Bom Gourmet
Do campo à reconstrução: como a união dos produtores gaúchos virou uma feira rural digital

Do campo à rede: a produção de mel agora leva o sabor do terroir gaúcho para todo o Brasil com a Feira Digital Sabor Gaúcho. Foto: Divulgação
Nascido em meio ao caos provocado pelas enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul, o coletivo Produtores Gaúchos Unidos transformou a dor em força e reconexão. O que começou como uma corrente solidária para salvar safras e produtores do prejuízo, hoje se consolida como uma das maiores feiras digitais do campo brasileiro — reunindo milhares de agricultores familiares e microprodutores que agora vendem para restaurantes e comércios em todo o país. Mais do que escoar produtos, o movimento planta um novo futuro para o agro gaúcho.
Uma ponte entre o campo e a mesa
Criado pelos empreendedores Bernardo Ibargoyen e Aline Farias, o coletivo surgiu com um propósito claro: reconstruir a economia rural do estado, conectando pequenos e médios produtores com compradores qualificados em todo o território nacional. Em pouco tempo, a iniciativa mobilizou mais de 220 produtores e 90 comércios espalhados pelo Brasil, provando que, mesmo em momentos de crise, a união e a inteligência coletiva podem gerar soluções efetivas e sustentáveis.
— Estamos conectando as cadeias produtivas de forma inteligente, aproximando quem produz de quem consome, sem intermediários excessivos. A tecnologia é nossa aliada para transformar a comercialização de alimentos no Rio Grande do Sul — afirma Bernardo.

Feira Digital já é realidade
Lançada em abril durante o South Summit Brazil 2025, a Feira Digital Sabor Gaúcho já está em operação e conectando mais de 1,5 mil agroindústrias familiares a consumidores, bares e restaurantes de todo o país. Desenvolvida em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), a plataforma promove o acesso a novos mercados, facilita a comercialização direta e amplia a inclusão digital no campo.
— A Feira Digital Sabor Gaúcho simboliza a união entre tradição e inovação. É uma oportunidade para consumidores de todo o Brasil descobrirem o sabor e a força do trabalho dos nossos produtores — destacou Vilson Covatti, secretário de Desenvolvimento Rural do RS.
Mais do que uma solução logística, a plataforma é uma ferramenta de transformação para a agricultura familiar. Com o apoio da Secretaria Extraordinária de Inclusão Digital (Seidape), a iniciativa fortalece as cadeias curtas e valoriza o terroir gaúcho, incentivando práticas sustentáveis e a diversificação gastronômica.
— O Produtores Gaúchos Unidos é muito mais do que uma plataforma tecnológica. É um ecossistema que promove a inclusão digital dos produtores, amplia o acesso a novos mercados e leva os sabores do terroir do Rio Grande do Sul para outros territórios. Somos uma ferramenta de educação, conscientização e geração de oportunidades. Criamos pontes com a gastronomia, fortalecemos cadeias curtas e mostramos, na prática, o valor dessa nossa ferramenta como motor econômico e cultural — destaca Aline Farias, cofundadora da iniciativa.

Impacto real, sabor autêntico
Os alimentos e bebidas comercializados através do coletivo e da feira carregam identidade regional, práticas sustentáveis e o saber de gerações. Conservas artesanais, queijos coloniais, sucos naturais, embutidos, doces típicos e uma infinidade de produtos autênticos agora chegam às mesas brasileiras com mais facilidade — e com a história de quem resistiu, reinventou e replantou.
Tecnologia com propósito
O diferencial da iniciativa está no uso da tecnologia como catalisador de impacto social. A plataforma digital oferece aos produtores uma vitrine nacional, facilita pagamentos e entregas e, sobretudo, dá autonomia a quem está no campo. Mais do que vender, trata-se de incluir, conectar e gerar renda com propósito.
Uma vitrine para o agro do futuro
A Feira Digital Sabor Gaúcho representa uma virada de chave para o agro gaúcho pós-enchentes. Ao combinar inovação, identidade regional e empreendedorismo, a iniciativa projeta o Rio Grande do Sul como referência em novos modelos de comercialização agrícola — mais justos, mais diretos e mais humanos.


