Durante muito tempo, cerveja artesanal era sinônimo de Alemanha, Bélgica, Inglaterra e República Tcheca. Depois veio a escola americana, com mais lúpulo e mais liberdade para experimentar.
Agora é a vez do Brasil olhar para dentro de casa.
Um país com sabor próprio
Vivemos em um dos países com maior biodiversidade do planeta. Faz sentido continuar produzindo cerveja só com ingredientes tradicionais, quando temos uma infinidade de frutas e plantas capazes de virar uma experiência sensorial?
Cambuci. Jabuticaba. Grumixama. Uvaia. Araçá. Butiá. Caju. Cupuaçu. Cajá. Bacuri. Açaí. Erva-mate.
Cada nome carrega a identidade de uma região e uma história diferente dentro do copo. É aí que a cerveja deixa de ser só uma bebida e vira expressão da nossa gastronomia.
Não é só uma ideia, já é realidade
Em 2018, a Catharina Sour, cerveja ácida e refrescante, criada em Santa Catarina com frutas em sua receita entrou para o guia de estilos do BJCP, a principal organização mundial de certificação de juízes de cerveja. Em 2021, tornou-se o primeiro estilo brasileiro oficialmente reconhecido no guia internacional.
Ou seja: o Brasil já provou que consegue criar sua própria linguagem cervejeira, não apenas reinterpretar a dos outros. E se conseguimos com uma Sour, por que não com outros estilos?
Curitiba, berço da cerveja autoral
A cidade foi uma das pioneiras da cerveja artesanal no país e hoje concentra algumas das cervejarias mais premiadas do Brasil.
Um bom exemplo é a Cervejaria Xamã, que celebra 10 anos de história voltada justamente para transformar ingredientes da flora brasileira em cervejas cheias de personalidade. Conhecida por suas Sour Ales o mesmo universo que deu origem à Catharina Sour, a Xamã constrói receitas em torno de frutas típicas da nossa flora, criando cervejas que fazem todo sentido por aqui.
Quem prova pela primeira vez costuma descobrir algo curioso: uma cerveja pode lembrar muito mais uma fruta recém-colhida do que o amargor do lúpulo.
Uma cerveja, um prato
Essa valorização da brasilidade também abre um universo de harmonizações:
Porque, quando a cerveja encontra os sabores da nossa terra, ela deixa de apenas matar a sede e passa a contar a história do Brasil um gole de cada vez.