Porto Alegre
Rota Rara: o festival que transformou Porto Alegre em vitrine dos vinhos mais desejados do RS

Entre taças, jazz e o pôr do sol do Guaíba, o Rota Rara transforma vinho em experiência.
Com 100 vinícolas, degustações premium, jazz ao pôr do sol e votação do “Oscar dos Vinhos Gaúchos”, evento acontece nos dias 29 e 30 de maio no Vista Pontal
Existe um momento específico em que o vinho deixa de ser apenas bebida e passa a ser experiência. Normalmente isso acontece quando a taça certa encontra o tempo certo, a temperatura certa, a conversa certa - e, principalmente, histórias capazes de transformar um rótulo em memória. É justamente nesse território que o Rota Rara - Festival de Vinhos construiu sua identidade.
Nos dias 29 e 30 de maio, o Vista Pontal, em Porto Alegre, recebe a terceira edição daquele que já se consolidou como o maior festival de degustação premium de vinhos gaúchos da capital gaúcha. Serão 100 vinícolas do Rio Grande do Sul apresentando apenas um único rótulo cada - quase sempre seu vinho mais representativo, raro ou emblemático. Mais do que quantidade, o evento aposta justamente na curadoria.
“A vinícola participa com apenas um rótulo. Isso faz com que ela realmente coloque seu topo de gama, um lançamento ou algo muito especial. Então o público encontra uma qualidade e uma diversidade difíceis de ver em qualquer outro lugar”, resume Guilherme Cramer Balle, um dos idealizadores do projeto.

Uma fotografia do novo vinho gaúcho
O Rota Rara talvez revele também um outro fenômeno: o novo momento vivido pelo vinho brasileiro - especialmente o gaúcho. Enquanto mercados tradicionais enfrentam queda no consumo, o Brasil segue na direção oposta. E o Rio Grande do Sul continua sendo o grande epicentro dessa transformação.
“O momento do vinho gaúcho é extremamente promissor. O consumo cresce, surgem novas vinícolas, novos terroirs, novos métodos e novos produtores o tempo todo. O Rota Rara acaba retratando exatamente esse movimento”, afirma Guilherme.
Segundo ele, o crescimento da própria feira ajuda a contar essa história. “No ano passado já falávamos em aproximadamente 500 vinícolas no estado, dentre as quais selecionamos 100 para estarem com a gente no Rota Rara.”
O festival funciona quase como um retrato contemporâneo da nova enologia gaúcha: mais diversa, mais experimental e mais conectada ao comportamento do consumidor.

Mais experiência, menos feira
Talvez o principal diferencial do Rota Rara esteja justamente na forma como o vinho é apresentado. Não existe ali a lógica tradicional das feiras em que cada vinícola ocupa um estande exibindo dezenas de garrafas. No Rota Rara, a degustação é organizada por estilos de vinho e pensada como jornada sensorial.
São estações divididas entre espumantes, brancos, rosés, laranjas, claretes e tintos, permitindo que o público percorra os aromas e perfis de forma mais coerente e agradável.
“A experiência de consumo é uma obsessão nossa”, conta Guilherme. “A pessoa recebe uma taça de cristal, não de acrílico, ganha um passaporte digital com todas as fichas técnicas e consegue viver o vinho com mais calma, mais entendimento e mais profundidade.”
Essa preocupação aparece também nos detalhes do evento: jazz na recepção, DJs em vinil durante o pôr do sol do Guaíba, mesas de azeites, cafés e produtos premium gaúchos, como dos Produtores Gaúchos Unidos, além de palestras e workshops sobre tendências, análise sensorial, harmonização, branding, mercado e enoturismo.
Na outra ponta da organização do festival, Gilberto Vives, da Cav – Vinhos e Eventos, destaca que o Rota Rara também foi pensado para ampliar a conexão entre vinho, gastronomia e experiência. “Teremos uma área dedicada a produtos premium gaúchos, além de cashback de R$ 20 para utilização na compra dos vinhos preferidos do público. E para completar a atmosfera do evento, teremos jazz ao vivo na recepção e DJs acompanhando o pôr do sol do Guaíba”, afirma.
Em uma das experiências, inclusive, uma especialista conduz degustações guiadas de azeites enquanto o público aprende sobre aromas e características do produto.
“Tudo no evento foi pensado para gerar pontos de contato e transformar a degustação em experiência”, diz Guilherme.

O “Oscar” dos vinhos gaúchos
Outro ponto que ajuda a diferenciar o Rota Rara é a votação dos melhores vinhos do festival, apelidada pelos organizadores de “Oscar dos Vinhos Gaúchos”.
Ao contrário de concursos exclusivamente técnicos, a escolha é feita pelo próprio público do evento, estimado em cerca de 1,2 mil pessoas nos dois dias.
Mas isso não significa falta de critério.
“É uma votação popular, mas extremamente qualificada. Tem donos de vinícolas, sommeliers, donos de restaurante, confrarias, profissionais liberais, executivos e consumidores que realmente gostam de vinho”, explica Guilherme.
A premiação inclui categorias como melhor espumante, melhor branco, melhor tinto, melhor custo-benefício, inovação, design e vinho do evento.
“Isso acaba criando uma fotografia muito interessante do comportamento real do consumidor”, completa.
Rótulos que dificilmente chegam ao grande público
O nome Rota Rara não é por acaso. Boa parte dos vinhos apresentados no festival dificilmente aparece em supermercados ou nos canais tradicionais de venda. Muitos são pequenos lotes, edições limitadas ou rótulos de vinícolas pouco conhecidas do grande público.
“Mesmo quem gosta muito de vinho dificilmente conhece todas as vinícolas do evento. Nem nós conseguimos visitar todas ainda. O vinho gaúcho vive um movimento constante de transformação”, afirma Guilherme.
Por isso, para muitos consumidores, o festival acaba funcionando quase como uma expedição sensorial pelo novo mapa da vitivinicultura gaúcha - sem precisar sair de Porto Alegre.
Serviço
Rota Rara - Festival de Vinhos
📍 Vista Pontal Espaço de Eventos — Rua Oswaldo de Lia Pires, 100 — Cristal — Porto Alegre/RS
📅 29 e 30 de maio
🕔 Das 17h às 23h
🎟️ Ingressos pelo Sympla
📅 29 e 30 de maio
🕔 Das 17h às 23h
🎟️ Ingressos pelo Sympla

