
Guilherme Rodrigues
Crítico independente e aficionado em vinhos, escreve sobre o tema desde 1990. Destaca-se participação permanente na Revista GULA (colaborador e coordenador de provas de 2004 a 2009) e Revista GOSTO (editor de vinhos, colunista, 2009-2015), editadas em São Paulo. Visitou e visita os melhores produtores mundiais de vinhos. Participou de juris nacionais e estrangeiros. Membro de confrarias, destacando-se: Vinho do Porto (Infanção - grau máximo), Ordre des Coteaux de Champagne, Bairrada, Periquita.
Notas Báquicas
Páscoa: 10 vinhos que são perfeitos para acompanhar o bacalhau
tradição da boa gastronomia, quando o vinho enche os copos ao lado dos
estimulantes pratos. Beba o vinho que apetecer, diante da comida à mesa. Eis o
preceito máximo da escolha. Agora, se tiver dúvidas ou preferir conhecer coisas
novas, vou falar de algumas harmonizações interessantes e já muito bem
aprovadas nos festejos da ressurreição.
época. Seco e salgado para resistir ao tempo, é demolhado e se transfigura em
apetitosas postas brancas no momento do preparo. Impera nas mesas da
sexta-feira santa, quando as carnes são de evitar. Aliás, o fiel amigo –
expressão pela qual o bacalhau também e carinhosamente conhecido em Portugal –
tem grande versatilidade. Ao ponto de se afirmar que bacalhau não é peixe e nem
é carne: bacalhau é bacalhau. Por aí se vê que navega perfeitamente com vinho branco
ou tinto. Ou ainda com os universais acompanhantes: rosés e espumantes.
bacalhau no mundo, há séculos), para mim as mais saborosas, em geral não levam
tomates nem pimentões – que costumam cortar um tanto o refinamento do bacalhau.
Por exemplo: ao Zé do Pipo, à Braz, à Gomes de Sá, à Lagareiro, em postas
assadas ou cozidas, de Consoada, e assim por diante. Nestes casos, vinhos
brancos de bom corpo vão às mil maravilhas. Aqueles à base de Chardonnay – sem
muita madeira – são os principais suspeitos, mas também Riesling, Sémillon,
brancos portugueses, especialmente do Dão ou da Bairrada, ou o célebre
Alvarinho. Tintos, de boa intensidade, mas sem muito peso, como os elaborados
com Pinot Noir ou Gamay, também Cabernet Franc ou Merlot, e de Portugal, por
exemplo, tintos do Alentejo, Península e Setúbal, Tejo ou Lisboa.
ou ambos, tintos a meio corpo são perfeitos. Brancos também podem dar certo,
mas precisa ser mais específico, é mais difícil, pois a tendência do vinho e do
prato se desentenderem no paladar, é grande.
demais vinhos à base de Cabernet Sauvignon e similares, onde ficam? Muito
fácil: junto ao anho pascoal. Nada melhor para acompanhar o cordeiro ou o
carneiro servido na mesa da Páscoa do que esses grandes vinhos. Um pernil de
cordeiro muito bem assado, rosé por dentro, alguns legumes cozidos, é o nirvana
com um soberbo Mouton Rothschild, por exemplo. Também faz excelente um outro
Bordeaux que não doa tanto ao bolso.
pratos, receitas e vinhos são praticamente infinitas. Deixo com os leitores os
inspiradores destaques comentados até aqui.
indicações de rótulos disponíveis no mercado, dentro do espírito das
combinações de que falei. Sem
pontuações, pois o objetivo é harmonizar o vinho com a refeição. A todos, uma
Feliz Páscoa!
Brancos para o bacalhau:
Viñedos Catena – Mendoza – Argentina

Rosas Bod. y Vin. – Rias Baixas – Espanha
vai muito bem com o bacalhau. Portugueses do Minho (Monção e Melgaço) e
espanhóis da Galícia são os campeões. Este vem de Rias Baixas, na Galícia. Um
rótulo de crescente sucesso na sua gama, apresentando-se equilibrado, com bom
corpo, base suave e de boa acidez. Fundo a mel, notas frutadas a marmelo,
discreto cítrico e chá branco completam o bom conjunto.

Silgueiros – Dão – Portugal
do Dão, faz grande par com o bacalhau, pelo seu corpo e energia. Aqui, com um
tempero de Malvasia Fina, para um pouco mais de suavidade e aromas.

Tintospara o bacalhau:
2016
Lagoalva de Cima – Tejo – Portugal
loteada junto à Touriga Nacional e Touriga Franca, aveludado e cremoso, com
frutos vermelhos maduros, enriquecidos por belas nuances almiscaradas e
balsâmicas. Boa acidez e movimento.

2017
Alentejo – Portugal
escura, encantador bouquet com notas florais e frutos maduros, excelente
vivacidade. Boa acidez e final vivo, cesta de frutos maduros, bem resolvido,
interessante e saboroso, ótima pedida na mesa com os pratos à base de bacalhau

Zelândia
sedosa com fundo cremoso dá uma bela fluidez ao vinho. Taninos finos compõem e
dão foco . Framboesas maduras, algo a especiarias, luminoso, limpo, suave e
estimulante. Vai lindamente com o bacalhau.

RITA 120 PINOT NOIR RESERVA ESPECIAL 2017
Valle de Aconcagua – Chile
composto, com ótimo ataque, meio de boca e final de prova. Cor rubi, de boa
limpidez e brilho. Aromas muito atraentes
e que chamam a atenção, sensação agradável. Framboesas maduras com algo suave a
ervas finas, um belo toque a gengibre realça o vinho.

jovial, com bom frescor e definição, além de encantador. Belo corpo, elegante,
muito bom de beber.
Tintos para o cordeiro:
Dubordieu – Graves – Bordeaux – França
agradáveis e vivos são seguidos de um corpo de boa estrutura e energia,
aportado pela Cabernet, mais a textura sedosa e carnuda, da Merlot. Frutado
maduro, taninos finos e bem compostos com a acidez, um delicioso e suave fumé, belo equilíbrio e boa
persistência.

RESERVA CABERNET SAUVIGNON 2016
Errazuriz – Aconcagua Valle – Chile
feito da emblemática Errazuriz. Belíssimo frescor sobre fruta madura sedosa e
taninos finos. Elegante, nuances a amoras azuis, ameixas e um leve cassis.
Elegância e profundidade

RESERVA ESPECIAL CABERNET SAUVIGNON 2017
– Maipo – Chile
desliza pelo palato, numa textura untuosa, de bom frescor e definição. Adorável
frutado com notas a berries azuis, seguido de boa complexidade com
nuances harmoniosas a baunilha, balsâmico, taninos finos e boa vivacidade.

Vinho vai bem com chocolate?
melhor desempenho. Porto e Madeira são os campeões e mais fáceis de acertar –
sejam mais jovens e frutados, ou mais evoluídos. Brancos doces de colheita
tardia fazem boa figura. A modulação e sintonia mais fina dependem muito do
chocolate, se tem mais leite ou mais cacau, mais ou menos açúcar.
Ferreira Tawny (rótulo branco)
Porto, de qualidade imbatível na categoria. Harmonia entre frutado novo e fruta
madura, cheio, profundo, amplo e prolongado. Escora bem os chocolates e doces à
base de chocolate

MALVASIA (MALMSEY) 10 ANOS
Ilha da Madeira – Portugal
Malvasia, Malmsey em inglês, muito bem casada com acidez e energia, Complexo,
prolongado, perfumado e multifacetado. Um pouco mais caro, mas para beber aos
poucos. Na linha mais acessível, o 10 anos ou ainda o 3 anos, de preferência o
doce, do mesmo produtor.



