Rio Grande do Sul

Luxo sem fazer barulho: por dentro do The Almer, hotel que terá Cabaña Argentina, café autoral e rooftop exclusivo em Porto Alegre

Anderson Hartmann, de Porto Alegre, especial para Bom Gourmet
30/09/2026 21:01
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Em plena Porto Alegre, o verde do Country Club cria um cenário de silêncio, privacidade e conexão com a natureza - uma paisagem que ajuda a traduzir a proposta de quiet luxury do The Almer. Foto: Claudio Fonseca

Nova bandeira da gaúcha ICH estreia em janeiro de 2027 com investimento de R$ 130 milhões, 84 apartamentos, Cabaña Argentina, café da manhã autoral e uma proposta de hospitalidade baseada em privacidade, serviço e experiências.
Um rooftop onde não será possível simplesmente chegar para tomar um drinque. Um café da manhã aberto à cidade, que deverá ganhar a assinatura de um chef local. Um restaurante com operação independente. Serviço de quarto 24 horas. Spa intimista e tratamentos que poderão ser realizados dentro dos apartamentos. Tudo isso diante de uma das vistas mais improváveis de se encontrar em uma metrópole: o verde do campo de golfe do Porto Alegre Country Club.
É nesse cenário, na Avenida Nilo Peçanha, que Porto Alegre receberá, em janeiro de 2027, o The Almer, primeira unidade de uma nova bandeira de alto padrão criada pela ICH Hotéis, empresa que nasceu em solo gaúcho em 1999 e hoje administra 45 hotéis pelo Brasil. O empreendimento surge de uma parceria entre a ICH e a incorporadora CFL, responsável pelo complexo NL2800, que reúne ainda torre comercial e residencial. O investimento no hotel é de aproximadamente R$ 130 milhões, realizado pelas duas empresas.
Mas números, mármore, mobiliário assinado ou uma localização privilegiada contam apenas parte dessa história. O The Almer quer entrar em um mercado no qual o significado de luxo vem mudando - e onde ostentação e excesso começam a dar lugar a palavras como tempo, silêncio, privacidade, personalização e bem-estar. É o território do chamado quiet luxury, conceito que ganhou força na moda e no comportamento e que, no The Almer, deverá aparecer principalmente na maneira de servir.
“Não é aquele hotel para aparecer, marcar uma foto. Não precisa dizer que esteve ali”, resume Marcelo Marinho, diretor de Vendas & Marketing da ICH Hotéis.

Uma marca gaúcha que começa por Porto Alegre

A estreia tem um componente simbólico para a ICH. Depois de mais de 26 anos de atuação e de construir uma operação presente em diferentes regiões brasileiras, a companhia escolheu o estado onde nasceu para lançar sua primeira bandeira no segmento de alto padrão.
Atualmente, o grupo reúne cerca de 6,7 mil apartamentos, 2,5 mil colaboradores e aproximadamente 3,8 mil investidores hoteleiros, administrando marcas e operações que vão dos segmentos econômico e urbano ao design e à locação por temporada. Agora, a empresa tenta subir mais um degrau. Para Alexandre Gehlen, CEO da ICH Hotéis, o The Almer também responde a uma lacuna percebida pela companhia na própria capital gaúcha.
“Sentimos que Porto Alegre carece de um empreendimento com estas características. É um privilégio ter a oportunidade de abrir este hotel na nossa cidade”, afirma.
Na conversa com o Bom Gourmet, Gehlen foi além do discurso empresarial. Falou em recuperar uma hotelaria capaz de despertar orgulho em quem vive em Porto Alegre e em quem chega à cidade - e em traduzir para um produto contemporâneo a hospitalidade pela qual os gaúchos gostam de ser reconhecidos.
A ambição também aparece no próprio símbolo escolhido para a nova marca: uma garça, ave migratória que, para a empresa, representa elegância e movimento. O The Almer nasce em Porto Alegre, mas foi concebido para viajar. A segunda unidade já está confirmada para Jurerê Internacional, em Florianópolis, também em parceria com a CFL. Segundo Marinho, a obra está em fase inicial, com abertura projetada para o fim da década.

Gastronomia deixa de ser coadjuvante

É justamente na gastronomia que parte importante dessa nova ideia de hospitalidade deverá ganhar forma: “A gastronomia dentro da hotelaria sempre foi muito colocada em segundo plano. Cada vez mais, nos últimos tempos, ela começou a ficar preponderante no setor”, diz Gehlen.
No The Almer, alimentos e bebidas foram divididos em experiências com propostas e níveis diferentes de acesso. A mais independente delas será o Cabaña Argentina, que terá sua primeira operação na Região Sul instalada dentro do complexo. O restaurante funcionará de maneira autônoma, com cozinha e estrutura próprias, e será aberto ao público, não apenas aos hóspedes.
A separação é intencional. Em vez de concentrar restaurante, café da manhã e serviço de quarto em uma única operação, o hotel terá estruturas gastronômicas distintas. No primeiro andar ficará o café da manhã do The Almer, com ambientes interno e externo e vista para o campo de golfe. Diferentemente do rooftop, ele também poderá ser frequentado por quem não estiver hospedado.
A proposta foge do buffet integral tradicional dos hotéis. Parte dos produtos estará disponível para o hóspede se servir, enquanto preparações quentes, sanduíches e outros itens serão feitos e servidos à mesa. E há uma novidade guardada para depois da abertura. A ICH pretende primeiro colocar toda a operação em funcionamento e, alguns meses depois, incorporar ao café da manhã a assinatura de um chef local. O nome ainda é mantido em segredo.

Um rooftop onde a exclusividade significa não entrar

No alto do edifício estará um dos ambientes mais desejados do empreendimento - mas também um dos mais restritos. O rooftop do The Almer não será aberto ao público. A decisão contraria uma tendência recente de hotéis transformarem seus terraços em bares e restaurantes voltados também aos moradores das cidades. Aqui, a escolha foi outra: preservar o espaço como uma extensão da hospedagem.
“É exclusivo para hóspedes, porque o hóspede precisa dessa privacidade”, explica Marinho.
Com apenas 84 apartamentos e suítes, o hotel aposta justamente em uma escala que permita controlar melhor a experiência. O rooftop terá piscina, serviço de alimentos e um bar de drinques e poderá receber alguns eventos privados. A lógica é simples: quem quiser viver o rooftop precisará, em princípio, viver também o hotel. O room service, por outro lado, funcionará 24 horas. Até mesmo o café da manhã poderá ser servido dentro do apartamento. É aí que gastronomia e quiet luxury começam a falar a mesma língua.

O novo luxo está nos detalhes?

Ao evitar se definir simplesmente como “hotel de luxo”, a ICH tenta construir uma ideia menos baseada em classificação e mais em comportamento. O The Almer terá amenities Acqua di Parma, mobiliário assinado por Jader Almeida nas suítes, acabamentos em madeira natural e peças desenvolvidas especialmente para o empreendimento. O projeto arquitetônico é do estúdio Obra Prima, de Punta del Este.
Mas a empresa insiste que o luxo que pretende entregar está menos na exibição desses elementos e mais na maneira como eles se conectam. Isso inclui tecnologia, mas sem transformar o hóspede em operador do próprio hotel. A automação deverá servir, por exemplo, para permitir que a equipe reconheça quem está chegando, saiba se aquela pessoa já esteve ali e personalize o atendimento desde os primeiros contatos. Há também uma expressão interna para essa filosofia: “política do sim”.
“Não existe não no The Almer. Tudo é sim. E, se não tiver, vamos dar um jeito de achar aquilo”, afirma Marinho.
É uma promessa ambiciosa em um setor no qual o verdadeiro luxo talvez esteja justamente naquilo que não pode ser comprado para decorar um quarto: serviço.

Wellness também pode acontecer dentro do quarto

O mesmo raciocínio orienta a área de bem-estar. O hotel terá spa, sauna e academia 24 horas, mas não pretende limitar o conceito de wellness a esses espaços. Tratamentos e serviços poderão ser realizados dentro dos próprios apartamentos. Para Marinho, oferecer uma massagem no quarto, por exemplo, elimina até pequenos deslocamentos que interferem na privacidade do hóspede. O serviço, segundo ele, deve ser “silencioso” e pouco intrusivo.
Essa talvez seja uma das melhores traduções da experiência que o The Almer pretende vender. Em um cotidiano marcado por notificações, exposição e estímulos constantes, a nova bandeira aposta que existe um público disposto a pagar justamente pelo contrário: ser reconhecido quando quiser ser reconhecido e deixado em paz quando quiser desaparecer.
Depois de décadas em que hotéis de luxo disputaram quem entregava o lobby mais monumental, o quarto mais tecnológico ou a experiência mais Instagramável, o The Almer escolheu outra narrativa: talvez o luxo contemporâneo seja justamente não precisar fazer barulho para ser percebido.

The Almer Porto Alegre

Previsão de abertura: janeiro de 2027
Endereço: Avenida Nilo Peçanha, 2780 – Complexo NL2800, Porto Alegre
Hospedagem: 84 apartamentos e suítes
Estrutura: piscina 24h, academia 24h, spa, sauna, rooftop, estacionamento, room service, lavanderia e passadoria, salas de reunião e espaço para eventos
Gastronomia: Cabaña Argentina, café da manhã autoral, room service e operação gastronômica no rooftop
Pet friendly: sim, mediante taxa
Investimento: aproximadamente R$ 130 milhões
Empreendedores: ICH Hotéis e CFL
Instagram: acompanhe as novidades e a chegada do The Almer a Porto Alegre em @thealmerhotels