Prêmio Bom Gourmet
Senac Paraná, Karla Manfredini e Vavo Krieck são os Homenageados do Prêmio Bom Gourmet 2026

Homenageados_Prêmio 2026
Do prato à identidade: celebramos os legados de Karla Manfredini e do Senac Paraná na construção e valorização da nossa gastronomia. Além de lembrar com carinho, a vida e legado de Vavo Krieck.
SENAC Paraná

Em 2027, o Senac Paraná completará 80 anos. O Prêmio Bom Gourmet tem a honra de abrir as comemorações com essa homenagem à instituição que não apenas formou as mãos que hoje comandam algumas das cozinhas mais prestigiadas do estado, mas construiu o alicerce sobre o qual o nosso mercado de gastronomia e hospitalidade se ergueu.
O Senac é um ecossistema vivo que abrange desde a excelência culinária e a formação de baristas até a capacitação de gestores de hospitalidade, esteticistas, especialistas em tecnologia e profissionais de saúde.
Nos restaurantes, a formação ultrapassa a técnica para mergulhar no design da experiência do cliente. Também une o ritmo frenético da operação à precisão da gestão de custos e à valorização do pequeno produtor regional.
Essa vivência prática ganha vitrine nos aclamados Cafés-Escola da capital, como na unidade do Jardim Botânico, que figura com destaque entre os indicados e favoritos do Prêmio Bom Gourmet.
Ao integrar rigor pedagógico, práticas sustentáveis e inovação em frentes tão diversas, a instituição atua como a engrenagem central que eleva o padrão de serviços, impulsionando com excelência o desenvolvimento socioeconômico de todo o estado do Paraná.
Karla Manfredini

No litoral paranaense, a cozinheira Karla Manfredini desenvolve um trabalho que redefine o papel dos ingredientes regionais. À frente da Casa do Mangue, Karla estruturou sua cozinha em torno de um objetivo claro: a valorização e resgate da cultura caiçara e o fortalecimento da economia local através do território.
Cozinheira há mais de quatro décadas, para Karla a cozinha foi um destino inevitável. Nascida em Curitiba e profundamente ligada ao litoral, elas herdou da família o primeiro repertório de sabores que serve de bússola para a sua arte. Além disso,passou essa paixão adiante, transmitindo-a ao filho, José Araújo Netto, hoje nome à frente de casas marcantes da cena gastronômica curitibana. Da pesquisa antropológica de pratos ancestrais que resistem ao esquecimento, como o azul marinho, ao rigor técnico que redescobre o território, seu percurso coloca a herança de Antonina no centro de grandes conversas.
Karla atua como uma guardiã e pesquisadora dos sabores tradicionais. Ao idealizar e partilhar cerca de 40 receitas inovadoras a partir da icônica Bala de Banana de Antonina — transformando o doce em insumo para farofas, reduções e preparos criativos —, ela fomentou uma rede de autonomia e geração de renda que empodera um coletivo de mulheres na região. Com esse olhar inventivo e sensível, ela valoriza Antonina, provando que a grande gastronomia é aquela que se conecta ao passado e alimenta o futuro.
Vavo Krieck

Em 2026, a Gastronomia curitibana perdeu uma de suas figuras mais humanas, carismáticas e inspiradoras.
O cozinhar sempre esteve presente na vida do chef - professor. Nas memórias de infância, era o pai, representante comercial da indústria alimentícia, quem comandava o fogão, preparando pratos simples que moldaram seu paladar e sua relação afetiva com a comida. Também foi esse pai quem lhe apresentou o extraordinário: de escargots em lata a foie gras, experiências que despertaram sua curiosidade e seu respeito pela diversidade gastronômica.
Em sala de aula, o professor defendia a escuta, o teste, o erro. “Vamos entender juntos que outros caminhos existem”, dizia, acolhendo desde receitas com margarina até técnicas mais refinadas. Para ele, cozinhar era antes de tudo um processo de descoberta.
Talvez seu traço mais marcante fosse o olhar para as pessoas. Vavo dizia gostar de “tornar os invisíveis visíveis”. Em cozinhas e eventos, fazia questão de saber se todos haviam comido, se estavam bem. Tratava alunos, colegas, auxiliares e garçons com a mesma atenção.
Pai de gêmeos, falava dos filhos com orgulho e ternura. Reproduzia com eles a mesma abertura que recebeu na infância: liberdade para experimentar, escolher, descobrir. Entre sushi e junk food, entre pizza e massas simples, construía memórias.
Passar pela “experiência Vavo”, como diziam seus alunos, era algo impossível de esquecer.Agora, sua ausência também será.


