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Dois dos três finalistas de concurso mundial de gastronomia na Itália são brasileiros

Marina Mori
08/04/2019 20:44
Dois chefs brasileiros são finalistas do concurso mundial “Gastronomic made in Italy“, promovido pelas cidades italianas de Parma, Alba e Fabriano. Podiam participar apenas chefs de cidades que fazem parte da rede Cidades Criativas da Unesco em gastronomia, das Nações Unidas (ONU). No Brasil, são Paraty (RJ), Belém (PA) e Florianópolis (SC).
Nesta quinta-feira (11), os chefs Ângela Sicilia, de Belém, e Daniel Paiva, de Florianópolis, apresentarão um preparo que une a tradição da gastronomia italiana com ingredientes típicos do Brasil. A disputa ocorrerá em Parma durante o Cibus Off, um dos mais importantes eventos gastronômicos daquele país.
Além dos dois cozinheiros brasileiros, o americano Pieter Sypesteyn, da cidade de San Antonio (Texas, EUA) também participará da última etapa do concurso italiano.

Sabores brasileiros na tradicional cozinha italiana

A sustentabilidade foi um dos critérios da seleção. Os cozinheiros deveriam enviar receitas que utilizassem ingredientes e modos de preparo que se alinhassem às propostas da Agenda 2030 Para o Desenvolvimento Sustentável, liderada pela ONU. Entre elas, “acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e promover a melhoria da nutrição”.
Ângela escolheu a maniçoba, um preparo típico do Pará feito com folhas de mandioca-brava, toucinho e mocotó, para representar a região Norte do Brasil na culinária italiana. A combinação das culturas será apresentada através do ravióli (massa com formato de pastelzinho recheado).
Apesar das expressões desconfiadas de quem ouve a descrição do prato, a massa será servida com farofa tostada na manteiga e cebola. “Vai ser servida com farofa, sim. A maniçoba é como uma feijoada paraense e não podia ficar sem”, defende a chef. O próprio caldo do preparo será usado como molho do prato.
Ravióli de maniçoba, prato típico do Pará feito a partir da folha da mandioca brava. Foto: Arquivo Pessoal / Ângela Sicilia
Ravióli de maniçoba, prato típico do Pará feito a partir da folha da mandioca brava. Foto: Arquivo Pessoal / Ângela Sicilia
Segundo ela, foi uma conquista transformar o prato típico em algo apetitoso. “Você já viu como a maniçoba é feia? Consegui deixá-la bonita e apresentável”, brinca Ângela.
Daniel optou por um caminho mais clássico. Sua receita, batizada de Gnocchi della Terra, será um nhoque de batata doce com molho vermelho feito com tomate e pimentões chamuscados. A simplicidade foi proposital. “Eu não quis fazer nada que fosse muito rebuscado, mas acho que o prato cumpriu com vários dos pré-requisitos do concurso”, explica.
“A batata doce é muito consumida no sul e tem vários benefícios nutricionais por ser um carboidrato com baixo índice glicêmico, que sacia e é saboroso. Lá na Itália ainda é um ingrediente um pouco exótico, então achei que seria uma forma interessante de representar nossa região”, afirma Paiva.
Na final, os cozinheiros deverão criar uma receita de finger foods (canapés) a partir de duas das seis cadeias alimentares da região italiana:
– Produtos lácteos
– Prosciutto di Parma
– Parmigiano Reggiano
– Tomates
– Massas
– Conservas/anchovas
Ângela recebeu a categoria “prosciutto di Parma” e “massas”, mas ainda não decidiu o que vai preparar. Paiva deverá usar tomates e anchovas na última etapa. O chef de Florianópolis servirá uma pasta de alcaparras com fatia de abobrinha italiana grelhada com azeite e refogado de anchovas com tomate sobre uma fina torrada de baguete.

Rede de Cidades Criativas da Unesco

Criada em 2004, tem o objetivo de promover a cooperação internacional entre cidades que se propõem a desenvolver a sociedade (industrial e culturalmente) através de projetos criativos. A rede conta com 180 cidades de 72 países.
No Brasil, são oito representantes em cinco categorias: Curitiba (PR) e Brasília (DF) no design; Paraty (RJ), Belém (PA) e Florianópolis (SC) na gastronomia; João Pessoa (PB) no artesanato e artes folclóricas; Salvador (BA) na música e Santos (SP) no cinema.
A seleção de novas cidades para integrar a rede ocorre a cada dois anos. A próxima chamada de candidaturas está prevista para 2019.
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