Redação

Panela do Anacreon

Omakase do Emy by Kazuo está de volta. E em alto estilo

07/04/2026 17:53
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Manilla, prato filipino que compõe o Omakase do restaurante Emy by Kazuo. | Foto: Anacreon de Téos

Não conheço momentos de maior cumplicidade do que no balcão de um sushibar. Certo que o menu confiança de outros tipos de restaurantes também mexem com a emoção, a sensação da surpresa a cada etapa. Mas os pratos, na maioria dos casos, vêm prontos lá da cozinha e são entregues à mesa.
No sushibar é olho no olho. Você ali, de um lado do balcão, atenção total aos momentos do sushiman, que, do outro lado, se esmera em encontrar a mais perfeita combinação de elementos possível para oferecer o melhor sabor de cada oferenda.
Cada omakase é uma experiência única. E cada um diferente do outro, pois somente são utilizados os insumos disponíveis naquele dia. Ou seja: o peixe que veio ontem não necessariamente será o mesmo hoje.
E foi exatamente isso que vivi dia atrás, quando soube do retorno do Omakase do Emy by Kazuo. Quem me avisou foi o Rhuan Coelho, que, de momento, era quem estava à frente da brigada do restaurante. Rhuan é parceiro antigo de Kazuo Harada, desde que este iniciou os primeiros testes no restaurante que abriria em Curitiba nos meses finais de 2018, o Hai Yo. Entrou para a turma para subir alguns degraus na ousadia e na qualidade, já que, desde 2011, início de carreira, atuava como sushiman em casas e deliveries, digamos, mais comerciais, mais populares.
Sushiman Rhuan Carlos Coelho em atividade, na produção do Omakase, que está de volta ao Emy. | Foto: Anacreon de Téos
Sushiman Rhuan Carlos Coelho em atividade, na produção do Omakase, que está de volta ao Emy. | Foto: Anacreon de Téos
Depois da saída do então titular do balcão (Lucas Amaral), a casa instituiu um rodízio centralizado nos líderes da brigada do restaurante Kazuo Restaurante, que, entre tantos prêmios, coleciona 1 Estrela Michelin e o de melhor chef. Rhuan se alterna com o próprio Kazuo e com Katia, irmã deste. Imagine, então, se eu poderia deixar passar batida a chance de mergulhar naqueles sabores propostos.
Encontrei uma brecha na correria do pouco tempo disponível e apareci por lá. Estava sentindo falta de momentos como aquele, na diferença de um menu confiança não só limitado à linha japonesa, mas, sim, a todo o sudeste asiático.
Enquanto eu escolhia o saquê para harmonizar com toda a sequência, chegava o abre-alas oficial da cozinha oriental, o Edamame – e é sempre interessante ficar mastigando aquelas ervilhas nas vagens, enquanto cresce a expectativa pelo que ainda virá.
<em>Tokubetsuna kaki</em>, a ostra fresca, gema de codorna, tobiko black, ponzu e flor de sal. | Foto: Anacreon de Téos
Tokubetsuna kaki, a ostra fresca, gema de codorna, tobiko black, ponzu e flor de sal. | Foto: Anacreon de Téos
E tudo começou com uma assinatura de Kazuo e equipe, desde os tempos da casa anterior: a ostra. No caso, Tokubetsuna kaki, a ostra fresca, gema de codorna, tobiko black (ovas de peixe voador), ponzu (molho cítrico) e flor de sal – quando tem Uni, o ouriço do mar, então, é arrebatador. É uma criação original do Japão e, como eles mesmos dizem, “é para sentir o verdadeiro sabor do mar em cada ingrediente”.
Etapa seguinte, viagem às Filipinas. O que veio? Manilla (que é o nome da capital deles, aliás), composto por um sashimi de linguado, caviar espanhol, pimenta dedo-de-moça, coentro, cebola roxa, molho à base de leite de coco, gengibre e alho, finalizado com crocante de amendoim e ovas de capelin (massago). Sutileza da delicada combinação dos elementos do molho levaram o prato às alturas.
 <em>Aji bozushi</em>, um sushi de carapau.  | Foto: Anacreon de Téos
Aji bozushi, um sushi de carapau. | Foto: Anacreon de Téos
Bibimbap, o prato coreano, é servido frio.  | Foto: Anacreon de Téos
Bibimbap, o prato coreano, é servido frio. | Foto: Anacreon de Téos
Outra passadinha pelo Japão, com uma criação que foi lançada, com sucesso no Kazuo Restaurante (@kazuo.restaurante), base para o que se serve por aqui, no Emy. Chama-se Aji bozushi e é um feitio de oshi-zushi (sushi prensado) em formato de bastão, utilizando Aji (carapau japonês), fresco e marinado, sobre arroz de sushi.  É, pois, sushi de carapau, somado a ovas de salmão, ovas de tainha desidratadas (karasumi), raspas de limão siciliano, shimeji branco puxado na manteiga, talos de cebolinha, molho ponzu (à base de três cítricos), finalizado com azeite de nirá.
Próxima etapa da viagem, Coreia. E veio justamente um dos pratos mais conhecidos de lá, o Bibimbap, uma espécie de risoto, que dizem ser a comida coreana que fala. E está no menu do Emy desde a inauguração, em março de 2022 (confira o que escrevi na época), com ótimo retorno.
Só que esse Bibimbap estava diferente. Chegou frio, de propósito, para ser assim. Tem bluefin (a parte magra, akami) maturado por 15 dias, gema de codorna fresca, ovas de tobiko incolor (peixe voador), shari por baixo (o arroz do sushi), molho à base de gochujang (pasta de pimenta de fermentação de feijão coreano) e nori coreano (mais crocante). Assim como no prato original, põe molho por cima, mistura bem os ingredientes e daí monta na alga nori, enrolando da maneira que quiser.
<em>Temaki de toro de bluefin</em>, no formato de charuto, como é feito por lá. | Foto: Anacreon de Téos
Temaki de toro de bluefin, no formato de charuto, como é feito por lá. | Foto: Anacreon de Téos
Sushi de centolla. | Foto: Anacreon de Téos
Sushi de centolla. | Foto: Anacreon de Téos
Camarão com molho tomamisso.  | Foto: Anacreon de Téos
Camarão com molho tomamisso.  | Foto: Anacreon de Téos
Sushi de enguia com teriyaki e pimenta sansho. | Foto: Anacreon de Téos
Sushi de enguia com teriyaki e pimenta sansho. | Foto: Anacreon de Téos
Na sequência final, o desfile dos sushis. Começando com o Temaki de toro de bluefin (a parte gorda do atum mexicano), num temaki de formato de charuto, que é o padrão original, e não o cone que conhecemos por aqui. Em seguida, um sublime Sushi de centolla com molho coreano, que não invade o delicado sabor da carne do crustáceo chileno. E já que estamos lá no topo, Camarão com molho tamamisso (missô agridoce) e, fechando, Sushi de enguia com teriyaki e pimenta Sansho (de sabor cítrico marcante e picância que provoca um leve formigamento na língua).
Para fechar, um passeio por quatro texturas de chocolate, o Chocolate Chui, apresentando mousse, terra de chocolate, ganache e bolo, todos de chocolate.
Chocolate Chui, chocolate em quatro texturas, a sobremesa. | Foto: Anacreon de Téos
Chocolate Chui, chocolate em quatro texturas, a sobremesa. | Foto: Anacreon de Téos
Rhuan Coelho é um talento criativo e principalmente de execução, responsável por essa viagem de sabores pelos países daquelas bandas de lá. Não de graça está acompanhando Kazuo Harada desde seus primeiros momentos em Curitiba, seguindo para São Paulo e retornando de vez em quando para cá, para, no rodízio de escala, manter o comando sobre a brigada que por aqui produz.
O Omakase do Emy custa R$ 450 por pessoa e, como é dinâmico em sua formação, pode variar um peixe aqui e outro ali, embora mantenha essa linha que me serviram e que impecável.
O Omakase está sendo servido nos seguintes horários:
De segunda a quinta, das 12h às 15 e das 19h às 22h.
Sexta e sábado, das 11h às 23h direto.
Domingo, das 18h às 21h (não tem pela manhã, quando é servido o brunch – leia aqui).
Emy by Kazuo
Shopping Pátio Batel, Piso L1
Avenida do Batel, 1868 – Batel
Instagram: @emyrestaurant
Reservas: (41) 99149-6447