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Dois dos três finalistas de concurso mundial de gastronomia na Itália são brasileiros
Dois chefs brasileiros são finalistas do concurso mundial “Gastronomic made in Italy“, promovido pelas cidades italianas de Parma, Alba e Fabriano. Podiam participar apenas chefs de cidades que fazem parte da rede Cidades Criativas da Unesco em gastronomia, das Nações Unidas (ONU). No Brasil, são Paraty (RJ), Belém (PA) e Florianópolis (SC).
Nesta quinta-feira (11), os chefs Ângela Sicilia, de Belém, e Daniel Paiva, de Florianópolis, apresentarão um preparo que une a tradição da gastronomia italiana com ingredientes típicos do Brasil. A disputa ocorrerá em Parma durante o Cibus Off, um dos mais importantes eventos gastronômicos daquele país.
Além dos dois cozinheiros brasileiros, o americano Pieter Sypesteyn, da cidade de San Antonio (Texas, EUA) também participará da última etapa do concurso italiano.
Sabores brasileiros na tradicional cozinha italiana
A sustentabilidade foi um dos critérios da seleção. Os cozinheiros deveriam enviar receitas que utilizassem ingredientes e modos de preparo que se alinhassem às propostas da Agenda 2030 Para o Desenvolvimento Sustentável, liderada pela ONU. Entre elas, “acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e promover a melhoria da nutrição”.
Ângela escolheu a maniçoba, um preparo típico do Pará feito com folhas de mandioca-brava, toucinho e mocotó, para representar a região Norte do Brasil na culinária italiana. A combinação das culturas será apresentada através do ravióli (massa com formato de pastelzinho recheado).
Apesar das expressões desconfiadas de quem ouve a descrição do prato, a massa será servida com farofa tostada na manteiga e cebola. “Vai ser servida com farofa, sim. A maniçoba é como uma feijoada paraense e não podia ficar sem”, defende a chef. O próprio caldo do preparo será usado como molho do prato.

Segundo ela, foi uma conquista transformar o prato típico em algo apetitoso. “Você já viu como a maniçoba é feia? Consegui deixá-la bonita e apresentável”, brinca Ângela.
Daniel optou por um caminho mais clássico. Sua receita, batizada de Gnocchi della Terra, será um nhoque de batata doce com molho vermelho feito com tomate e pimentões chamuscados. A simplicidade foi proposital. “Eu não quis fazer nada que fosse muito rebuscado, mas acho que o prato cumpriu com vários dos pré-requisitos do concurso”, explica.
“A batata doce é muito consumida no sul e tem vários benefícios nutricionais por ser um carboidrato com baixo índice glicêmico, que sacia e é saboroso. Lá na Itália ainda é um ingrediente um pouco exótico, então achei que seria uma forma interessante de representar nossa região”, afirma Paiva.
Na final, os cozinheiros deverão criar uma receita de finger foods (canapés) a partir de duas das seis cadeias alimentares da região italiana:
– Produtos lácteos
– Prosciutto di Parma
– Parmigiano Reggiano
– Tomates
– Massas
– Conservas/anchovas
Ângela recebeu a categoria “prosciutto di Parma” e “massas”, mas ainda não decidiu o que vai preparar. Paiva deverá usar tomates e anchovas na última etapa. O chef de Florianópolis servirá uma pasta de alcaparras com fatia de abobrinha italiana grelhada com azeite e refogado de anchovas com tomate sobre uma fina torrada de baguete.
Rede de Cidades Criativas da Unesco
Criada em 2004, tem o objetivo de promover a cooperação internacional entre cidades que se propõem a desenvolver a sociedade (industrial e culturalmente) através de projetos criativos. A rede conta com 180 cidades de 72 países.
No Brasil, são oito representantes em cinco categorias: Curitiba (PR) e Brasília (DF) no design; Paraty (RJ), Belém (PA) e Florianópolis (SC) na gastronomia; João Pessoa (PB) no artesanato e artes folclóricas; Salvador (BA) na música e Santos (SP) no cinema.
A seleção de novas cidades para integrar a rede ocorre a cada dois anos. A próxima chamada de candidaturas está prevista para 2019.
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