Flavia Rogoski é apaixonada pelo universo dos queijos e dedica sua trajetória a transformar conhecimento em experiências. Desenvolvedora da Bon Vivant Queijos do Mundo, atua há 22 anos conectando produtores, consumidores e cultura gastronômica
Premiações gastronômicas, queijos brasileiros e o orgulho de ver o Paraná amadurecer
18/06/2026 09:00
O sabor da evolução: conheça a história e o rigor técnico por trás dos premiados queijos do Paraná. Crédito: Divulgação
No próximo dia 23 de junho, o Mercado Municipal de Curitiba recebe um encontro que diz muito sobre o momento do queijo paranaense: o lançamento do livro que reúne os queijos premiados no concurso de 2025 e, ao mesmo tempo, a abertura da terceira edição do Prêmio Queijos do Paraná. Estarão reunidos o comitê gestor e todos os que se envolveram nesta iniciativa de desenvolvimento do mercado, para celebrar um percurso que, em poucos anos, transformou a maneira como produtores, varejo e consumidores enxergam o queijo produzido no Estado.
Encontros como esse ajudam a explicar por que os concursos de queijos se tornaram tão decisivos. Não faz muito tempo, falar em queijo brasileiro de excelência soava como assunto reservado a um círculo discreto de produtores, técnicos e jurados que acompanhavam de perto uma transformação silenciosa no campo. O cenário hoje é outro. As premiações que se multiplicam pelo Brasil e pelo mundo passaram a ocupar papel central na construção de reputação e na valorização econômica dos produtos, consolidando uma percepção inteiramente nova: a de que o queijo é expressão de território, técnica, cultura, pesquisa e identidade produtiva.
Conduzidas com critérios técnicos rigorosos, júris bem preparados e metodologia clara de avaliação sensorial, as premiações vão muito além da entrega de troféus. Funcionam como instrumentos de leitura do setor: revelam tendências, apontam caminhos de aprimoramento, aproximam produtores de especialistas e oferecem ao consumidor uma referência mais segura sobre o que é, de fato, qualidade. No universo dos queijos, esse exercício é ainda mais valioso, porque cada peça reúne um conjunto extenso de variáveis — a qualidade do leite, o manejo do rebanho, a microbiota, a maturação, a textura, a casca, o aroma e a persistência do sabor.
Submetido a um concurso, o queijo deixa de ser julgado pela aparência comercial ou pela tradição de quem o assina e passa por uma avaliação técnica, comparativa e sensorial. Essa análise ajuda o produtor a compreender melhor o próprio trabalho e a fazer as correções necessárias, dando início a um ciclo de aperfeiçoamento que, com o tempo, se traduz em maior regularidade da produção, em apresentação mais cuidada e em condições reais de conquistar mercados mais exigentes.
O Prêmio Queijos do Paraná nasceu como iniciativa estratégica para valorizar a pecuária de leite, estimular a agregação de valor à matéria-prima e dar visibilidade aos produtos lácteos do Estado. Concebido com a participação de instituições como o Sistema FAEP/SENAR-PR, o IDR-Paraná, o Sebrae/PR e o Sindileite-PR, entre outras entidades ligadas ao setor, o prêmio não se contenta em apontar os melhores queijos: forma jurados, estabelece parâmetros técnicos, incentiva a formalização, fomenta a inovação e demonstra que o queijo paranaense pode rivalizar em qualidade com os principais centros produtores do Brasil e do exterior.
Participar das duas primeiras edições, como jurada e comissária, me deu a chance de acompanhar esse processo de perto. Mais do que avaliar produtos, foi observar uma construção coletiva e constatar que o caminho percorrido pelo Estado no amadurecimento de sua cadeia produtiva valeu cada esforço — uma evolução que se nota na apresentação, na regularidade, na construção de identidade e na ambição técnica de quem produz.
Está aí uma das grandes forças dos concursos: a capacidade de aproximar o campo da mesa. O produtor ganha repertório técnico e reconhecimento; o varejo, argumentos mais sólidos para apresentar o produto; o consumidor, confiança para experimentar; e o território, identidade. Quando um queijo paranaense é premiado em um concurso nacional ou internacional, não comparece apenas aquele produtor — comparecem também a região, a cadeia leiteira, o trabalho das instituições e a perspectiva de uma gastronomia local mais forte e mais reconhecida.
Talvez seja esse o papel mais importante dos concursos neste momento: converter reconhecimento em desenvolvimento e, no caso do Paraná, transformar orgulho em compromisso. Porque uma premiação séria não consagra apenas o vencedor — ela celebra uma cadeia inteira que decidiu evoluir.