Rio Grande do Sul
Reconhecida pelo Guia Michelin, chef Dayse Paparoto escolhe Porto Alegre para novo capítulo

Dayse Paparoto: técnica, identidade e um novo capítulo no Sul do Brasil.
Há chefs que ficam marcados por um programa de televisão. Outros conseguem fazer o caminho mais difícil: transformar a visibilidade em carreira, restaurante e identidade própria. Com Dayse Paparoto, foi isso que aconteceu.
Vencedora do MasterChef Profissionais, a chef construiu, depois do reality, uma trajetória que não depende mais apenas do título. Seu nome passou a circular pela força de uma cozinha autoral, técnica e segura, que encontrou no Paparoto seu principal espaço de expressão.

Agora, essa história ganha um novo endereço: Porto Alegre.
A chegada da marca ao Rio Grande do Sul não representa apenas mais uma expansão. No caso de Dayse, existe uma tentativa clara de entender o lugar para além do ponto comercial. Nos últimos meses, a chef intensificou as vindas à capital gaúcha, se aproximou do ritmo da cidade, passou a observar hábitos locais com atenção e começou a criar uma relação real com o território.
Essa aproximação vai do ambiente à mesa. Conhecida por uma cozinha de base italiana, Dayse trabalha com fundamentos bem definidos: molhos estruturados, massas precisas, equilíbrio de textura e uma apresentação que valoriza a experiência visual sem perder o foco do prato. É uma culinária que parte da tradição, mas não fica presa a ela.
No Paparoto, a técnica aparece com clareza. Mas não é só isso que sustenta a casa.
O que chama atenção é a maneira como a chef busca construir pratos com identidade, em vez de apenas repetir fórmulas bem-executadas. Existe cuidado na composição, leitura contemporânea e uma busca por leveza que ajuda a explicar a força da marca em São Paulo e o reconhecimento que a chef conquistou no circuito gastronômico.
Em Porto Alegre, esse movimento ganha uma camada nova.
Ao frequentar Porto Alegre com mais frequência, Dayse passou a observar o cotidiano local, do chimarrão ao ritmo da mesa. Esse contato aparece de forma pontual na cozinha. O cardápio segue essencialmente italiano, mas já traz pequenos acenos ao contexto gaúcho, como o uso de ingredientes locais em algumas receitas. Não há mudança de proposta, e sim um processo gradual, em que a identidade da casa se mantém enquanto a chef se aproxima do novo território.
Para o público gaúcho, há também um apelo imediato. O novo endereço oferece a possibilidade de experimentar, de perto, a cozinha de uma chef que saiu de um dos principais realities gastronômicos do país para consolidar uma operação própria, reconhecida e em expansão.
Mas a abertura do Paparoto no Sul diz mais do que isso. Ela fala sobre um movimento de circulação da gastronomia brasileira fora dos eixos mais óbvios. Fala sobre chefs que expandem sem simplesmente replicar. E fala, sobretudo, sobre uma cozinha que chega a Porto Alegre disposta não apenas a ocupar espaço, mas a criar vínculo.
Entre tradição italiana, técnica apurada e escuta do território, Dayse Paparoto começa a escrever no Rio Grande do Sul um capítulo que tem tudo para ir além da novidade de inauguração. Tem cara de permanência.




