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As primeiras três estrelas Michelin colocam o Brasil em outro lugar no mapa da gastronomia
19/04/2026 12:16
A edição 2026 do Guia Michelin marca um momento histórico para a gastronomia brasileira. O país passa a integrar o grupo seleto de destinos com restaurantes três estrelas, com Tuju e Evvai alcançando o mais alto reconhecimento do guia.
É um avanço importante e simbólico. O Brasil se torna o primeiro país da América Latina a conquistar essa distinção máxima, consolidando um processo de reconhecimento da nossa cena gastronômica.
Mas, mais que um marco técnico, houve um momento ali que não cabe só em números. Quando o anúncio foi feito, a reação foi imediata. Emoção mesmo. Para quem acompanha, trabalha e se envolve com gastronomia, ver o Brasil chegar a esse nível tem um peso extra.
Eu já tive oportunidade de jantar no Evvai mais de uma vez, e no Tuju em uma ocasião. São experiências diferentes entre si, com cozinhas muito próprias, mas que compartilham um mesmo nível de consistência
Ambos operam no formato de menu degustação e entregam uma experiência que vai além do prato. O serviço é preciso, o ritmo é bem conduzido e a apresentação tem identidade. Existe uma construção de narrativa ali.
Estar em um desses restaurantes é entender que a refeição não é apenas sobre comer, é uma sequência pensada como um todo. Há cuidado com cada etapa e o serviço se torna parte deste cuidado com excelência.
Estrelas no Rio
Ao mesmo tempo em que há o que celebrar, a edição deste ano também trouxe um desconforto evidente, especialmente no Rio de Janeiro.
Pelo segundo ano consecutivo, a cidade recebeu a cerimônia do Michelin. E também esteve no centro das atenções internacionais ao sediar o The World’s 50 Best Restaurants em anos recentes. Foi uma vitrine relevante para a gastronomia local.
Ainda assim, essa exposição não se refletiu na evolução das estrelas.
Restaurantes importantes da cidade se mantiveram exatamente no mesmo patamar. Não houve avanço significativo. E, talvez mais sensível do que isso, nomes considerados fundamentais por quem acompanha de perto a gastronomia carioca sequer apareceram entre os indicados.
Quem entrou e o que mudou na edição 2026
A edição 2026 do Guia Michelin no Brasil não registrou perdas de estrelas.
O principal destaque foi a conquista inédita das três estrelas por Tuju e Evvai.
O Prêmio Michelin Jovem Chef foi entregue ao chef Pedro Coronha do restaurante Koral, inclusive que esteve brilhando final de semana passado aqui em Curitiba no Gastronomix.
Entre as novidades pela primeira vez o Michelin premiou no Brasil um bartender, Anderson Oliveira do D.O.M. foi o premiado.
A estrela verde de sustentabilidade continua com Tuju, Corrutela e A Casa do Porco.