
Guilherme Rodrigues
Notas Báquicas: O melhor dos vinhos
Magdalena Viani: sutileza no Malbec de altitude.

Vinhos de Malbec de altitude da Argentina. Créditos Pexels/Cup of Couple.
Por Guilherme Rodrigues
Os cobiçados vinhos de Malbec de altitude da Argentina apresentam variadas facetas, conforme a origem das uvas e a arte de elaboração de seu enólogo. Cada casa leva ao mercado vinhos com personalidade própria e nuances individuais. Dentre os mais destacados, em diversas faixas de preço, de classe mundial, são os vinhos da Trivento. Nome da famosa vinícola argentina de propriedade da Concha y Toro, cuja designação homenageia os três ventos dominantes que moldam a região de Mendoza: Polar, Zonda e Sudestada.
Em Curitiba recentemente, no Dia Mundial da Malbec, Magdalena Viani, enóloga da Trivento, apresentou diversos dos consagrados rótulos. Responsável pelo toque feminino, de sutileza e elegância dos vinhos, Magdalena tem do que se orgulhar; os vinhos da gama superior recebem notas em torno de 95 pontos e acima da crítica internacional especializada. Eolo, o deus dos ventos, é o ícone maior, rótulo especial de quantidade limitada, cerca de 12.000 garrafas saídas de um vinhedo plantado em 1912 em Luján de Cuyo.
Nascida em Mendoza, no coração do que há de melhor nos vinhos argentinos, Magdalena criou-se em meio aos vinhedos e adegas. Adolescente, numas férias foi trabalhar com o tio, Jose Luis Biondalillo, enólogo renomado. A partir daí encontrou sua vocação, entusiasmou-se definitivamente pelo vinho. Seguiu a profissão, estudou, aperfeiçoou-se, tornando-se uma das grandes enólogas argentinas da atualidade. Desde 2014 trabalha na Trivento, sua casa. Após a prova dos belos vinhos, concedeu-nos uma entrevista inspirada, que compartilhamos a seguir.
BG: Qual a abordagem na criação dos vinhos em que trabalha ?
Magdalena: Na Trivento, nosso compromisso é fazer o melhor, vinhos de qualidade e consistência. Sempre de olho na inovação e sustentabilidade para que os atributos dos vinhos sejam o mais superiores possíveis, com respeito à natureza. A Trivento possui 600 ha de vinhas próprias, distribuídas em cerca de 15 vinhedos, fundamental para o melhor controle da qualidade das uvas. Cada vinhedo tem uma central meteorológica e monitoramento permanente de suas condições.
BG: Como percebe os fatores de qualidade especial dos melhores vinhos na região mendocina ?
Magdalena: Em primeiro lugar, a altitude. As melhores uvas provem das regiões de Luján de Cuyo e Valle del Uco. É preciso estar na faixa aproximadamente entre 900m e 1.500m. Depois, o solo e a vinificação.
BG: Os solos são diferentes, então ? E a vinificação, o que tem de especial ?
Magdalena: Sim, os solos são especiais. Luján de Cuyo, aluvião com argilas e areia, dá um Malbec mais clássico. Valle del Uco é mais pedregoso, onde em geral as duas Cabernet e a Chardonnay vão lindamente. Também a Malbec. Por fim, na adega empregamos a maceração pré fermentativa a frio, o que destaca os componentes varietais, aromas e cor. Entre cerca de 1 e 5 dias. Mais tempo nos vinhos de topo de gama, menos nos demais.
BG: E a madeira, emprega mais ou menos ?
Magdalena: Usamos o mínimo, o necessário para completar os vinhos. Nos mais complexos, da linha reserva para cima, estagiamos em barris de madeira pelo tempo necessário. Nos demais, dispensamos a madeira. Sempre de olho na valorização dos vinhos, sem sobrecarregar. Orgulho-me de nossos vinhos superiores receberem notas em torno e acima de 95 pontos da mais renomada crítica internacional,
BG: Pode destacar uma mensagem especial ?
Magdalena: Com certeza. Direi da mensagem dos vinhos Trivento. Eles falam a linguagem dos consumidores, afinados à ocasião de desfrutar da bebida. Portanto, vinhos inovadores e ao mesmo tempo consistentes. Vinhos de qualidade, que sejam desfrutáveis, amigáveis, interessantes e com personalidade. O gosto do terroir, com métodos que valorizem a natureza.

