Anacreon de Téos

Panela do Anacreon

Osteria Lupita revela toda criatividade ainda desconhecida de Dudu Sperandio

31/03/2025 16:05
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Cannoli di crudo di carne, azeite de oliva, aceto, raspas limão siciliano, Grana Padano e pimenta-do-reino - certamente será uma das sensações da Osteria Lupita. | Foto: Anacreon de Téos

Um outro lado do chef Dudu Sperandio surge com a proposta da Osteria Lupita. O novo espaço começa a operar oficialmente nesta terça-feira (01), no local onde funcionava anteriormente o Café Lupita e seus desdobramentos.
Agora a mudança foi radical, na decoração (a nova ficou ótimo, discreta e aconchegante), no conceito e, principalmente, na criatividade pelo veio italiano que Sperandio ainda não havia mostrado em seu esplendor. Sim, o Ernesto Ristorante não é sucesso há tantos anos em vão. Mas apresenta uma seleção um tanto mais clássica dos pratos, com poucas variações de sugestões, com o passar do tempo.
Dudu Sperandio, brindando em sua nova casa, a Osteria Lupita. | Foto: Morõni
Dudu Sperandio, brindando em sua nova casa, a Osteria Lupita. | Foto: Morõni
A Osteria Lupita passa uma inquietude, uma ansiedade em se apresentar combinações de sabores até então não explorados pelo cozinheiro. E o resultado de tudo é compensador. Enquanto funcionava ainda em soft open, até o fim da semana passada, tive uma chance de provar alguns dos itens do cardápio. E fiquei muito bem impressionado, na certeza de que muitos daqueles pratos irão marcar a assinatura da casa e entrarão no rol dos favoritos do curitibano.
Contando com a agradável companhia de Helinho Pimentel (que eu não via havia décadas) e hoje responsável por toda a reambientação do complexo que abriga a Pedreira Paulo Leminski, recebemos primeiro o couvert, simples e saboroso, contendo Grissini artesanal, manteiga noisette de sálvia, caponata de abobrinha, creme de ricota com pistache e pão artesanal (R$ 27).
Daí foi anunciado que viriam Cannoli. Sim, aqueles delicados enrolados de massa, de origem siciliana, servidos de sobremesa, recheados de ricota, pistache e outras ideias. Só que o prato ali é salgado, o Cannolo (é o singular) di crudo di carne, azeite de oliva, aceto, raspas limão siciliano, Grana Padano e pimenta-do-reino (R$ 75). Combinação inesperada, admito, mas de resultado muito interessante. A carne batida muito bem temperada, mas sem exageros de temperos, na medida.
Combinação inesperada: <em>Alice do Cantábrico, tomate em rama e basílico</em>. | Foto: Anacreon de Téos
Combinação inesperada: Alice do Cantábrico, tomate em rama e basílico. | Foto: Anacreon de Téos
É sabido, no meio gastronômico – e no bom senso de cada um de nós –, que a simplicidade é tudo na composição de um prato. E o maior exemplo que tive foi na etapa seguinte do jantar. Veio Alice do Cantábrico, tomate em rama e basílico - 5un (R$ 95). Alice é anchova, mas daquelas de derreter na boca. São originárias da região do mar Cantábrico, Norte da Espanha, e chegam acompanhadas somente por meio tomate em rama, um toque se flor e sal e nada mais. E nada mais seria necessário mesmo.  Dudu Sperandio conta que provou esse prato num estrelado restaurante italiano e, mais tarde, também em restaurante de ponta em Los Angeles. Gostou tanto que reproduziu aqui, na Lupita. Ainda bem.
<em>Busecca</em> - tradicional <em>trippa alla milanese</em>, com feijões brancos, guanciale crocante e polenta cremosa. |Foto: Anacreon de Téos
Busecca - tradicional trippa alla milanese, com feijões brancos, guanciale crocante e polenta cremosa. |Foto: Anacreon de Téos
 <em>Duo de ravióli de cordeiro e queijo, com molho velouté de ervas e pinóli</em>. | Foto: Anacreon de Téos
Duo de ravióli de cordeiro e queijo, com molho velouté de ervas e pinóli. | Foto: Anacreon de Téos
Quando vi que havia tripas no cardápio, fiquei curioso. Porque o italiano saber lidar muito bem com isso e seus pratos são sempre muito saborosos. Tripa é, se for para comparar, o nosso bucho, das variações de dobradinha. Foi só eu dizer isso que logo me trouxeram o prato: Busecca, tradicional trippa alla milanese, com feijões brancos, guanciale crocante e polenta cremosa (R$ 89). Está entre os pratos principais e vale toda garfada.
A seguir, chegou Duo de ravióli de cordeiro e queijo, com molho velouté de ervas e pinóli (R$ 105). São dois raviólis numa massa só, dobrada com um recheio diferente em cada metade: cordeiro e queijo. Surpreende pela apresentação, pouco conhecida.
<em>Ossobuco alla milanesa, com gremolada e seu clássico risoto milanês, com pistilos de açafrão</em> - com tutano no osso. | Foto: Anacreon de Téos
Ossobuco alla milanesa, com gremolada e seu clássico risoto milanês, com pistilos de açafrão - com tutano no osso. | Foto: Anacreon de Téos
E quando falei que ossobuco alla milanese eu conhecia bem, o chef me interrompeu com um “mas não conhece esse, é diferenciado”. Mandou vir o Ossobuco alla milanesa, com gremolada e seu clássico risoto milanês, com pistilos de açafrão (R$ 110). Carne se desmanchado – como deve -, molho denso e um risoto como poucos que já tive a chance de provar. E não ficou nisso. Veio junto, no mesmo prato, meio osso da canela, com todo aquele tutano, mexendo com meu salivar. Só tostado no forno, com a gremolata por cima. Ganhei a noite.
O Tiramisù é montado na mesa, à frente do cliente. | Foto: Anacreon de Téos
O Tiramisù é montado na mesa, à frente do cliente. | Foto: Anacreon de Téos
Clássico tiramisù de mascarpone. | Foto: Anacreon de Téos
Clássico tiramisù de mascarpone. | Foto: Anacreon de Téos
E ainda veio, de sobremesa, um Clássico tiramisù de mascarpone (R$ 45), com uma curiosidade que não sabia de nenhum outro local. É finalizado na hora, à mesa, pelo próprio garçom que está atendendo.
Quando eu me referi, lá no início da conversa, ao outro lado do chef, é que, até então, Dudu Sperandio não havia mostrado esse repertório tão intenso, tão variado, com tantas incursões por diferentes posições geográficas da comida italiana. Tirou da cartola um cozinheiro que a maioria das pessoas não conhecia.
E as variações do menu são tantas, que exige não apenas uma visita ao novo restaurante, mas pelo menos algumas delas.
Para harmonizar com as criações, a Osteria Lupita conta com uma ampla carta de vinhos, com rótulos cuidadosamente selecionados – exibidos na adega, que ocupa uma das paredes do salão -, para complementar a experiência gastronômica.
Adega da Osteria Lupita expõe, no salão, todos os rótulos para a harmonização com os pratos. | Foto: Anacreon de Téos
Adega da Osteria Lupita expõe, no salão, todos os rótulos para a harmonização com os pratos. | Foto: Anacreon de Téos
A Osteria Lupita está situada em um dos prédios mais emblemáticos de Curitiba: o Edifício Anita. Construído em 1950, o edifício mescla elementos modernistas e art déco e leva o nome de Anita, esposa do jornalista Frederico Faria de Oliveira, antigo proprietário do imóvel. O local chama atenção pela sua fachada coberta de trepadeiras e pela curiosa casinha no topo, um dos cartões-postais do Centro da cidade.
Chef Dudu Sperandio à frente da bela fachada da Osteria Lupita, que será aberta oficialmente nesta terça-feira (01). | Foto: Morôni
Chef Dudu Sperandio à frente da bela fachada da Osteria Lupita, que será aberta oficialmente nesta terça-feira (01). | Foto: Morôni
Horário de funcionamento: de terça a sábado, das 12h às 14h30 e das 19h às 23h, e aos domingos, das 12h às 16h.
Osteria Lupita
Alameda Dr. Carlos de Carvalho, 15A - Centro
Instagram: @osterialupita
E vem mais
Irrequieto como é, Sperandio não poderia se acomodar com mais esse belo lançamento que é a Osteria Lupita, que se junta ao Ernesto Ristorante, à Mercearia Avenida e às várias unidades da pizzaria Funiculare. Não mesmo.
Já na próxima semana será inaugurada a unidade da Mercearia Avenida, que já está levando os sabores da gastronomia portuguesa ao ParkShopping Barigui, por enquanto em soft open (mas quase sempre com casa cheia, como observei dias atrás). Para o fim de abril ou início de maio, mais dois empreendimentos estão sendo anunciados. Um deles será uma pizzaria (Funiculare?), que irá funcionar na Avenida Sete de Setembro, no Seminário, com a diferença de também apresentar pratos de carne e massas, no padrão Ernesto.
E o próprio Ernesto vai chegar como Ernesto Music Hall, na Rua da Música, um espaço que está sendo cuidadosamente transformado dentro da Pedreira Paulo Leminski (Helinho Pimentel), reunindo alguns pontos de boa comida. No novo Ernesto, o menu do original, um pouco reduzido, para a entrada de três opções de pizzas, também de sanduíches e também de saladas (nem sempre turista quer almoçar).
Além deste, também já estão confirmados na Rua da Música, CanaBenta (Délio), Cão Véio (Fogaça) e Mustang Sally – restam ainda duas vagas a serem divulgadas.
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