Dani Machado
Mesa Afora
TRINTAEUM: quando a cozinha mineira vira luxo, sem precisar de Caviar

Caviar, foie gras, champanhe. Essas são as iguarias que costumam impressionar e transformar um
restaurante em algo extraordinário, e aqui eu penso em experiências que vemos em qualquer restaurante duas ou três estrelas Michelin pelo mundo. Mas Belo Horizonte tem um endereço onde o impacto vem de outro lugar. Lógico que fazer esta comparação seria uma falta de respeito, a minha ideia vem mais de opa, em BH tem um lugar que emociona e surpreende sem recorrer ao luxo óbvio, e que funciona com a mesma intensidade de um ingrediente raro, porque lá o luxo está na memória, no território e na técnica.
Esse lugar é o Trintaeum, restaurante da chef Ana Gabi Costa, uma das vozes mais interessantes da
cozinha mineira atual. Ana Gabi faz algo raro: ela pega a tradição e reposiciona sem descaracterizar. Ela
respeita o sabor de Minas e, ao mesmo tempo, entrega sofisticação.
restaurante em algo extraordinário, e aqui eu penso em experiências que vemos em qualquer restaurante duas ou três estrelas Michelin pelo mundo. Mas Belo Horizonte tem um endereço onde o impacto vem de outro lugar. Lógico que fazer esta comparação seria uma falta de respeito, a minha ideia vem mais de opa, em BH tem um lugar que emociona e surpreende sem recorrer ao luxo óbvio, e que funciona com a mesma intensidade de um ingrediente raro, porque lá o luxo está na memória, no território e na técnica.
Esse lugar é o Trintaeum, restaurante da chef Ana Gabi Costa, uma das vozes mais interessantes da
cozinha mineira atual. Ana Gabi faz algo raro: ela pega a tradição e reposiciona sem descaracterizar. Ela
respeita o sabor de Minas e, ao mesmo tempo, entrega sofisticação.
O nome já carrega um símbolo. Trintaeum é como se pronuncia “31”, o código de BH para ligações de
longa distância. Um jeito poético de dizer que ali, no bairro de Lourdes, existe uma espécie de “embaixada mineira”, onde tudo vem do estado: ingredientes, bebidas, referências, histórias e sabores. E é justamente isso que torna a experiência tão forte: a sensação de que Minas é servida por inteiro, não como “tema”, mas como verdade.
longa distância. Um jeito poético de dizer que ali, no bairro de Lourdes, existe uma espécie de “embaixada mineira”, onde tudo vem do estado: ingredientes, bebidas, referências, histórias e sabores. E é justamente isso que torna a experiência tão forte: a sensação de que Minas é servida por inteiro, não como “tema”, mas como verdade.
Ana Gabi: a chef que transforma lembrança em prato
A cozinha da Ana Gabi não nasce de tendência. Ela nasce de repertório. Nascida e criada em Pedro
Leopoldo, cidade a cerca de 50 km de BH, ela cresceu cercada por mulheres, com cheiro de doce no
tacho, fogão à lenha e aquele ritual mineiro de comida feita para acolher. Antes de se descobrir
cozinheira, viveu outras rotas até olhar para a cozinha com outros olhos e entender que ali estava a sua linguagem.
Hoje, à frente do Grupo Trintaeum, ela se firma como uma chef de técnica apurada e identidade afiadíssima. Em 2025, foi eleita Chef Mulher do Ano no Prêmio Cumbucca da Gastronomia e também entrou na lista de 100 Melhores do Brasil pela revista Exame, alcançando a 57ª posição. É reconhecimento que não vem por acaso: vem de consistência.
Os clássicos de Minas, com a criatividade de quem sabe exatamente o
que está fazendo
que está fazendo
No Trintaeum, a cozinha regional ganha um corpo moderno, mas segue com alma mineira. Pratos como
pastel de angu, frango com quiabo e galinhada aparecem preservando o sabor que o mineiro reconhece, só que potencializados pela mão de uma chef que não “reinventa por reinventar”: ela eleva com intenção.
O menu vai do conforto ao surpreendente. Tem o tutu de feijão com lombinho suíno, banana e ovo, combinação que parece simples até chegar à mesa e mostrar que tradição também pode ser inteligente. Porque Ana Gabi faz um jogo delicioso com a memória: onde você acha que está o tutu, ela coloca a
banana. E onde você jura que é a banana frita, está o tutu escondido dentro. É uma brincadeira inteligente.
banana. E onde você jura que é a banana frita, está o tutu escondido dentro. É uma brincadeira inteligente.

Tem o quiabo recheado com fígado, prato com cara de boteco, mas com textura e acabamento que
mudam o jogo. E tem o porco sem mágoas, desmanchando, acompanhado de molho de cachaça e limão,
angu de canjica com queijo, milho e taioba.
mudam o jogo. E tem o porco sem mágoas, desmanchando, acompanhado de molho de cachaça e limão,
angu de canjica com queijo, milho e taioba.
Até a sobremesa segue essa lógica: carinho mineiro com acabamento impecável, sem peso, sem exagero, sem caricatura.
O vinho é mineiro. A cachaça também. E o bar é parte do espetáculo
Uma das coisas mais interessantes ali é que a experiência não para no prato. O Trintaeum faz questão de
mostrar Minas também no copo, e isso muda tudo.
O serviço de vinhos é conduzido pela sommelier Cinira Varela, e a carta impressiona por um motivo muito específico: não é “carta grande”, é carta com propósito. São quase 40 rótulos, muitos deles premiados, produzidos exclusivamente por vinícolas mineiras — nomes como Casa Geraldo, Luiz Porto e Mil Vidas, que provam que Minas tem vinho de qualidade e identidade própria. Em 2025, a carta ganhou o Prêmio de Excelência em Vinhos Regionais, no evento Melhores da Taça, da revista Prazeres da Mesa.
E aí vem uma camada extra: o bar. Quem comanda é o mixologista Cássio Batista, e ele transforma coquetelaria em memória, com técnica, sotaque e autoria. Foi ali que eu tomei um dos melhores rabos
de galo da vida: um drink construído com cachaça mineira premiada e um vermute preparado pelo próprio Cássio, com fermentação de jabuticaba, trazendo um toque autoral perfeito.
de galo da vida: um drink construído com cachaça mineira premiada e um vermute preparado pelo próprio Cássio, com fermentação de jabuticaba, trazendo um toque autoral perfeito.
Além disso, a casa ainda tem uma curadoria de cachaças com mais de 20 rótulos, apresentada pela especialista Pollyanna Ávila, que ajuda a olhar para a bebida com o respeito gastronômico que ela
merece.
merece.

O Coreto: um terraço para brindar BH
Dentro do grupo, existe também o Coreto Bar, um terraço com vista para a Praça da Liberdade, pensado
para encontros mais informais e para celebrar BH do alto. Ele serve drinks autorais e também tem
seleção de vinhos mineiros, além de uma carta de petiscos com ingredientes regionais. Eu confesso que
ali eu só passei para conhecer o espaço, não cheguei a comer. Mas dá pra entender o apelo, é o tipo
de lugar que tem cara de começo de noite, de brindes longos e de BH acontecendo lá embaixo.

E tem também o Broa Café: pausa mineira no meio da cidade
O Grupo Trintaeum inclui ainda o Broa Café, no lobby do TRIBE, um convite para uma pausa com sabor
de Minas. O milho, ingrediente central de tanta coisa mineira, vira símbolo do lugar: broas, quitandas,
tostes e café bem feito, com aquela sensação de acolhimento que Minas entrega sem esforço.
No fim, o que a Ana Gabi faz não é “modernizar” Minas. É mostrar que Minas sempre foi sofisticada, só que de um jeito que o mundo ainda está aprendendo a enxergar. O Trintaeum não precisa de caviar para ser memorável. Ele precisa de Minas e de mineiros que mostrem isso para o mundo.

SERVIÇO
Trintaeum
Rua Prof. Antônio Aleixo, 20 — Lourdes, Belo Horizonte (MG)
WhatsApp: (31) 97141-7308
Horários: segunda a sábado, 12h às 15h30 e 19h às 23h | domingo, 12h às 16h
Capacidade: 102 lugares
Reservas: trintaeum.com.br
Trintaeum
Rua Prof. Antônio Aleixo, 20 — Lourdes, Belo Horizonte (MG)
WhatsApp: (31) 97141-7308
Horários: segunda a sábado, 12h às 15h30 e 19h às 23h | domingo, 12h às 16h
Capacidade: 102 lugares
Reservas: trintaeum.com.br
Coreto Bar (terraço – TRIBE Hotel)
Rua da Bahia, 2200 — 10º andar — Lourdes
Horários: quarta a sábado 16h–0h | domingo 16h–22h | segunda e terça fechado
Instagram: @bar.coreto
Broa Café
Rua da Bahia, 2200 — Lourdes
Horários: todos os dias, 8h às 19h
Instagram: @broa.cafe







