Um piloto sabe voar. Conhece os procedimentos, o painel e a rota. Mas nenhum aeroporto funciona sem controlador de tráfego aéreo, operador de rádio ou de estação aérea.
Sem eles, os aviões não devem decolar. O risco é iminente. Quem está na linha de frente em uma empresa funciona da mesma forma. Mesmo quando parece agir sozinho, não age.
Toda decisão tomada por um colaborador, seja no salão, no caixa ou na recepção, é reflexo direto da liderança que ele recebe. Ou da ausência dela.
E isso aparece nos detalhes. Ao longo de mais de 20 anos atuando com estratégias de marketing, vendas e relacionamento, especialmente junto a restaurantes, hotelaria e negócios inseridos em destinos turísticos como Gramado, vi esse padrão se repetir inúmeras vezes: quando o gestor se ausenta da orientação, cada um passa a criar a própria rota.
E quando cada um improvisa sua própria rota, o ruído começa a aparecer. Por trás de quase todo ruído existe um ponto em comum: falta de alinhamento. Não é sobre saber voar, mas a escolha da melhor rota, da estratégia correta para aquele “plano de voo”.
E alinhamento começa com algo simples, e, ainda assim, frequentemente negligenciado: uma conversa clara, honesta e transparente.
É nessa troca que expectativas são alinhadas, comportamentos são orientados e a cultura da marca começa, de fato, a se formar. Porque liderar não é vigiar. Liderar é comunicar.
Comunicação madura exige critério. Elogios precisam ser feitos de forma coletiva, fortalecendo o time. Correções, por sua vez, precisam ser individuais, respeitosas e direcionadas ao comportamento, nunca à pessoa.
É aqui que muitos gestores escorregam. Reuniões individuais de feedback não são perda de tempo. São investimentos em clareza, engajamento e consistência de marca.
É nesses encontros que ajustes acontecem, ruídos são eliminados e o colaborador entende exatamente o que precisa ser aprimorado. As pessoas só saberão o que precisa ser corrigido se alguém disser. Não existe bola de cristal.
Quando a liderança se omite, surgem interpretações pessoais. Quando a liderança orienta, surgem comportamentos alinhados.
Quando o controlador de tráfego, operador de rádio ou de estação aérea se calam, cada piloto perde o prumo. Quando o profissional orienta, a decolagem, o voo e o pouso são seguros, mesmo com turbulência.
Nas empresas acontece o mesmo.
Marcas não se constroem na interpretação individual de cada colaborador. Marcas sólidas não dependem do humor do dia. Elas se constroem com direção, exemplo e diálogo contínuo.Negócios orientados prosperam porque entendem que liderança é um exercício diário de alinhamento não um discurso eventual.
*É uma metáfora, claro. Mas a lição é real. Na aviação, a comunicação do controlador de tráfego aéreo, operador de rádio ou da estação aérea é constante com o piloto porque a segurança dos passageiros e tripulação depende disso. Nos negócios, marcas e resultados também dependem de orientação contínua. Quando ela falta, o desfecho é previsível.
3 práticas de liderança que fortalecem a marca
1. Faça ajustes rápidos
Alinhamento não acontece por acaso. Ele nasce de conversas claras, honestas e transparentes sobre comportamento, postura e expectativas. São alguns minutos antes de abrir o salão, para os funcionários que estiverem naquele horário.
2. Elogie em público. Corrija em particular.
Reconhecer o time fortalece o coletivo. Corrigir individualmente preserva o respeito, gera confiança e evita ruídos desnecessários.
3. Reunião de feedback individual para ajuste de rota
Reuniões individuais não servem apenas para corrigir erros, mas para orientar, escutar e ajustar continuamente o que precisa evoluir. Pessoas não adivinham. Elas precisam de direção.