Dani Machado

Mesa Afora

Você já comeu comida taiwanesa?

25/02/2026 14:15
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Eu não. Nunca fui a Taiwan, e em Curitiba também não temos nenhum restaurante dedicado a esse tipo de gastronomia. Mas já comi muita comida asiática boa ao longo dos anos e posso dizer sem exagero: a experiência no Aiô é surpreendente.
Minha primeira aproximação com esse universo foi em junho do ano passado, quando conheci o Mapu, o restaurante mais casual do mesmo grupo. Ali, os baos já mostram a que vieram: macios, bem recheados, impecáveis. Mas há também uma berinjela frita super famosa, servida com um molhinho de missô cheio de umami. Inclusive, já reproduzi essa receita em casa, e posso garantir: ela é realmente sensacional.
Agora, voltando a São Paulo no mês passado, fui finalmente ao Aiô e entendi que ali a proposta vai muito além. O restaurante aprofunda a investigação da culinária taiwanesa com uma cozinha autoral, técnica e extremamente saborosa, comandada pelos chefs Caio Yokota e Victor Valadão, ao lado do restaurateur Duílio Lin.
Caio começou cedo na cozinha, cresceu dentro do restaurante do pai, formou-se em gastronomia depois de passar pela engenharia de alimentos e acumulou experiências importantes em casas como Miya, Aizomê e Tuju. Foi justamente após uma temporada de estudos no Japão que conheceu o projeto do Mapu e se apaixonou pelos sabores de Taiwan. A partir dali, mergulhou de vez nesse universo, ao lado de Victor Valadão, parceiro de cozinha até hoje.
Victor traz uma bagagem afetiva forte com a gastronomia, construída desde a infância entre a mãe e as avós, passou por cozinhas como D.O.M., Epice e Tuju e encontrou em Caio um parceiro criativo. Juntos, viajaram por Taiwan pesquisando ingredientes, técnicas e comida de rua em cidades como Taipei, Tainan e Kaohsiung. Essa imersão virou base para o Aiô, inaugurado em 2023 como uma versão mais autoral e madura do trabalho iniciado no Mapu.
O resultado é uma cozinha que respeita as raízes taiwanesas, mas não se limita a reproduzi-las. Há técnica, há produto, há pesquisa e, principalmente, identidade. Não à toa, o Aiô vem acumulando reconhecimentos importantes, incluindo indicações consecutivas no Guia Michelin e prêmios como Melhor Restaurante Asiático e Chef Revelação.
Os pratos que mais me marcaram
No Aiô, as vieiras com ponzu apimentado e pobá feito na casa são simplesmente imperdíveis, um prato cheio de camadas, onde acidez, picância e textura se encontram com muita precisão. Se você gosta de vieiras precisa provar.
A salada de tomates também faz jus à fama. Tem acidez calibrada, diferentes texturas, incluindo feijão moyashi crocante e cremoso, e um molho tão bom que vem acompanhado de bao para não deixar nada no prato. Um exemplo claro de como técnica e simplicidade podem andar juntas.
Outro destaque foi o Yufan, um arroz glutinoso servido com carne de porco e lula. Reconfortante, profundo em sabor e com aquela sensação de prato abraço, mas cheio de identidade.
Vale dizer também que as sobremesas são protagonistas. Complexas sem serem pesadas, brincam com texturas e ingredientes asiáticos e brasileiros, fechando a experiência com a mesma criatividade presente nos pratos salgados.
E o bar merece um parágrafo à parte. A coquetelaria do Aiô é sensacional, com drinks autorais cheios de personalidade. Um deles, que até hoje ficou na minha memória, lembrava um Negroni finalizado com óleo de gergelim. Inesquecível. Daqueles que você sai do restaurante já pensando em quando vai voltar para tomar de novo ou se será que eu conseguirei reproduzir em casa.
O Aiô entrou direto para a minha lista dos restaurantes asiáticos favoritos do Brasil.