Quando você já sabe que rótulo vai comprar ou beber, claro que não precisa das dicas que vou dizer a seguir. Mas mesmo assim elas servem para inspirar e valorizar a escolha.
É muito fácil. Comece dentro da faixa de preços que pretende desembolsar. E dentro dela navegue com 4 elementos principais. O produtor, a região, a casta e por último, a safra. Funciona em qualquer gama de preços. São os dados que estão nos rótulos.
O produtor é o mais importante. Bons produtores fazem vinhos melhores, mais completos e de qualidade uniforme através dos tempos. Maus produtores fazem vinhos piores e desinteressantes. Um bom vinicultor imprime nuances próprias ao vinho, sem destruir, antes, valorizando as características das uvas que entraram na adega. Cada qual, por sua vez, mantém um padrão, o estilo da casa, através dos tempos. Por isso a escolha do produtor é como que garantia da qualidade, do gosto diferenciado, da personalidade da bebida e prestígio do rótulo.
A origem (região, vinhedo) confere o estilo, o sabor único ao vinho, em função dos solos e clima específico. Se o leitor pensar, por exemplo, num Cabernet Sauvignon de Bordeaux, Chile ou Argentina, já percebe as diferenças associadas a cada origem. E vê logo uma orientação para a escolha.
Já as castas, usadas isoladas ou em corte, conferem ao vinho características muito peculiares e próprias. Se pensar na Sangiovese ou na Pinot Noir, já percebo a diferença de saída. Idem com as brancas, por exemplo a Chardonnay ou a Sauvignon Blanc.
Por fim, a safra. É o fator que molda o mesmo vinho, de um mesmo local e castas, de forma diferente a cada ano. Safras mais calorosas dão vinhos mais alcoólicos, cheios, mais opulentos, muitas vezes com laivos confeitados, taninos menos ostensivos e, no pior, chatos e sem vida. Mais frias, nubladas, resultam em uvas menos alcoólicas, mais adstringentes, mais acidez, mais profundidade, maior austeridade e, no pior, duros e insípidos. Nos países do Novo Mundo, de latitudes mais baixas, o fator safra não costuma ser tão crítico. Já com os vinhos europeus, faz bastante diferença. Não se assuste: há diversas tabelas de safras na internet, fáceis de consultar gratuitamente.
Além dessas características, tem as pontuações dos críticos. São referenciais do patamar de qualidade. Não refletem os diferentes gostos de cada vinho. Ultimamente andam cada vez mais inflacionadas. Mas, ainda assim, colocam o rótulo numa faixa qualitativa de fácil referência.
Leia os rótulos. Além no nome do vinho e produtor, declaram de onde provem o vinho. Muitas vezes a uva principal. Nas regiões europeias, poucas vezes há o nome da uva. O nome da região, quando região demarcada ou com indicação de proveniência, revela as uvas permitidas para aquele vinho. Essa última informação não costuma vir no rótulo. Mas uma rápida consulta no buscador da internet já dirá que em tal região, tais serão as uvas.
No mais, julgue os vinhos pelo seu gosto. Deu certo, perfeito. Guarde as referências vencedoras para voltar a elas.