Muito prazer, caro leitor! Meu nome é Cissa Mariah e, a convite do Bom Gourmet, passo a integrar o time de colunistas com o empolgante desafio de dividir com você um pouco sobre o universo da coquetelaria e do bartender.
Sou professora de formação, com licenciatura plena em Língua Portuguesa e Língua Inglesa, mas deixei as salas de aula do ensino regular para mergulhar no universo da coquetelaria. Na verdade, usei os conhecimentos da faculdade de Letras para criar cursos para bartenders.
Já são mais de 20 anos lecionando, 17 anos como bartender, 14 anos da minha escola de bartenders, a CM Bartender School, e muita história para contar. Vamos juntos conhecer e compartilhar informações na primeira coluna sobre coquetelaria do Bom Gourmet!
A pergunta que dá nome a esta coluna é também a que causa arrepios nos alunos do curso de bartender. Isso porque ela é acompanhada do soar de uma campainha quando a resposta está incorreta. O que, na verdade, é uma brincadeira entre instrutora e alunos chama a atenção do profissional iniciante para as palavras técnicas da profissão. E, a partir dessa dinâmica, o universo do bartender ganha outra perspectiva para o aprendiz, revelando que essa profissão envolve muita ciência e conhecimento.
Quando questiono meus alunos sobre o que estão preparando (se é um drink ou um cocktail), quero ensinar nomenclaturas, ciência da coquetelaria, mas, principalmente, o linguajar técnico. Um consumidor, que só quer degustar sua bebida, não se importa em chamar de um ou de outro, ou até de outros nomes, como bebidinha, misturinha, trago ou gole. E ele está correto!
O especialista no assunto é quem está do lado de dentro do balcão. E ele também precisa adaptar seu linguajar, dependendo da situação. Considero a linguagem como uma roupa: não se vai a um casamento com trajes de banho, assim como não se vai à praia de paletó e gravata. Quando um técnico conversa com outro técnico, utiliza palavras… técnicas! Mas, quando conversamos com nosso cliente, queremos que ele se aproxime e se encante pelo nosso universo, sem complexidades desnecessárias.
Mas, afinal, existe diferença entre drink e cocktail? Em teoria, sim. Há bibliografias que defendem que drink é algo mais simples, com no máximo dois ingredientes, que não exigem técnica para se misturar – como o clássico whisky com água de coco, vodka com energético (precisamos falar sobre isso!) ou o tradicional gin com tônica.
Já o cocktail seria uma mistura mais complexa, com três ou mais ingredientes, que exige quantidades exatas, instrumentos de bar e técnicas específicas para o preparo, como o Negroni, o Moscow Mule e até a caipirinha. A verdade é que, independentemente de como você chame (drink ou cocktail), o importante é fazer boas escolhas, saber beber melhor e onde encontrar as melhores experiências. E é por isso que estou aqui!
Estamos às vésperas da maior festa popular do Brasil: o Carnaval. E é em momentos como este que conhecer o que se está bebendo pode garantir um dia seguinte tranquilo – ou uma ressaca daquelas! Recentemente, ouvi uma amiga dizer que havia bebido duas garrafas de vinho com o marido e, para finalizar, tomou um cocktail. Segundo ela, foi o cocktail que a fez passar mal, pois havia misturado fermentado com destilado. A verdade é que o corpo não sabe a diferença entre uma bebida fermentada e outra destilada. A molécula do álcool é exatamente a mesma nos dois tipos de bebida. O que provoca o mal-estar é a quantidade e a qualidade do que se consome.
A dica é sempre comprar bebidas de fornecedores confiáveis e consumir em bares já reconhecidos da cidade. Além disso, beber água entre um drink e outro ajuda na hidratação e reduz os efeitos colaterais do álcool. Alimentar-se também faz diferença! E, se você quiser inovar neste Carnaval e viver uma experiência diferente, procure opções zero álcool ou de baixo teor alcoólico. Eu garanto: você vai se surpreender com os novos sabores e possibilidades que a coquetelaria sem álcool tem apresentado.
Estou animada para apresentar a você o que há de melhor na coquetelaria nas próximas colunas. Até lá!