Rio Grande do Sul
Bangalôs entre vinhedos marcam nova fase do enoturismo da Larentis no Vale dos Vinhedos

Entre bangalôs, piqueniques, colheitas noturnas e taças compartilhadas ao ar livre, a Larentis segue ampliando sua forma de receber. Rodi Goulart
Caminhar entre parreirais, escolher um vinho sem pressa, sentar-se ao ar livre e deixar o tempo correr no ritmo da paisagem. É nessa lógica - mais contemplativa do que performática - que a Vinhos Larentis inaugura, para a Vindima 2026, uma nova estrutura de enoturismo que aprofunda a relação do visitante com o território: 18 bangalôs instalados em meio ao Vinhedo Arcângelo, o mais emblemático da vinícola.
A novidade se integra ao Larentis Lounge, espaço criado para viver o vinho fora das salas fechadas, em contato direto com a natureza. Localizado logo atrás da sede da vinícola, o vinhedo acompanha suavemente a geografia do terreno e revela, ao fundo, a silhueta urbana de Bento Gonçalves - um encontro raro entre o campo e a cidade, agora observado de um ponto de vista ainda mais confortável.

Os bangalôs representam uma evolução natural de um caminho que a Larentis começou a trilhar cedo. Em 2013, quando o enoturismo ainda engatinhava no Vale dos Vinhedos, a vinícola foi pioneira ao lançar o Piquenique nos Vinhedos, experiência que ajudou a redefinir a forma como o público se relaciona com o vinho na região. O que antes acontecia em bancos e mesas simples, hoje ganha uma estrutura pensada para acolher casais, famílias e grupos, sem perder o charme do contato direto com os parreirais.
Mais do que uma mudança estética, o investimento sinaliza a importância do enoturismo dentro da operação da vinícola, responsável atualmente por cerca de 35% do faturamento. A proposta não é transformar o vinhedo em cenário, mas em espaço de permanência - onde o visitante pode escolher se prefere uma taça, uma garrafa, uma degustação conduzida ou apenas observar o movimento da luz sobre as folhas. A coordenação do enoturismo está sob o olhar cuidadoso da enóloga Suelen Peruzzo.

Essa liberdade também se reflete nas experiências oferecidas ao longo do ano. Além do piquenique, a Colheita Noturna tornou-se um dos momentos mais aguardados da agenda da Larentis, convidando o público a vivenciar o ritual da vindima sob a lua, em uma atmosfera que mistura trabalho, celebração e memória. Degustações orientadas, experiências premium e visitas que valorizam o terroir completam um portfólio que cresce sem perder coerência.
A história por trás de tudo isso ajuda a entender o cuidado. Em 2026, completam-se 150 anos da chegada dos ancestrais italianos da família Larentis ao Brasil. Desde então, cinco gerações mantêm uma relação direta com a terra e com o vinho.

Integrante da quinta geração da família, André Larentis é o enólogo responsável pela elaboração dos vinhos da casa, trazendo à sua prática a herança familiar aliada a experiências de aprendizado na Califórnia (EUA) e em diferentes regiões da Europa.
Foi a família Larentis uma das primeiras da Serra Gaúcha a cultivar Chardonnay e Cabernet Sauvignon, ainda no final da década de 1970, e a apostar na Merlot em espaldeira nos anos 1980, quando a produção era destinada a outras vinícolas.
A virada veio em 2001, com a abertura da Vinícola Larentis, consolidando um projeto próprio que une tradição, técnica e identidade. Hoje, a vinícola cultiva 100% de seus 14 hectares de vinhedos próprios, divididos em parcelas que dão origem a vinhos de personalidade singular - reflexo de um trabalho atento, em grande parte manual, do vinhedo à taça.

Essa proximidade com o consumidor também se manifesta no Clube de Vinhos Larentis, considerado o maior clube exclusivo de uma vinícola no Brasil. Com cerca de mil membros ativos em todos os estados do país, o clube envia três caixas por ano, totalizando 18 garrafas, fortalecendo um vínculo que vai além da compra: é pertencimento.
Entre bangalôs, piqueniques, colheitas noturnas e taças compartilhadas ao ar livre, a Larentis segue ampliando sua forma de receber. Não para impressionar, mas para convidar o visitante a permanecer - e entender que, ali, o vinho é também paisagem, tempo e história viva.


