Anacreon de Téos
Panela do Anacreon
O pato é a grande estrela do Menu de Outono do Duq Gastronomia

Coxa e sobrecoxa de pato confit, com molho de tangerina e brócolis tostados - o pato presente à mesa do Duq. | Foto: Rubens Kato
Tal qual o artista plástico André Mendes, curitibano renomado internacionalmente, que pintou um painel gigante na fachada do imóvel, outro artista de idêntico cacife, Felipe Miyake, desfila suas obras e criações a cada renovação do cardápio do DUQ Gastronomia - restaurante que, desde 2023, chancela a gastronomia curitibana com status e qualidade.
Miyake, aliás, não se contenta em apenas lançar pratos de pronto agrado dos clientes. Daqueles padrão tiro certo, que não dariam erro em momento algum.
O chef não limita suas criações aos insumos mais populares, aqueles que, teoricamente, têm saída mais garantida. Quer sempre mais, para proporcionar prazeres que os comensais certamente não encontrarão em outro local. E foi assim desde a inauguração da casa, quando incluiu rãs e codornas no seu primeiro menu (escrevi sobre isso, veja aqui). E com o maior sucesso, diga-se.
Tanto as codornas deram certo, que, no inverno do ano passado, o tema do menu da estação foram exatamente elas. Codorna do início ao fim (confira aqui o que escrevi), numa parceria com um importante produtor: a Villa Germania, que é a líder nacional no segmento de aves especiais, e também aderiu à campanha de incentivar o consumo de codornas.
Pois essa parceria se consolidou e agora retorna, com foco total em outra ave: o pato. Da ementa de seis tópicos, quatro são focados no pato, uma entrada e três pratos principais. Estive lá no Duq Gastronomia, noite dessas, e pude provar cada uma das criações de Felipe Miyake. E com upgrade interessante: todas harmonizadas, com ótimo resultado, pelo sommelier Vinícius Chupil, uma das principais autoridades em vinhos que temos por aqui.

Tudo começou com o Creme de batata-salsa com tartar de salmão defumado, dill e ovas de tobiko (R$ 118). Cabem aqui algumas observações: batata-salsa foi por minha conta (estava mandioquinha), pois, afinal, é como conhecemos por aqui o que os paulistas (como Miyake) chamam de mandioquinha e os cariocas de batata-baroa. Mas, como estamos em Curitiba...
O salmão foi defumado no Josper (aquele forno a carvão que atinge altíssimas temperaturas) e a inspirada harmonização foi à Austrália buscar o Stump Jump, blend das uvas Riesling, Marsanne e Sauvignon Blanc.

Ainda como entrada, Terrine de foie gras com figo cristalizado, sobre brioche tostada (R$ 140). Pense numa combinação perfeita. É essa. O toque adocicado da tirinha de figo se encaixa na gordura da impecável terrine sem qualquer aresta. Mais ainda quando o sommelier propõe acompanhar com o Vin Santo Poderi del Paradiso San Gimignano – Toscana. Foie gras e vinho doce se completam e os franceses costumam chamar o Sauternes, mas esse Vin Santo não deixa a perder.
Vieram, a seguir, os três pratos principais ao mesmo tempo. Para que os convivas pudessem vê-los (e fotografá-los) inteiros, e poderem se servir de porções de cada um deles. Também chegaram três novas taças de vinho, cada uma destinada a escoltar um daqueles pratos principais.

O Risoto de pato com cogumelo porcini fresco e “picanha” de pato grelhada ao perfume de gorgonzola dolce (R$ 180) teve a companhia do vinho Tufarello Pugli uva Nero di Tróia. Prato de paladar agradável, embora o cogumelo tenha ficado um tanto tímido, perante a carne do pato desfiada e o queijo. Mas nada que impedisse de repetir. Ah, sim, a ideia da “picanha de pato” – e o magret lembra mesmo a picanha, no corte - foi muito bem aplicada.
A Coxa e sobrecoxa de pato confit, com molho de tangerina e brócolis tostados (R$ 192) estava macia, pela correção do cozimento lento, e crocante na medida pela finalização. O molho, arrebatador, e os brócolis quase roubaram a cena, passando aquele sabor de fumaça, também por ação do Josper. O pessoal em minha volta não deu muita bola e quando vi os ramalhetes tinham sobrado. Não mais, trouxe-os para o meu prato. Ah, sim, o vinho harmonizado – com sucesso – foi o Lopes de Haro Reserva Rioja, um Tempranillo espanhol de levar lá para as alturas. A melhor harmonização de todas, pato e vinho realmente se completaram.

Mas, mesmo assim, o prato que mais me cativou foi aquele que, teoricamente, seria o mais simples (e como Felipe Miyake sabe lidar com a simplicidade na junção de ingredientes!): Spaghetti fresco, com ragu de pato ao molho chasseur e magret defumado (R$ 175) – também no Josper, imagino. O magret defumado foi cortado em cubos e utilizado no sofrito – que é, na denominação dos espanhóis, uma base aromática para muitos pratos. E aí, o magret passa o toque defumado, dando a impressão de o chef ter utilizado algum embutido no preparo do molho chasseur. Nada disso, apenas o magret. E como Miyake faz como ninguém esse molho (lembra daquela primeira codorna do menu inicial, à qual referi? Estava lá o chasseur, que, na tradução, significa “molho do caçador”). Só esse prato me faria ganhar a noite. Harmonização com o chileno TH Carignan - Maule da Undurraga.
De sobremesa, Salada de frutas quente com crème anglaise de maracujá, shiratama e sorvete de gergelim (R$ 60). Shiratama é um bolinho japonês macio e elástico, feito de farinha de arroz glutinoso. A combinação ficou muito agradável. Melhor ainda com aquele vin santo que já havia comparecido lá no início.

É importante salientar que a harmonização não foi exclusividade dos presentes na noite de lançamento do Menu de Outono. Como novidade desta edição, o menu poderá ser apreciado com a sequência de vinhos harmonizados. A proposta é que cada rótulo acompanhe e amplifique a experiência de cada prato, criando um percurso integrado entre gastronomia e vinho.
E, como no próximo fim de semana, dia 28, o Duq Gastronomia celebra seu terceiro aniversário, fazendo parte dessa comemoração, até o dia 26 de março o restaurante oferece uma condição especial: clientes que realizarem reserva antecipada e escolherem uma entrada, prato principal e sobremesa de Menu de Outono poderão vivenciar o menu com vinhos selecionados, como um presente da casa.
Esse jantar de apresentação dos pratos deu a certeza de um outono muito mais do que saboroso no Duq. Outono reconfortante, pelo que representou cada uma dessas criações. A parceria de cumplicidade entre Felipe Miyake e Vinícius Chupil (que já vem desde outros restaurantes), também sócios da casa, é de deixar registrado um convite permanente para a boa comida. Entre altos e baixos, nada de baixos, apenas alguns bem mais altos dos que os altos, o que é garantia de satisfação e de prazer a cada jornada.
DUQ Gastronomia
Alameda Dr. Carlos de Carvalho, 360 – Centro
Funcionamento: terça a quinta - 19h às 23h; sexta e sábado - 19h as 24h
WhatsApp de reservas: (41) 98854‑4751
Estacionamento conveniado no local
Instagram: @duqgastronomia

