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Salão cheio, bolso vazio: conheça restaurantes famosos que enfrentam dificuldades financeiras

Crédito: Bigstock
Ter um salão cheio, um nome reconhecido e filas na porta não garante tranquilidade financeira. No mercado da alimentação fora do lar, até restaurantes famosos – e que são referência – já enfrentaram momentos críticos, com margens espremidas, dívidas acumuladas e decisões difíceis para a gestão.
Essas crises, no entanto, não significaram o fim do caminho. Pelo contrário: obrigaram muitos desses negócios a repensar operação, cardápio, modelo de custos e posicionamento. Para o pequeno empreendedor – que muitas vezes acredita que só ele enfrenta dificuldades – essas histórias deixam um recado claro: desafios fazem parte do jogo, em qualquer tamanho de empresa. A diferença está em como reagir a eles. A seguir, reunimos quatro casos emblemáticos de restaurantes famosos que passaram por turbulências financeiras e buscaram se reinventar para seguir em frente.
Grupo Madero: ajustes, reorganização e novos caminhos de crescimento

O Grupo Madero, de Curitiba, se tornou uma referência nacional impulsionado pelo sucesso de seu hambúrguer, mas com um portfólio que vai além do sanduíche. Nos últimos anos, a companhia atravessou um período de ajustes importantes na sua trajetória após uma fase de expansão acelerada, financiada principalmente por crédito bancário, que elevou o nível de endividamento e pressionou os resultados entre 2021 e 2024.
Diante desse cenário, o grupo desacelerou a expansão e concentrou esforços na reorganização financeira e operacional. O movimento trouxe avanços: a dívida, que havia ultrapassado R$ 900 milhões, recuou para cerca de R$ 600 milhões em 2024, e as empresas do grupo voltaram a registrar lucro em 2025. Com a melhora do desempenho, a companhia passou a olhar novamente para o crescimento de forma mais seletiva, conciliando novas aberturas com a continuidade do processo de organização financeira, ainda que lidando com o endividamento que, hoje, está na faixa dos R$ 700 milhões.
Como parte desse novo momento, o Grupo Madero reforçou sua estrutura de gestão com a chegada de Bruno Gentil como CFO, em outubro do ano passado. Para 2026, a estratégia está voltada à eficiência e ao melhor aproveitamento da operação existente. Uma das apostas é o uso das cozinhas do Madero como dark kitchens para produzir lanches do Jerônimo, marca do grupo com posicionamento mais acessível, diretamente para delivery, ampliando o alcance da empresa sem exigir grandes investimentos em novas unidades.
Outback Steakhouse

A rede norte-americana Outback Steakhouse chegou no Brasil em 1997 e, desde então, conquistou o público do país com preparos como a costelinha barbecue e a cebola empanada. O sucesso foi tanto que o mercado brasileiro passou a ser o campeão de vendas da rede no mundo todo e, em 2022, a marca foi eleita a mais admirada pelos consumidores brasileiros no ramo de restaurantes, segundo o ranking IBEVAR.
Mesmo assim, isso não foi suficiente para salvar a rede de restaurantes das dificuldades financeiras. O Outback registrou prejuízo ao longo de 2024 e 2025, motivado pelo aumento de custos operacionais e uma desaceleração das vendas no mercado dos Estados Unidos.
A situação provocou a Bloomin' Brands, controladora global do Outback, a vender a operação brasileira para a empresa de investimentos Vinci Partners, em novembro de 2024. O Outback passou a funcionar com modelo de franquias no Brasil, e os resultados pararam de ser contabilizados no balanço geral da Bloomin' Brands, que recebe novos ganhos financeiros através de royalties de franquia.
Noma

As dificuldades financeiras não atingem apenas as grandes redes internacionais. O Noma, restaurante dinamarquês eleito cinco vezes o melhor do mundo pelo guia 50 Best e detentor de três estrelas Michelin, enfrentou sérios prejuízos nos últimos anos.
O restaurante existe desde 2003 e é conhecido por seus pratos experimentais e inventivos, criados pelo chef René Redzepi. O menu de almoço harmonizado com vinhos chegou a custar US$ 700 por pessoa.
O Noma chegou a registrar prejuízo em 2017 e ficou um ano fechado para reformas. Em 2021, a casa ficou no vermelho mesmo com um auxílio de 10,9 milhões de coroas dinamarquesas (aproximadamente US$ 1,5 milhão) do governo da Dinamarca para enfrentar a pandemia.
Os desafios foram tantos que, em 2024, o Noma fechou as portas do seu endereço fixo, em Copenhague, e hoje funciona em um modelo móvel e temporário, com instalações de curta-duração em diferentes países. A próxima parada do restaurante é em Los Angeles, nos Estados Unidos, entre 11 de março e 26 de junho.
Red Lobster

A Red Lobster é uma rede norte-americana especializada em frutos do mar, conhecida por servir refeições à preços acessíveis. A marca surgiu em 1968 e logo caiu no gosto do público, se tornando uma das preferidas dos baby boomers - pessoas nascidas entre 1946 e 1964. Os problemas começaram a aparecer no século 21, quando a empresa passou a ter dificuldade em conquistar as novas gerações.
Uma das primeiras tentativas da Red Lobster para cair no gosto dos mais jovens foi em 2003, lançando uma promoção de "caranguejo à vontade". No entanto, a ação acabou atraindo muito mais público que o esperado, e o saldo foi um prejuízo de US$ 3,3 milhões em sete semanas.
Apesar do fracasso, a empresa resolveu apostar em uma ação parecida em 2023, lançando a promoção de "camarão à vontade por US$ 20". E o resultado não foi diferente. O público lotou os restaurantes e consumiu tanto camarão que a marca perdeu US$ 11 milhões e precisou entrar com um pedido de falência.
Para os executivos da Red Lobster, a promoção não foi a única culpada pela falência, mas foi o "prego no caixão" depois de uma série de problemas administrativos. Em dezembro de 2024, a marca foi adquirida pela RL Investor Holdings LLC e tenta se reestruturar desde então.

