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Seu restaurante depende demais de você? Veja algumas dicas de como mudar isso

Tuxa Gonçalves dando dicas para reduzir a dependência do dono no restaurante. Crédito: Silvestre Laska
Se o WhatsApp do restaurante continua apitando durante a folga e a equipe não consegue tomar decisões sem consultar o dono, há um problema de gestão que vai além da falta de funcionários. A operação ainda depende demais de uma pessoa.
Foi a partir dessa situação que a especialista em liderança e gestão no food service Tuxa Gonçalves conduziu a palestra “Você vive do seu negócio ou para ele?”, durante a 19ª edição do FoodCo. Experience, realizada em 5 de outubro, com o tema “Minha operação depende demais de mim”.
Para Tuxa, um dos sinais mais claros dessa dependência é o empresário que assume o papel de “bombeiro”, passando o dia apagando problemas; o centralizador, que repete o “deixa que eu resolvo”; e o “herói”, que sabe fazer de tudo e está sempre disponível para cobrir alguém.
O problema é que, quando o dono resolve tudo, a equipe deixa de desenvolver autonomia. “Meu restaurante não pode ter a tua cara. As coisas precisam funcionar com a sua identidade, com o seu padrão, com tudo de bom que ele tem com você ou sem você”, afirmou.
A saída, segundo ela, passa por quatro frentes: melhorar a comunicação e a gestão de pessoas, desenvolver lideranças, fazer com que os líderes também sejam responsáveis pelo desenvolvimento da equipe e criar processos para tudo aquilo que se repete na operação.
No food service, um desafio recorrente é promover bons profissionais técnicos para cargos de liderança sem prepará-los para a nova função. Um bom cozinheiro pode se tornar chefe de cozinha, por exemplo, mas isso não significa que saiba delegar, dar feedback ou desenvolver pessoas. Para Tuxa, essa capacitação é justamente o que permite ao proprietário deixar de concentrar decisões.
Outro ponto é definir responsabilidades. Quando todos são responsáveis por uma tarefa, ninguém necessariamente responde por ela. Cada processo precisa ter alguém à frente e uma liderança capaz de acompanhar sua execução.
A relação com a equipe também interfere diretamente na experiência do cliente. Tuxa defendeu que a hospitalidade começa dentro da própria empresa. O funcionário, que está na linha de frente, precisa ser bem tratado e conhecer suas responsabilidades para reproduzir esse ambiente no atendimento.
A especialista citou ainda dados de 2025 sobre turnover apresentados durante a palestra. Segundo os números, a taxa média de rotatividade no setor de serviços foi de 35%, enquanto no segmento de alimentação chegou a 73,5%. Outro dado apontado por ela indica que 67% das demissões voluntárias tiveram relação com o comportamento da liderança.
Para Tuxa, os números reforçam a necessidade de olhar para a gestão antes de colocar toda a responsabilidade pela falta de mão de obra nos trabalhadores. A construção de uma equipe mais autônoma passa por comunicação, formação de líderes e processos claros.
No fim, a pergunta feita aos empresários no FoodCo. Experience volta ao ponto inicial: se o dono precisa estar presente para que tudo funcione, quem está, de fato, comandando a operação?

