Bom Gourmet
Dulçor e acidez em equilíbrio são a chave para conquistar o paladar do brasileiro na balcão

Preferência nacional, caipirinha indica o caminho do paladar do brasileiro no balcão. Foto: Fred Kendi/Gazeta do Povo
A caipirinha pode ser o drink mais democrático do país, mas sua popularidade revela algo maior: o brasileiro sabe reconhecer frescor, equilíbrio e personalidade no copo. Em um cenário em que a coquetelaria nacional nunca esteve tão criativa, o público também se tornou mais exigente e começa a demonstrar preferências claras quando o assunto é sabor. Para entender melhor o que o brasileiro gosta de beber, conversamos com o bartender Gabriel Bueno, que observa de perto o que realmente conquista (ou repele) o paladar brasileiro.
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O que parece simples, como a própria caipirinha, já diz muito sobre essas escolhas. Limão, açúcar e cachaça formam uma receita direta, mas a execução exige técnica. “A maceração faz toda a diferença”, explica Gabriel. “Se apertar demais, a casca libera amargor e o drink perde frescor.” O brasileiro reconhece isso no primeiro gole - e é justamente essa busca por equilíbrio que orienta boa parte das preferências nacionais.
Ingredientes tropicais: aposta certeira para agradar paladar do brasileiro
Ao analisar os pedidos que mais saem nos balcões por onde passou, Gabriel identifica uma tendência consistente: o que o brasileiro gosta de beber são drinks que equilibram acidez e leve dulçor. É por isso que o perfil sour, baseado em frutas cítricas, funciona tão bem nas terras brasileiras. “É refrescante, fácil de compreender e agrada em praticamente qualquer situação”, diz o bartender, que está à frente do Céu Bar, foi finalista do World Class Brasil em 2025 e um dos mentores do The Next Bartender.
Nessa pegada, ingredientes tropicais aparecem como protagonistas nos coquetéis que agradam o paladar brasileiro. Abacaxi, maracujá e manga constroem sabores familiares, aromáticos e associados ao clima quente do país. “Tudo o que entrega frescor e lembra fruta de verdade costuma fazer sucesso”, conta Gabriel.
Há ainda outro elemento decisivo: familiaridade. Drinks autorais em que o consumidor reconhece logo de cara a referência tendem a criar conexão imediata e ter maior aceitação do público.
Identidade brasileira no copo

O Brasil também vive um movimento de valorização de coquetéis clássicos país. Nessa onda, dois aparecem com força nas cartas de drinks dos bares mais badalados: o Macunaíma e o Rabo de Galo. O primeiro é uma combinação de cachaça, Fernet Branca e limão que entrega um jogo de acidez e amargor que conquistou espaço entre os apreciadores de drinks mais estruturados, mas ainda muito próximo da média dos coquetéis que o brasileiro gosta de beber.
O Rabo de Galo, por sua vez, vai por outro caminho. Leva cachaça, vermute tinto e Cynar e apresenta um perfil mais alcoólico e amargo. Nascido nos anos 1950 e por muito tempo restrito aos botecos, O Rabo de Galo tem raízes fortes nos botecos do país e hoje está oficialmente na lista da International Bartenders Association (IBA) como um dos Clássicos Contemporâneos. Nos bares mais sofisticados ganha versões com cachaças envelhecidas e vermutes artesanais. “Ele carrega rusticidade e história”, diz Gabriel. “E sua volta reflete a busca por identidade brasileira com técnica contemporânea.”
