Ledinara Batista

Ledinara Batista

Vamos viajar pelo mundo da confeitaria? Sou a Ledinara, jornalista, apaixonada por doces. Crio conteúdo desde 2008 em blogs. Em 2014, criei um passeio gastronômico, o Tour Curitidoce, para mostrar o lado doce de Curitiba. Aqui, o doce é sempre protagonista.

O Mundo Doce

Páscoa 2026: o que vingou como tendência, o que surpreendeu e o que voltou com tudo

02/04/2026 11:41
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Entre as tendências da Páscoa 2026, as frutas amarelas se destacaram em recheios de ovos de colher, especialmente o maracujá. Crédito: Gabriella Benuli.

Estamos na semana da Páscoa e, mesmo antes de a data acontecer, já é possível traçar um panorama bastante claro do que vem marcando as vitrines e os desejos do consumidor. A partir da segunda edição da Degustação de Ovos do Curitidoce e do acompanhamento próximo das confeitarias da cidade, esta é a minha leitura da Páscoa curitibana de 2026: uma temporada em que custo, memória afetiva, textura e experiência caminham lado a lado.
Um detalhe interessante deste ano foi o timing dos lançamentos. Talvez por a Páscoa cair logo no início de abril, muitas confeitarias divulgaram seus cardápios mais tarde. O que antes costumava acontecer logo após a Quarta-feira de Cinzas, desta vez veio, na maioria dos casos, com cerca de um mês de antecedência. Ao mesmo tempo, o fato do consumidor comprar mais em cima da hora, fez crescer o espaço para pronta-entrega nas vitrines, sem depender apenas das encomendas.
Na Degustação de Ovos do Curitidoce, aberta para qualquer confeitaria nas categorias Ovo de Colher e Ovo de Casca Recheada, um dos movimentos mais evidentes foi o reflexo direto da alta do cacau. Já no ano passado eu havia percebido uma queda nos ovos puros e nas versões com mais chocolate na casca, especialmente entre chocolaterias. Em 2026 isso se confirmou. Os ovos de colher seguem fortes porque exigem menos chocolate e permitem agregar valor pelos recheios, que exploram frutas, brigadeiros, cremes e outras bases.
Até tendências que pareciam promissoras, como o ovo em fatias, apareceram de forma tímida, justamente por demandarem mais chocolate e uma execução mais trabalhosa.
Ao mesmo tempo, os sabores que remetem a sobremesas de apego emocional cresceram de forma muito bonita. Vi ovos inspirados em torta de limão, pudim, camafeu, quindim e manjar de coco, por exemplo. São sabores que conectam gerações. Para o público jovem, chegam com frescor de novidade. Para quem já tem memória dessas sobremesas, despertam uma reconexão afetiva imediata.
Outro movimento que me chamou atenção foi a expansão do sabor Martha Rocha nos cardápios. Depois do recente festival que colocou novamente o bolo curitibano em evidência, mais confeitarias passaram a apostar nessa tradução para a Páscoa, inclusive casas contemporâneas e de perfil gourmet.
Nos recheios, as frutas amarelas seguiram em alta. O maracujá apareceu novamente com força, muitas vezes em combinação com manga e até mesmo coco, trazendo frescor e brasilidade para os ovos de casca recheada. Ao mesmo tempo, percebi ovos menores dominando a temporada. O preço do cacau pesa, claro, mas existe também uma mudança de comportamento: as pessoas querem provar mais sabores em porções menores. Daí o crescimento de kits degustação, trios e mini ovos, formatos que funcionam muito bem também para presentes.
Se houve uma tendência muito clara nesta Páscoa, foi a valorização das texturas. Crocante, cremoso, aerado, pedaços de biscoito, nuts e até massa folhada apareceram em diversos recheios e, em alguns casos, nas próprias cascas. A ideia é transformar cada colherada em uma experiência mais sensorial, com contraste e surpresa. O consumidor quer sentir mais do que apenas o sabor.
Entre as confeitarias mais modernas, os ovos inteiros com acabamento artístico também ganharam força. Pintados à mão, coloridos, com efeito aquarelado, aveludado ou texturizados, eles reforçam o chocolate como presente sofisticado e objeto de desejo.
Nos sabores, o pistache saiu do auge da moda e entrou em uma fase mais madura. Continua presente, mas sem o protagonismo absoluto de outras temporadas, com exceção das releituras inspiradas no Pistache Dubai, que ainda preserva o fator novidade. Já o Biscoff ressurgiu com força, impulsionado novamente pelas redes sociais e pelas texturas crocantes, que seguem em alta.
Também notei um cuidado maior com linhas inclusivas. Versões zero açúcar, zero lactose e, ainda de forma bem tímida, veganas, aparecem em mais vitrines, mostrando um mercado mais atento a diferentes perfis de consumo.
Nesta minha leitura da Páscoa curitibana de 2026, percebi que as tendências apontaram para um caminho bastante claro: menos excesso, mais intenção. Menos tamanho, mais experiência. E, acima de tudo, um doce cada vez mais pensado para criar memória.