Guilhermo Spindola

Guilhermo Spindola

Guilhermo Spindola é chef de cozinha e beer sommelier, pesquisador de conexões entre gastronomia e cerveja. Compartilha dicas de harmonização e explora o uso da bebida na cozinha. Também atua na curadoria e no planejamento de eventos estratégicos do FoodCo. Experience.

Na mesa do cervejeiro

Por que a cerveja virou símbolo do St. Patrick’s Day – e de onde veio a cerveja verde?

13/03/2026 17:10
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A cerveja verde virou um dos símbolos do St. Patrick’s Day, tradição que começou a ser celebrada em Curitiba há 21 anos pelo Sheridan’s Irish Pub. Crédito: Leo Karam.

Todo dia 17 de março, bares do mundo inteiro ganham um tom especial de verde. Pessoas vestem chapéus extravagantes, trevos aparecem por todos os lados e os copos se levantam em celebração. É o St. Patrick's Day, uma data que começou como celebração religiosa na Irlanda e acabou se transformando em um verdadeiro festival global.
Mas afinal: por que a cerveja virou protagonista dessa festa?
A origem da data está ligada a São Patrício, padroeiro da Irlanda e responsável por difundir o cristianismo no país. Durante séculos, o dia foi marcado por celebrações religiosas e encontros familiares. A transformação da festa aconteceu principalmente com a imigração irlandesa nos Estados Unidos, onde o St. Patrick’s Day ganhou um caráter mais popular – e muito mais festivo.
Nesse novo cenário, os pubs passaram a ser o principal ponto de encontro da comunidade. E, naturalmente, a cerveja entrou na história.
A Irlanda tem uma tradição cervejeira muito forte. Estilos como stouts e red ales fazem parte da cultura local e ajudaram a consolidar o hábito de brindar durante a celebração.

Mas e a famosa cerveja verde?

Curiosamente, essa tradição não nasceu na Irlanda. Ela surgiu nos Estados Unidos no início do século XX, quando um médico decidiu adicionar corante alimentício à cerveja apenas como uma brincadeira para a data. A ideia pegou – e acabou se tornando um dos símbolos visuais da comemoração.
Na prática, a cerveja verde costuma ser apenas uma lager clara com algumas gotas de corante. Ou seja: muda a cor, mas não altera o sabor. Para quem prefere explorar estilos mais autênticos, o St. Patrick’s Day também é uma ótima oportunidade para provar cervejas irlandesas tradicionais.
Hoje, a data se transformou em uma celebração mundial da cultura cervejeira – e bares ao redor do planeta aproveitam o momento para criar experiências especiais para o público.

Nos bares da capital

Em Curitiba, um dos marcos dessa tradição é o Sheridan’s Irish Pub, que inicia nesta sexta-feira (13) a celebração mais tradicional de St. Patrick’s Day da cidade. Realizado há 21 anos, o festival foi pioneiro ao trazer a festa para a capital paranaense, recriando o clima típico dos pubs irlandeses.
A edição de 2026 acontece ao longo de quatro noites e reúne música ao vivo, chope verde, decoração temática e gastronomia. Dentre as bandas que participam do festival, o destaque vai para o retorno do grupo Terra Celta, conhecido por misturar música tradicional irlandesa com rock.
Além do Sheridan’s, com o passar dos anos, outros bares da cidade também passaram a incorporar o St. Patrick’s Day em suas programações. Casas como Crossroads e Mustang Sally estão entre as que ajudaram a espalhar o espírito da festa por Curitiba, consolidando a data como um dos momentos mais animados do calendário de bares da cidade.
Dentre as celebrações temáticas deste ano, está a ação especial da cervejaria alemã Spaten, que envolve bares da cidade em um verdadeiro “mapa do tesouro cervejeiro”. Na promoção, que vai até o dia 21 de março, clientes que pedirem baldes da marca podem receber raspadinhas que trazem brindes como canecas, abridores, long necks e até vouchers para o aplicativo Zé Delivery. A ação envolve, além do Crossroads e do Mustang Sally, outros cinco bares: Yard, Canto, Carta 7, Menina Zen e Wit Bar.
Promoções à parte ou corante na cerveja, o que o St. Patrick’s Day traz é a celebração da cultura cervejeira e tudo aquilo que ela simboliza: encontros, histórias e tradições que mantêm viva, ano após ano, uma festa que ganhou o mundo.