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Por que um time de brasileiros quer competir pelo melhor churrasco dos EUA
Um time de 10 brasileiros competirá pela primeira vez em um dos campeonatos de churrasco mais tradicionais dos Estados Unidos, o Bar-B-Que. O evento ocorrerá durante o maior show de rodeio do mundo, a Houston LiveStock Show and Rodeo, no Texas, e revelará os melhores mestres-churrasqueiros entre 250 equipes de vários continentes entre os dias 21 e 23 de fevereiro.
Os competidores deverão preparar quatro versões clássicas do Smoked BBQ, estilo de churrasco norte-americano caracterizado pela defumação: brisket, feito a partir do peito bovino; pulled, paleta suína desfiada; costelinhas de porco (pork ribs) e frango assado.

Quase nada do processo norte-americano lembra o jeito brasileiro de assar carne. Por que, então, alguém nascido e criado no Brasil trocaria o tradicional fogo de chão pela churrasqueira pit?
Para o mestre-churrasqueiro Robson Borchoski, de 35 anos, a resposta está no sabor e no ritual do método que ficou conhecido como low and slow. “A carne fica mais suculenta e macia, com sabor defumado. Mas o principal motivo é o romantismo por trás da cocção”, conta ele, que trabalha com carnes há 26 anos e hoje está entre os três melhores churrasqueiros do país no ranking da Pitmasters Brasil. Natural de Guarapuava, é o único paranaense do time brasileiro que competirá no Texas.
Apesar de ser apaixonado pelo churrasco nacional, Borchoski não resiste ao longo ritual da cocção norte-americana, que pode demorar até 24 horas para ser finalizada. “É quase religioso. Se eu for preparar um churrasco para amanhã ao meio dia, hoje tenho que ir atrás de lenha para acender o pit às 22h e passar a madrugada controlando a fumaça”, explica.
O mestre-churrasqueiro sabe que, ao dizer isso, está à mercê da fúria de muitos brasileiros. Ele está pronto. “No sul, a gente é discriminado. Para os gaúchos, churrasco é carne, sal e braseiro. Mas desde 2009 eu aposto na técnica do defumado e, hoje, me sinto bem seguro para bater de frente com qualquer tradicionalismo”, garante.

Carne ao gosto do freguês
Os competidores sabem que o gosto do público é um dos principais fatores na avaliação. Por isso, chegarão com uma semana de antecedência para estudar as preferências dos texanos. “A gente sabe que eles gostam de simplicidade. O tempero é à base de sal e pimenta, mas também tem alguns condimentos que puxam para o herbal, para o cítrico. Vamos ver”, conta Borchoski.
Ele está confiante. Segundo rumores, o time está em plenas condições de “bater frente a frente” com os melhores churrasqueiros dos EUA.

Sobremesa na grelha?
Além dos assados, todos os competidores deverão apresentar uma sobremesa. A escolha do doce é livre, desde que seja feito ou finalizado na grelha.
O time nacional ainda não decidiu qual quitute fará parte do menu. Dois clássicos brasileiros estão entre as ideias: pudim de leite condensado e bolo de rolo, patrimônio cultural e imaterial de Pernambuco. A terceira, mais próxima do paladar norte-americano, é um cheesecake de frutas defumadas.
Mestres-churrasqueiros competidores
O grupo de competidores brasileiros é formado por especialistas de todo o país e foi selecionado por Daniel Lee, coordenador técnico à frente da Pitmasters Brasil, entidade criada em 2017 para difundir o churrasco norte-americano, e membro da renomada Kansas City Barbeque Society (KCBS).
Além de Lee, formam a equipe: Cassiano Rubi, Marcio Giudicissi, Pedro Barioni, Bruno Salomão Fontoura e Jefferson Taboada, do estado de São Paulo; Rodrigo Bueno, do Rio Grande do Sul; Robson Borchoski, do Paraná; Leonardo Macedo, de Pernambuco, e Luã Tavares, do Rio de Janeiro.

Além do festival no Texas, a equipe brasileira foi selecionada para competir ao lado de outros 60 times durante o Meastock The Music and Barbecue Festival, na Austrália. O evento, com data marcada para maio de 2019, promete reunir mais de 15 mil pessoas.
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