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Como uma cidade de 34 mil habitantes está resgatando a gastronomia do PR
É graças a uma cidade de quase 34 mil habitantes que a história gastronômica do Paraná está sendo resgatada. O cenário é Palmeira – distante 80 km de Curitiba e localizada entre os municípios de Lapa e Ponta Grossa, nos Campos Gerais. A principal protagonista é a chef de cozinha Rosane Radecki. A palmeirense começou a empreitada há cinco anos, resgatando a tradição do pão no bafo e, agora, tem difundido a cultura centenária dos porcadeiros da região.
Rosane explica que, enquanto os responsáveis por levar gado e muares (mulas) do Rio Grande do Sul a São Paulo no fim do século 18 foram eternizados como “tropeiros”, os homens a cargo das tropas de porcos ganharam o título de “porcadeiros”. Mas estes, ao contrário dos primeiros, são pouco ou nada conhecidos entre os brasileiros.
A chef decidiu mudar esta realidade em 2018, quando reuniu amigos cozinheiros para celebrar a cultura esquecida dos porcadeiros. Organizou um evento cujo nome é o mesmo do grupo histórico e, espontaneamente, encabeçou um movimento que tem ganhado cada vez mais força no Paraná.
Em menos de um ano, já foram realizadas três edições da festa gastronômica “Porcadeiros”: uma no Rio Grande do Sul, outra em Minas Gerais e a terceira em Palmeira, no Paraná. A quarta edição será realizada neste sábado (13) no restaurante da chef, o tradicional Girassol, na cidade nos Campos Gerais. O momento é duplamente especial: além de reforçar a importância do município no contexto histórico do estado, representa a comemoração dos 200 anos do município.

Valorização da carne de porco
Além de dar destaque às culinárias que formaram a cultura alimentar do Paraná (originadas a partir das culturas indígena, quilombola e de imigrantes europeus), os porcadeiros contemporâneos querem incentivar o consumo da carne de porco local, em especial a do porco Moura.
“Ela está voltando a ser valorizada, mas ainda tem um preconceito tanto pelo medo da carne, pelo mito da banha de fazer mal à saúde. Durante um bom tempo se criou um estigma em relação a isso”, comenta Rosane. A chef faz parte de um projeto antigo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o “Porco Moura”, que tem o intuito de resgatar e valorizar o manejo da raça trazida pelos espanhóis durante a colonização.

História de Palmeira em cinco pratos
É com um pudim de milho assado em folha da bananeira na brasa que a história paranaense começará a ser traçada durante o evento. O prato de origem indígena foi idealizado pela chef Gabriela Carvalho, do Quintana Gastronomia e representa uma homenagem aos primeiros povos do país. A sequência segue com uma salada de canjica com feijões, em reverência aos quilombolas, e depois se entrelaça pelas culturas de imigrantes que chegaram em terras brasileiras há pouco mais de um século.

“Também vamos ter porchetta de porco Moura recheada com farofa, feita pelo chef Beto Madalosso”, conta Rosane. O prato, explica a chef, é uma herança dos primeiros italianos que chegaram em Palmeira. em 1890.
A colônia polonesa será representada pela chef Eva dos Santos, do Bistrô do Victor, através do Gołąbki, uma espécie de charuto de repolho recheado com porco moura. A culinária alemã será lembrada pelos queijos e frios da mestre queijeira Flavia Rogoski, do Bon Vivant, e pães do casal Vanessa e Rene Seifert, do Pão da Casa, da Colônia Witmarsum.

Serviço
Porcadeiros – 200 anos de Palmeira
Onde: Restaurante Girassol – Rodovia BR-277, Km 167, 84130-000 Palmeira (Paraná)
Quando: Sábado, 13/04, das 12h às 16h
Valor da refeição: R$ 60 / crianças de 6 a 12 anos pagam R$ 40. Menores de 6 anos não pagam. Bebidas à parte.
Os ingressos podem ser adquiridos pelo telefone (42) 3252-1778 ou através do e-mail contato@rgirassol.com.br. Pagamento via depósito bancário. Mais informações na fanpage do evento.
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