Anacreon de Téos
Panela do Anacreon
Recém inaugurada, Casa Vinci mostra estar no caminho dos bons sabores

Crudo de carapau, salada com vinagrete de namorados, água de pepino, semente de abóbora e azeite de dill, um dos pratos do jantar harmonizado da Casa Vinci com vinhos Vivalti. | Foto: Anacreon de Téos
Quando dois jovens e talentosos cozinheiros atam uma parceria, só é possível esperar o melhor. Pela personalidade de cada um deles e pelos resultados que podem apresentar.
É o que ocorre nessas primeiras semanas de funcionamento da Casa Vinci, aberta em fins de fevereiro e que agora, passado esse tempo, já incorpora e solidifica a base de sua gastronomia.
Giovani Vivan conheci anos atrás, 2019, precisamente, quando da apresentação de um menu confiança no Z.Japanese Bar, onde fazia parceria com o criativo Douglas Piccoli (leia a respeito aqui). Alguns anos depois, fui reencontrá-lo na inauguração da Punk Cuisine (confira o que publiquei na ocasião), já trabalhando por conta de sua própria inspiração e com muito sucesso.

Depois de uma temporada fora do Brasil e de passagem por São Paulo, ele retornou a Curitiba, onde realiza um trabalho de consultoria, que é exatamente o que faz na Casa Vinci. Ali ele tem a companhia do jovem chef João Pedro Vieira, que foi finalista da primeira temporada do The Next Chef, ano passado (leia aqui) e trabalhou durante muito tempo com Danilo Takigawa, desde o Bobardí até o ASU.
Os dois profissionais elaboraram e lapidaram juntos o cardápio da casa, que tem um foco prioritário na parrilla, mas abre também para outros paladares, mais caseiros (reforçados pela decoração rústica) e afetivos (nunca mais escrevi “comida de avó” desde que um amigo me disse que a avó dele cozinhava muito mal). Estive lá em duas oportunidades: logo após a inauguração, ainda em soft open, e, mais recentemente, numa noite de harmonização com os excelentes vinhos da Vinícola Vivalti, da Serra Catarinense.
Na primeira experiência, respeitados todos os percalços de uma fase de ajustes, o saldo foi muito interessante. Para uma mesa de quatro pessoas foram levados alguns dos pratos considerados por eles mais expressivos do menu, somados a alguns pedidos dos comensais.


Para começar, Croquetas de língua (R$ 40), Tartar de carne sobre brioche (R$ 47) e Pimentão na brasa (R$ 52). Como principais, as escolhas recaíram em Polvo na brasa (R$ 110), Rabada (R$ 69) acompanhada da Polenta tostada (R$ 39) – das mais pedidas - e a Barriga de porco com arroz caldoso (R$ 66), acompanhada de Espeto de cebola (R$ 42), Farofa de alho (R$ 24) e Salada de batata (R4 26).


De sobremesa, Torta basca com compota de frutas vermelhas (R$ 38), uma criação da chef patissiêre Paula Xavier.
A Barriga de porco com arroz caldoso foi a campeã de noite, no ponto, macia e muito bem apresentada. E o Espeto de cebola é genial. Gostei também das Croquetas de língua, que abriram a noite.
Não pedimos um dos carros-chefes da casa, a Bisteca Fiorentina, interessados que estávamos nos pratos criados pela dupla. Mas está entre os principais destaques perante os clientes.


A carta de vinhos do restaurante foi inicialmente elaborada sob consultoria do sommelier e consultor de vinhos Emiliano Lauriano, parceiro direto do chef Lênin Palhano (Feér e Trama). Mas, com o passar do tempo, já ganhou novos rótulos, alguns deles pesquisados por Gustavo Marques, um dos proprietários da casa e apaixonado por vinhos.
Jantar harmonizado

O primeiro jantar harmonizado da Casa Vinci ocorreu dias atrás, apresentando alguns interessantes rótulos da Vivalti, uma pequena vinícola da região de São Joaquim, mas com vinhos muito expressivos. E a concepção do jantar surgiu a partir de uma proposta não muito comum: harmonizar com pratos os vinhos a serem degustados.
Giovani Vivan concebeu os pratos conforme a característica (uvas, terroir e coisa a tal) de cada vinho apresentado por Demétrios Navarro, o Dimi, sommelier da Rootstock e que, como consultor na área, esteve junto à Casa Vinci naqueles primeiros momentos de funcionamento.
Foi um jantar de cinco etapas, com harmonização presente em todas, em resultado final muito próximo da perfeição. Das cinco, quatro, com certeza, acertaram no alvo, na combinação entre vinho e prato.

Começou com um Vivalti Espumante Brut Método tradicional, para escoltar o Brioche na brasa, creme de queijo de cabra, frutas amarelas, tomate verde fermentado e uma inesperada e incrível maionese de fermento.
A seguir, Vivalti Alvarinho 2024, no prato cru, Crudo de carapau, salada com vinagrete de namorados, água de pepino, semente de abóbora e azeite de dill.A seguir, Vivalti Alvarinho 2024, no prato cru, Salada de folhas refrescante, água de tomate, semente de abóbora e azeite de dill.
O passo 3 veio com o vinho Vivalti Rosé (Sangiovese e Touriga Nacional), para acompanhar Repolho na brasa, panko, maionese de inhame e demi glace vegetariana (feita com cogumelos e repolho verde).
Passo 4: Vivalti Touriga Nacional com Ancho, demi glace, brioche, alho e batata.


Para finalizar em alto estilo, Espumante Vivalti Demi Sec, a acompanhar Frutas vermelhas, merengue defumado, farofa de cookie e caramelo salgado.
Minhas harmonizações favoritas, que me fez sentir como se prato e taça representassem a mesma unidade (que, afinal, é a proposta da harmonização): o brioche e o repolho, impecáveis combinações. E prazerosas também.
Ao promover eventos como esse, a Casa Vinci já passa atestado de competência na área, pois nada mais compensador do que poder sentir a energia de uma combinação entre gastronomia e vinhos. O que reforça, inclusive, o dia a dia, que tende a crescer com o polimento de alguns detalhes que sempre escapam no início de um novo restaurante.

O empreendimento está a cargo de um jovem casal, Gustavo Marques e Nicoli Hattori, ambos com experiência familiar em restaurante (no caso, o Azuki) e empenhados e passar toda a energia positiva ao novo local.
E passam mesmo. A continuar nessa pegada – sei que o início é difícil, depois da empolgação, e muitos patinam no meio do caminho -, a Casa Vinci vai marcar com méritos seu lugar entre os sabores de Curitiba.
O restaurante funciona para almoço, de segunda a sexta, das 11h30 às 15h, e sábados, domingos e feriados, das 12h às 16h. No jantar, o horário de funcionamento é, de segunda a quinta, das 19h às 23h e, sexta e sábado, das 19h às 23h. Também está disponível para eventos corporativos e familiares.

Casa Vinci – Comida Afetiva & Vinho
Alameda Presidente Taunay, 434 – Batel
Reservas: (41) 98725-0060
Instagram: @casavinci