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A febre do “sem glúten”. É moda, saúde ou desinformação?

Aline Moser
Aline Moser
20/04/2026 09:44
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Busca por produtos sem glúten cresce nos supermercados, impulsionada pela ideia de alimentação mais saudável. Crédito Imagem gerada por IA (Google Gemini)

Nos últimos anos, produtos “sem glúten” deixaram de ocupar nichos específicos nos supermercados para se tornarem protagonistas nas prateleiras e nas redes sociais. Pães, massas, bolos e até cervejas ganharam versões gluten free, impulsionadas por uma crescente percepção de que retirar o glúten da dieta é sinônimo de uma vida mais saudável. Mas até que ponto essa tendência é baseada em evidências e quando ela se transforma apenas em mais uma moda alimentar?
O glúten é uma proteína presente em cereais como trigo, centeio e cevada. Para pessoas com doença celíaca - uma condição autoimune séria - o consumo de glúten provoca inflamações no intestino e pode causar uma série de complicações. Há também indivíduos com sensibilidade ao glúten não celíaca, que relatam desconfortos digestivos após o consumo. Para esses grupos, a exclusão do glúten não é escolha, mas necessidade.
 O problema começa quando essa restrição alimentar passa a ser adotada por pessoas sem diagnóstico ou orientação profissional. Influenciadores digitais, celebridades e até algumas marcas ajudaram a construir a ideia de que o glúten é um “vilão universal”, associado a inchaço, ganho de peso e fadiga. No entanto, a ciência não sustenta essa generalização. Para a maioria da população, o glúten pode ser consumido sem prejuízos à saúde.
Além disso, cortar o glúten sem necessidade pode trazer efeitos contrários ao desejado. Muitos produtos industrializados sem glúten possuem maior teor de açúcar, gordura e aditivos para compensar textura e sabor. Ao eliminar alimentos tradicionais como pães integrais, o consumidor também pode reduzir a ingestão de fibras e nutrientes importantes.
Isso não significa que a busca por uma alimentação mais consciente seja negativa. O crescimento da oferta de produtos sem glúten também trouxe mais informação sobre intolerâncias alimentares e incentivou a indústria a diversificar opções. O problema está na adoção indiscriminada, sem entendimento ou acompanhamento adequado.
No fim das contas, a “febre do sem glúten” revela muito mais sobre o comportamento contemporâneo do que sobre o próprio alimento. Em uma era marcada pela busca constante por soluções rápidas e estilos de vida ideais, dietas restritivas acabam ganhando status de tendência. 
  Cabe ao consumidor separar informação de modismo e lembrar que, quando o assunto é COMER BEM, não existe fórmula universal.
 Eu trabalho ensinando pessoas a cozinhar de forma mais saudável, priorizando alimentos in natura, mas principalmente sem restringir nenhum ingrediente, pois acredito que o equilíbrio é o segredo!
Para finalizar aqui nossa matéria , eu digo pra vocês: não tenham medo do glúten e, antes de eliminar qualquer componente da sua alimentação , o mais seguro continua sendo o caminho mais simples:  informação de qualidade e ⁠orientação profissional.
E se precisarem de algo, contem comigo!
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