Bom Gourmet

Salão cheio, bolso vazio: conheça restaurantes famosos que enfrentam dificuldades financeiras

Gabriel Faria
14/01/2026 14:05
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Crédito: Bigstock

Ter um grande nome não é sinônimo de sucesso nos negócios. Pode parecer contraditório, mas muitos restaurantes famosos têm dificuldade em conseguir lucro - mesmo os com salões lotados. As razões para isso variam de caso a caso, mas custos altos de operação e endividamento aparecem como dois dos grandes vilões.
De qualquer forma, é fato que o mercado da alimentação fora do lar está mais competitivo do que nunca, e até mesmo os gigantes do ramo precisam ficar atentos para manter os negócios funcionando. Veja a seguir quatro casos de restaurantes famosos que enfrentaram sérias dificuldades financeiras nos últimos anos:

Grupo Madero

Foto: Divulgação
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O Grupo Madero, dono da famosa rede de hamburguerias curitibanas, enfrentou sérios problemas financeiros nos últimos anos. A marca passou por um processo de expansão agressivo financiado por créditos bancários, o que acarretou em uma dívida de mais de R$ 900 milhões. Com isso, o grupo registrou prejuízo entre 2021 e 2024.
Para reverter as perdas, foi necessário pausar a expansão da rede e concentrar os esforços na amortização da dívida, que caiu para cerca de R$ 600 milhões em 2024. As empresas do grupo voltaram a lucrar em 2025 e o processo de expansão foi retomado, porém a dívida voltou a crescer e hoje soma mais de R$ 700 milhões.
As dificuldades financeiras levaram o grupo de restaurantes a contratar Bruno Gentil, novo CFO da empresa, em outubro do ano passado. A aposta para 2026 são as dark kitchens: as lojas do Madero passarão a produzir lanches do Jerônimo, marca do grupo com preços mais acessíveis, nos aplicativos de delivery.

Outback Steakhouse

Foto: Divulgação
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A rede norte-americana Outback Steakhouse chegou no Brasil em 1997 e, desde então, conquistou o público do país com preparos como a costelinha barbecue e a cebola empanada. O sucesso foi tanto que o mercado brasileiro passou a ser o campeão de vendas da rede no mundo todo e, em 2022, a marca foi eleita a mais admirada pelos consumidores brasileiros no ramo de restaurantes, segundo o ranking IBEVAR.
Mesmo assim, isso não foi suficiente para salvar a rede de restaurantes das dificuldades financeiras. O Outback registrou prejuízo ao longo de 2024 e 2025, motivado pelo aumento de custos operacionais e uma desaceleração das vendas no mercado dos Estados Unidos.
A situação provocou a Bloomin' Brands, controladora global do Outback, a vender a operação brasileira para a empresa de investimentos Vinci Partners, em novembro de 2024. O Outback passou a funcionar com modelo de franquias no Brasil, e os resultados pararam de ser contabilizados no balanço geral da Bloomin' Brands, que recebe novos ganhos financeiros através de royalties de franquia.

Noma

Foto: Divulgação
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As dificuldades financeiras não atingem apenas as grandes redes internacionais. O Noma, restaurante dinamarquês eleito cinco vezes o melhor do mundo pelo guia 50 Best e detentor de três estrelas Michelin, enfrentou sérios prejuízos nos últimos anos.
O restaurante existe desde 2003 e é conhecido por seus pratos experimentais e inventivos, criados pelo chef René Redzepi. O menu de almoço harmonizado com vinhos chegou a custar US$ 700 por pessoa.
O Noma chegou a registrar prejuízo em 2017 e ficou um ano fechado para reformas. Em 2021, a casa ficou no vermelho mesmo com um auxílio de 10,9 milhões de coroas dinamarquesas (aproximadamente US$ 1,5 milhão) do governo da Dinamarca para enfrentar a pandemia.
Os desafios foram tantos que, em 2024, o Noma fechou as portas do seu endereço fixo, em Copenhague, e hoje funciona em um modelo móvel e temporário, com instalações de curta-duração em diferentes países. A próxima parada do restaurante é em Los Angeles, nos Estados Unidos, entre 11 de março e 26 de junho.

Red Lobster

Foto: Divulgação
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A Red Lobster é uma rede norte-americana especializada em frutos do mar, conhecida por servir refeições à preços acessíveis. A marca surgiu em 1968 e logo caiu no gosto do público, se tornando uma das preferidas dos baby boomers - pessoas nascidas entre 1946 e 1964. Os problemas começaram a aparecer no século 21, quando a empresa passou a ter dificuldade em conquistar as novas gerações.
Uma das primeiras tentativas da Red Lobster para cair no gosto dos mais jovens foi em 2003, lançando uma promoção de "caranguejo à vontade". No entanto, a ação acabou atraindo muito mais público que o esperado, e o saldo foi um prejuízo de US$ 3,3 milhões em sete semanas.
Apesar do fracasso, a empresa resolveu apostar em uma ação parecida em 2023, lançando a promoção de "camarão à vontade por US$ 20". E o resultado não foi diferente. O público lotou os restaurantes e consumiu tanto camarão que a marca perdeu US$ 11 milhões e precisou entrar com um pedido de falência.
Para os executivos da Red Lobster, a promoção não foi a única culpada pela falência, mas foi o "prego no caixão" depois de uma série de problemas administrativos. Em dezembro de 2024, a marca foi adquirida pela RL Investor Holdings LLC e tenta se reestruturar desde então.