidade, Bento Box não. Kazuo Harada, que também comanda o Hai Yo – o restaurante asiático do hotel –, trouxe ares bem-vindos de experiência e honras de estadas por outras paragens. Agora apresenta a nova proposta garantindo “almoço rápido e consistente. A pausa necessária para continuar o dia bem nutrido”. Quem manda no endereço, sem dúvida, são as caixinhas em duas opções: fria e quente e fria.
Fui laçada pela proposta mais sofisticada do que as marmitas tradicionais assim que a tampa do Bento Box desapareceu. Demorei os olhos nos detalhes das porcelanas chinesas, percebi a harmonia e suspirei esquecendo de tudo naquele instante. Olhos na comida. Finalmente, fui aos sabores.
A marmita japonesa foi sofisticada
A degustação de nove pratos, quentes ou frios, que aparecem na caixa demadeira seguindo o modelo dos mais tradicionais restaurantes japoneses é para mim, que costumo comer pouco, até demais. Saladinha bem temperada e uma sopa de missô vem antes.
Antes de a caixa do Bento Box abrir tem missô e salada
Trocaria o tartar de salmão, porque opto pelo selvagem que não nada nessas bandas, pelo picles de pepino, ou pela salada de alga marinha, ou ainda pelo tempurá, quem sabe pela anchova grelhada, ou o ceviche filipino. Ainda acompanhavam o tonkatsu de ostra e os cogumelos salteados, além do uramaki.
Se o expediente não continuar à tarde a escolha é a carta de vinhos e saquês. O Hai Low, de 30 lugares, funciona de segunda a sexta para almoço, das 11h30 às 15h e pode atender eventos. Para reservar ou saber mais sobre o funcionamento é só ligar para (41) 3532-0150 ou mandar uma mensagem pelo WhatsApp(41) 99961-1599.
E tudo termina em grande estilo, com o reforço de chef pâtissierJuliano Dias na nova cozinha do hotel, os doces prolongarão o sonho.