Sou nutricionista, especialista e apaixonada pelo que faço há mais de 10 anos. Atuo no universo da suplementação nutricional e também encontro na confeitaria outra forma de expressar meu cuidado. Acredito que comer bem não precisa ser complicado. Espero você por aqui, para conversarmos sobre uma nutrição com leveza e que cabe na vida real.
Entre sabores e culturas: a alimentação que conta histórias
03/11/2026 10:45
Alimentação e Cultura: O Que os Sabores da Argentina e do Uruguai Revelam. Crédito: Maria Luísa Repula.
Oi, gente! Hoje quero desembarcar com vocês em uma experiência recente pela Argentina e pelo Uruguai. Viajar também é descobrir tradições, experimentar sabores e perceber que a comida revela muito mais do que colocamos no prato.
Crédito: Maria Luísa Repula.
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Podemos conhecer um lugar caminhando por suas ruas, observando a arquitetura e conversando com as pessoas. Mas poucas experiências nos aproximam tanto de uma cultura quanto sentar à mesa e provar seus sabores.
Durante uma viagem por Bariloche, Buenos Aires e Colonia del Sacramento no Uruguai, percebi como a alimentação nos permite descobrir histórias e reconhecer tradições. Foi uma oportunidade de olhar para a comida com curiosidade, também sob a perspectiva de quem trabalha com Nutrição.
Crédito: Maria Luísa Repula.
Em Bariloche, os chocolates são praticamente uma atração à parte. Conhecida pela produção artesanal, a cidade convida a explorar aromas, texturas e combinações. Uma experiência que me marcou foi provar um chocolate da Mamuschka, marca reconhecida por seus chocolates artesanais e que também trabalha com o método bean-to-bar: do grão de cacau à barra. O sabor de amêndoas e caramelo me surpreendeu. É interessante perceber como um alimento familiar pode ganhar novas interpretações.
Mas Bariloche vai além dos chocolates. No Cerro Otto, conhecemos a Confitería Giratoria, onde o ambiente gira lentamente e proporciona uma vista de 360 graus das montanhas nevadas. Foi especial apreciar a paisagem enquanto saboreávamos um chocolate quente e um croissant.
Crédito: Maria Luísa Repula.
Já em Buenos Aires, os cafés merecem um capítulo próprio. Há algo especial em sentar-se para tomar um café, observar a cidade e permitir que o tempo passe mais devagar. Um lugar que traduz essa experiência é o El Ateneo Grand Splendid, antiga casa de espetáculos transformada em livraria, onde também é possível fazer uma pausa para um café.
Quando falamos da Argentina, é difícil não lembrar das carnes, tão presentes na tradição gastronômica do país. Mas a experiência vai além dos cortes conhecidos. O locro é um prato tradicional associado às celebrações nacionais. Preparado com milho, abóbora, feijões e diferentes tipos de carne, conforme a receita, é um cozido que carrega história e identidade.
Outra descoberta foi comparar as empanadas argentinas e uruguaias. Embora compartilhem o mesmo nome, recheios, temperos e preparos podem variar. As receitas também mudam dentro de cada país, influenciadas pelos costumes e tradições familiares.
Essas experiências reforçam algo que considero essencial: a comida não pode ser compreendida apenas por seus nutrientes. Ela também é cultura, memória, afeto, convivência e identidade. Uma receita preserva tradições, um prato típico conta a história de um povo e uma refeição compartilhada pode transformar um momento simples em lembrança duradoura.
Como nutricionista, acredito na importância de uma alimentação equilibrada, consciente e baseada em ciência. Mas esse olhar precisa considerar a vida como ela acontece. Comemos em casa, no trabalho, com amigos e durante viagens. Nossos hábitos e experiências fazem parte da relação com a comida.
O cuidado nutricional pode coexistir com o prazer de experimentar novos sabores e o respeito às diferentes culturas alimentares.
No fim, viajar também é permitir-se descobrir: provar algo pela primeira vez, conhecer a história por trás de uma receita e perceber que aquilo que chega à mesa carrega muito mais do que ingredientes.
Talvez essa seja uma das partes mais bonitas da alimentação: ela nos nutre biologicamente, mas também nos conecta a lugares, pessoas e histórias.
E sabe o que mais levo dessa viagem? A certeza de que vale a pena viver cada experiência e guardar cada momento. Algumas lembranças ficam registradas não apenas nas fotografias, mas também no coração e na memória afetiva.
Agora me conta: qual experiência gastronômica mais marcou você até hoje?
Obrigada por estar comigo em mais esse capítulo. Até a próxima!